A última canção

Carlos Roberto

PAULO SÈRGIO: NUNCA SERÁ A ULTIMA CANÇÃO
Em 29/07/2009

Surgiu como um autêntico cantor romântico. Paulo Sergio encantou a mídia, que queria um motivo para uma disputa, entre dois ídolos da juventude, que nunca, caíram nesta cilada. Embora uma outra mídia, a chamada da tal MPB de fato, criticou Paulo Sergio, dizendo que era um imitador barato do Rei, inclusive na voz.. Mas eles, sempre se respeitaram. Só para ter uma ideia do que representou o cantor, naquele final dos anos 60, seu compacto com a musica “A última canção”, vendeu em três semanas, mais de 60 mil cópias, que para os padrões da época, só Roberto Carlos, vendia desta forma. Foram 13 LPs, gravados, e algumas coletâneas, dos quais lhe rendeu mais de 8 milhões de discos vendidos, até a sua morte.

Extraído de http://cancaopreferida.blogspot.com.br

 

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Paulo Sérgio de Macedo, mais conhecido como Paulo Sérgio (Alegre, 10 de março de 1944 – São Paulo, 29 de julho de 1980), foi um cantor e compositor brasileiro.

Teve uma morte prematura, aos 36 anos, em decorrência de um derrame cerebral, Paulo Sérgio é lembrado como o maior nome da música romântica nacional. O cantor e compositor capixaba iniciou sua carreira em 1968, no Rio de Janeiro, lançando um compacto com o sucesso “Última canção” (ouça adiante!). O disco obteve sucesso imediato e vendeu 60 mil cópias em apenas três semanas, transformando seu intérprete num fenômeno de vendas. A despeito da curta carreira, Paulo Sérgio lançou treze discos e algumas coletâneas, obtendo uma vendagem superior a 10 milhões de cópias, em apenas 13 anos de carreira.

Extraído de https://pt.wikipedia.org

Paulo Sergio(1968)

 

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Novidades – “Última Canção”
40 anos de um grande clássico da música romântica.

No final de 1967, desembarcava no Rio de Janeiro o jovem compositor Carlos Roberto Nascimento. Natural do município mineiro de Governador Valadares, este sonhava em conhecer pessoalmente o cantor Paulo Sérgio. Decerto que, naquela oportunidade, Carlos Roberto tinha poucas referências sobre o artista, que ainda debutava no cenário musical através da canção “Benzinho”, uma versão de Maurileno Rodrigues para a balada “Dear someone”, composta pelo músico americano Cy Coben.

Aos 23 anos, Paulo Sérgio já gozava de grande prestígio particularmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde já havia vencido os mais importantes concursos de calouros da época. Um ano antes, já participara do filme “Na Onda do Iê-Iê-Iê”, uma chanchada musical dirigida por Aurélio Teixeira e estrelada por alguns dos mais representativos ícones da Jovem Guarda. No entanto, somente com o lançamento do primeiro compacto, que continha as canções “Benzinho” e “Lagartinha”, Paulo Sérgio começava a sedimentar o seu sucesso radiofônico em âmbito nacional. Lançado pela “MP Gaetani”, um projeto experimental de gravadora idealizado pelo empresário Renato Gaetani, o compacto de estreia de Paulo Sérgio foi gravado no estúdio de propriedade do compositor e produtor musical Rossini Pinto.

A inclusão do rock n’ roll “Lagartinha” no “Lado B” do compacto foi uma imposição do próprio Rossini, coautor da faixa, como contrapartida ao seu propósito de ter “subsidiado” os custos de gravação. Sem contar com uma estratégia de divulgação relevante, “Benzinho” foi regularmente executada nas emissoras de rádio das principais capitais do país. Porém, nem de longe representou a sublimação de Paulo Sérgio ao patamar de novo ídolo da juventude brasileira. Tal posto seria alcançado pelo cantor poucos meses depois, com o lançamento de uma outra sugestiva canção.

Por meio do empresário Renato Gaetani, Carlos Roberto foi enfim apresentado a Paulo Sérgio. A priori, munido de um violão, manifestou a intenção de mostrar ao cantor algumas músicas que havia composto. Uma destas, concebida quando o compositor tinha apenas 16 anos, despertou de imediato o “feeling” musical de Paulo Sérgio. Sua letra revelava a profunda amargura de um certo compositor diante de uma desilusão amorosa. Contudo, a despeito de todo o sofrimento que carregava no íntimo, o compositor-personagem ainda encontrara forças para dedicar à amada uma última canção.

