A banca do distinto

Billy Blanco

Originalmente lançada em julho de 1959, no compacto duplo “Dolores Duran no Michel de São Paulo” (não gravado ao vivo, apesar do título) (ouça adiante!). Vinte anos depois do lançamento (e da morte prematura de Dolores), a Copacabana lançou um LP duplo em que revestiu suas antigas gravações com novo acompanhamento, orquestrado e dirigido por Élcio Álvares, dentro de uma série chamada “Galeria dos imortais” (que não passou desse volume!). A crítica e o público gostaram do resultado, mas a ideia não pegou.

Extraído de Samuel Machado Filho

Dolores Duran(1959)

 

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A composição de Billy Blanco nasceu de um fato inusitado. A inspiração veio a partir de um relato de preconceito, feito por Dolores Duran ao compositor. Conta Billy Blanco que, por volta de meados dos anos 50, no auge do “Beco das Garrafas”, em Copacabana, Dolores Duran cantava numa daquelas boates. Tinha um homem que sempre ia aos shows da Dolores porque gostava muito da voz dela, porém odiava negro ou afro-descendente, o caso de Dolores Duran.

O “doutor” ia ao show toda noite, sentava-se na primeira fileira de mesas, mas sempre de costas para o palco. Não dirigia uma única palavra a ela porque não falava com negros. Sequer a olhava. Quando queria pedir uma música, dirigia-se ao garçon – Alberico Campana, hoje dono da “Plataforma” no Rio de Janeiro – e dizia, acenando com um bilhetinho na mão: “Manda a neguinha cantar essa música aqui!”.

Todo final da noite, pelo fato de ser solteiro, o tal sujeito sempre comprava o jantar e levava para casa, como não carregava embrulhos – que segundo ele era serviço de negro – pedia ao garçon que levasse até o seu automóvel. Dolores, profissional e pacientemente atendia os pedidos do “doutor”. Nessa época, ela e Billy Blanco – segundo ele – mantinham um “affair”.

Um dia, muito aborrecida com a grossura do sujeitinho, Dolores contou a história ao Billy que, imediatamente compôs o samba “A banca do distinto”. E aí…, na noite seguinte, Dolores Duran cantou o samba para o “doutor”. Em 1959 a música foi gravada na voz de Isaurinha Garcia (ouça adiante!). Posteriormente várias outras gravações vieram, como as de Elza Soares, Neusa Maria, Dóris Monteiro, Elis Regina e Jair Rodrigues, entre outros” (Confira em ‘O tempo não apagou’).

Extraído de http://bahiaempauta.com.br/?p=42311

Isaura Garcia & Walter Wanderley e seu Conjunto(1959)

 

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Billy Blanco é autor de um verdadeiro manifesto contra o preconceito, o orgulho, a soberba e a vaidade. Trata de “A banca do distinto”, uma bem humorada crítica àqueles que se acham superiores por sua condição econômica, cor ou mesmo origem social. No final da canção o grande compositor alerta que a morte, inexorável, se encarrega de deixar o preconceituoso, querendo ou não, igual a todos.

A mensagem ainda é muito atual e como tantas outras músicas de Billy Blanco, logo se tornou um clássico e foi gravado por muita gente: Elis Regina, Marília Medalha, Wanderléa, Dóris Monteiro, Dolores Duran e Leila Pinheiro (Confira em ‘O tempo não apagou’).

E lembre-se: “a vaidade é assim, põe o bobo no alto, e retira a escada…”, portanto, acabe essa banca, doutor!

Extraído de http://www.drzem.com.br/

 

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Bom humor ranheta, Billy Blanco relata aos espectadores como nasceu “A banca do distinto”, música feita para a cantora Dolores Duran, sua ex-namorada, morta precocemente há cinquenta anos.

