A saudade mata a gente

Braguinha & Antonio Almeida

“A saudade mata a gente” é mais uma canção sobre o velho tema do amor singelo, ambientado na vida campestre (“Fiz meu rancho na beira do rio / meu amor foi comigo morar…”), gênero que tem como paradigma “Casinha pequenina”.

Mas, além de ser uma bela composição, esta toada teve como um dos motivos de seu êxito uma excelente interpretação de seu lançador, o cantor Dick Farney.

Então no auge da popularidade, Dick explora muito bem as notas graves do estribilho, em contraste com a outra parte que, aliás, recorre a um trecho da ópera “Aída”, de Verdi – o bailado da 2” cena do 2° ato (“Festa da sagração de Radamés”). Existindo havia quase dez anos, a parceria João de Barro / Antônio Almeida só alcançaria o sucesso em 1948, com “A saudade mata a gente” e a marchinha “A mulata é a tal”.

Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br

 

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Samba-toada clássico da parceria João “Braguinha” de Barro – Antônio Almeida, um dos maiores sucessos de Dick Farney. Ele o gravou pela primeira vez em 4 de junho de 1948, na Continental, com suporte orquestral de José Maria de Abreu e lançamento entre julho e setembro do mesmo ano, sob número de disco 15917-B, matriz 1877 (ouça adiante!). Confira também o lado A, “Meu Rio de Janeiro”. Direitos fonográficos reservados à Warner Music Brasil Ltda., uma empresa Warner Music Group. GRA-64593061.

Extraído de Samuel Machado Filho

Dick Farney & Jose Maria de Abreu e Orquestra(1948)

 

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25/06/2014

“A saudade mata a gente”

Saudade é um tema muito explorado nas músicas, especialmente as brasileiras, já que se diz ser uma palavra que não tem tradução em outros idiomas. Em 1948, Dick Farney lançou a toada “A saudade mata a gente”, composta por Braguinha e Antônio Almeida. Em sua letra singela relembra nostalgicamente o amor vivido num ambiente campestre que a distância causada pela partida do “eu lírico” deu por findo.

“Fiz meu rancho na beira do rio/meu amor foi comigo morar/e nas redes nas noites de frio/meu bem me abraçava pra me agasalhar”. A narrativa de uma história de amor acontecida no bucólico cenário de uma casinha construída às margens de um rio. Ali o romantismo se acentuava nas noites frias em que o casal se aconchegava nas redes, fazendo dos carinhos trocados a forma de se aquecerem na intimidade do encontro de corpos de pessoas enamoradas.

“Mas agora, meu Deus, vou me embora/vou me embora e não sei se vou voltar/a saudade nas noites de frio/em meu peito vazio virá se aninhar”. Por motivos que o compositor não deixa compreender, o “eu lírico” diz que vai ter que ir embora, deixar a mulher amada, abandonar aquele ninho de amor. Na incerteza se poderá um dia voltar, já prevê o quanto serão tristes suas futuras noites de frio, sem o carinho da mulher que ama. E aí, na solidão e na ausência sentida, vai bater a saudade que se instalará no seu peito.

“A saudade é dor pungente, morena/a saudade mata a gente, morena”. Quem não já sofreu a dor de uma saudade? Ela fere a alma, abate o estado de espírito, machuca o coração. É uma dor torturante, uma vontade imensa de fazer voltar o tempo. E demora muito a passar, porque são lembranças boas, inesquecíveis, ansiosamente desejadas que se repitam. Há situações em que o sentimento alcança um nível de intensidade tão grande que pode ser fatal. Emocionalmente deprimida a pessoa se desmorona e definha, daí porque o autor falar que “a saudade mata a gente”.

Integra a série de crônicas “PENSANDO ATRAVÉS DA MÚSICA”.

Extraído de http://www.wscom.com.br/

 

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“A gente” ou “nós”?

Qual expressão empregar: “a gente” ou “nós”? Essa é uma questão que envolve os diferentes registros da língua portuguesa.

As duas formas, a gente e nós, existem, basta saber quando e como utilizar cada uma delas

“A gente” ou “nós”? Essa não é uma simples questão gramatical. A pergunta envolve fatores que a Sociolinguística ajuda a explicar e que vão muito além do certo ou errado ou do que está prescrito na gramática normativa.

Se você perguntar para um linguista mais tradicional, certamente ele se posicionará contra o uso do “a gente”. Dirá que a forma deve ser eliminada tanto da modalidade escrita quanto da modalidade oral. Agora, se você fizer a mesma pergunta para um linguista menos ortodoxo, ele dirá que essa é uma questão de adequação linguística, ou seja, você pode usar o “a gente” quando a situação não exigir tanta formalidade, caso contrário, o melhor é optar pelo pronome pessoal do caso reto “nós”.

A verdade é que os falantes consagraram, principalmente na fala, a locução pronominal “a gente”, que tem o mesmo valor semântico do pronome pessoal do caso reto “nós”. Sendo assim, seria difícil conter o uso da expressão que está presente até mesmo na linguagem literária, imortalizada em verso e prosa. Veja alguns exemplos:

No cancioneiro popular, composição de Antônio Almeida e João de Barro:

“(…) A saudade é dor pungente, morena
A saudade mata a gente, morena
A saudade é dor pungente, morena
A saudade mata a gente.”

(A saudade mata a gente)

Na obra-prima de Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas:

(…) a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve de tolerar ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a ideia e o sentir da gente; o que isso era falta de soberania, e farta bobice, e fato é.”

Até mesmo o genial Machado de Assis, famoso pelo fino trato com as palavras, rendeu-se à forma coloquial, tudo em nome da expressividade. Os trechos a seguir foram extraídos de Dom Casmurro:

“A alma da gente, como sabes, é uma casa assim disposta, não raro com janelas para todos os lados, muita luz e ar puro. Também as há fechadas e escuras, sem janelas ou com poucas e gradeadas, à semelhança de conventos e prisões. Outrossim, capelas e bazares, simples alpendres ou paços suntuosos.”

“A vida é cheia de obrigações que a gente cumpre, por mais vontade que tenha de as infringir deslavadamente.”

O que isso quer dizer? Quer dizer que não existe certo ou errado nessa questão, até porque “a gente” e “nós” possuem o mesmo valor semântico, e fazer-se compreender é a regra de ouro da comunicação. Seria ingenuidade pregar a extinção do corriqueiro “a gente”, tido como incorreto e vulgar por muitos linguistas e até mesmo por quem não é linguista, mas mesmo assim adora corrigir os outros… Para que você não fique na dúvida, nos textos não literários prefira o pronome pessoal “nós”, fica mais adequado e menos coloquial. Mas na fala, não se acanhe, não há problema algum em substituir o “nós” pelo “a gente”. A língua portuguesa é assim, dinâmica e adaptável, e saber quando e como empregar os diferentes registros – linguagem padrão e linguagem coloquial – é o que nos torna poliglotas em nosso próprio idioma. Bons estudos!

Por Luana Castro Alves Perez

Extraído de http://alunosonline.uol.com.br/

Tags: Abreu / Almeida / braguinha / Farney / gente / Mata / saudade /
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