Dolores contou-lhe a história de um bacana que frequentava seus shows no “Beco das Garrafas”, no Rio de Janeiro. De costas para o palco, ele bebia uísque no balcão e ordenava canções. Nunca apertava a mão de negros. Nem carregava a marmita. O garçom levava-lhe a embalagem até o carro. Depois de ouvir o perfil, Billy desfiou o samba:

“Não fala com pobre, não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Pra que tanta pose, doutor
Pra que esse orgulho…”

Esta foi a única canção que compôs para Dolores Duran, recorda-se. Guarda o sabor da passagem da compositora pela música brasileira:

– Foi a primeira mulher que realmente apareceu. Depois veio Suely Costa… Mas a Dolores inovou em matéria de letra e música.

Billy Blanco em entrevista de 23/08/2009
Extraído de http://terramagazine.terra.com.br/

 

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15 MÚSICAS QUE SÃO DIAMANTES PARA OS OUVIDOS
Rafael Teodoro

Ao escolher “A banca do distinto”, como uma delas, é mui provável que esteja a ser influenciado pela minha atividade profissional, já que, no meio forense, convivendo com juízes, promotores, ministros de tribunais, não raro me deparo com esses “orgulhosos doutores cheios de pose que não falam com pobre, não dão mão a preto, não carregam embrulho”. Seja como for, o paraense Billy Blanco foi um compositor de relevo, porém nem sempre lembrado em listas.

Notável por suas parcerias com grandes nomes da música brasileira (Tom Jobim, João Gilberto, Baden Powell, Sebastião Tapajós), Blanco legou em “A banca do distinto” uma das mais poderosas críticas à arrogância e à soberbia humanas. Eis aí um potente soco no estômago de quem se julga “gente diferenciada”, mas é incapaz de perceber que “todo mundo é igual quando a vida termina”.

Extraído de http://www.revistabula.com/

 

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Pra que tanta pose, doutor?

Billy Blanco vingou a cantora Dolores Duran, então sua namorada, com a incrível “A banca do distinto”.

Dolores Duran cantava todos os dias em um bar em Copacabana, o “Little Club” – mais conhecido por “Beco do Joga-a-Chave”. Havia um certo cavalheiro que frequentava o bar todos os dias. E diariamente a cena se repetia: ele ficava sozinho com seu uísque numa mesa e, ao fim da noite, pedia um sanduíche para viagem. Fazia questão que o garçom levasse o embrulho até o carro, para não sair com o pacote na mão.

Mas o que irritava mesmo Dolores é que o homem gostava de pedir músicas, mas sempre por intermédio do garçom. Chamava o funcionário e dizia: “Manda a negrinha cantar o ‘Nunca’”, “Manda a negrinha cantar o ‘Menino Grande’”, etc.

Um dia Dolores desabafou ao namorado, Billy Blanco: “Eu fico fula da vida com esse cara. Ele vem aqui para me escutar, mas não fala comigo, não diz meu nome. Se ao menos dissesse ao garçom neguinha, em vez de negrinha…”. Daí a inspiração para a canção: Não fala com pobre, não dá mão a preto / Não carrega embrulho / Pra que tanta pose, doutor / Pra que esse orgulho.

Recado bem dado ao doutor metido a besta, na incrível “A banca do distinto”, que ganhou versão dele, da namorada, de Elis Regina e Elza Soares: Todo mundo é igual / Quando o tombo termina / Com terra por cima / E na horizontal.

Por Natália Pesciotta
Extraído de http://atrasdamusica.tumblr.com/

Tags: banca / Billy / distinto / Duran / Isaura /
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José Reginaldo Mesquita da Silva disse:

Adorei. Muuuuuiito bom. Mato as saudades, Conheço o passado. E ouvir essas cantoras do tempo em que eu nem era nascido. Impagavel. Ma r a v i l h o s o.

Marco Castillo disse:

Maravilha, muito obrigado e parabéns pela excelente matéria. Sou filho do Tony do Trio Irakitan, e lembro que aos 6 anos de idade formando vocabulário ao perguntar a meu pai sobre o que significava “Vaidade”, ele me respondeu com essa música! Abraços!