Arrebatado, Paulo Sérgio logo decidiu que aquela música (que muito sugestivamente trazia o título de “Última canção”) teria de ser registrada em disco, na medida em que se coadunava perfeitamente com a proposta musical que visava desenvolver. No período em que ainda se apresentava como calouro, o seu repertório básico era composto invariavelmente por canções que expressavam a dor e a angústia diante de uma decepção amorosa. Sendo assim, tinha, dentre os seus compositores prediletos, Evaldo Gouveia, Jair Amorim e Adelino Moreira, considerados “decanos” do estilo musical que se convencionou designar de “dor de cotovelo”.

No início de 1968, Paulo Sérgio lançava o seu segundo compacto, o qual trazia as faixas “Última canção” (Lado A) e “Sorri, meu bem” (Lado B). Alavancado pelo sucesso meteórico da balada composta por Carlos Roberto, o ‘single’ atingiu a importante vendagem de 60 mil cópias em apenas três semanas, bastante superlativa para os padrões da época. Ademais, alçou o seu intérprete à condição de ídolo nacional. Sucesso que se refletia por meio das inúmeras capas e matérias de revistas que apontavam Paulo Sérgio como a maior revelação da música romântica nos últimos tempos.

Porém, a semelhança do seu timbre vocal com o do cantor Roberto Carlos (que até então se mantivera confortavelmente na posição de maior vendedor de discos do país e de ídolo máximo da música brasileira) tornou-se um combustível fértil para que os críticos o tachassem de “imitador” e questionassem a autenticidade da sua proposta musical. Em meio ao polêmico debate formado em torno desta acusação, o apresentador Chacrinha encampou a defesa de Paulo Sérgio, inflamando ainda mais a contenda ao sugerir a derrocada artística de Roberto Carlos. Por seu turno, o apresentador Sílvio Santos relativizou o fato, sustentando que, para a almejada renovação da música popular, seria benéfico o surgimento de novos valores, ainda que, a princípio, estes artistas estreantes buscassem como referência a obra dos seus antecessores.

Indiferente ao debate alimentado pela mídia, que parecia não encontrar eco junto à opinião pública, os fãs aguardavam ansiosamente o lançamento do primeiro LP de Paulo Sérgio. Distribuído pela gravadora Caravelle (surgida a partir da etiqueta MP Gaetani, da qual Paulo Sérgio passara a constituir uma participação societária), o álbum “Paulo Sérgio – Volume 01” (1968), além do incontestável sucesso “Última canção”, emplacou uma coleção de grandes hits: “No dia em que parti”, “Para o diabo os conselhos de vocês”, “Sorri, meu bem”, “Quando a saudade apertar” e “Não me trate como um cão”. Vale salientar que, numa enquete realizada pela “Revista de Domingo” (suplemento do “Jornal do Brasil”, do Rio de Janeiro-RJ) no ano de 2005, com vistas a se averiguar os 10 discos mais importantes da história da música brasileira, particularmente quanto ao critério de faixas que obtiveram reconhecido sucesso radiofônico, independente da época ou do estilo musical, o primeiro LP de Paulo Sérgio auferiu a honrosa 4ª posição. Ainda no ano de 1968, Paulo Sérgio lançaria o seu segundo LP (“Volume 02”), outro grande sucesso de vendas.

Em contraponto, ciente do desafio que o surgimento do novo fenômeno da música jovem lhe representava, a gravadora CBS lançaria em seguida o álbum “O Inimitável”, um disco inspirado onde Roberto Carlos abandonava as referências “jovemguardistas” e flertava com o soul e o funk norte-americanos. Todavia, a importância histórica de “O Inimitável”, álbum que veio delinear uma fase de transição na carreira musical de Roberto Carlos, parece ter sido maculada em virtude da infeliz escolha do seu título, uma mal engendrada estratégia de marketing sugerida pelos executivos da gravadora, com o intuito de salvaguardar comercialmente o seu mais importante artista. Contudo, apesar das comparações e do clima de antagonismo criado pela imprensa, Paulo Sérgio e Roberto Carlos construíram ao longo dos anos trajetórias díspares e bem definidas.

Além do prestígio, do reconhecimento e do progresso material, o sucesso de “Última canção” selou uma amizade fraternal entre Paulo Sérgio e Carlos Roberto, que se estenderia até a prematura morte do cantor. Em contrapartida, foi responsável pelo surgimento de uma profícua parceria musical, responsável por alguns dos grandes clássicos do cancioneiro popular. Embora continuasse a residir em Governador Valadares-MG, Carlos Roberto (ou “Carlinhos”, conforme Paulo Sérgio carinhosamente o chamava) visitava o cantor com frequência, que no início dos anos 70 já havia se radicado em São Paulo-SP.

Nessas oportunidades, hospedava-se na própria residência de Paulo Sérgio, muitas vezes lá permanecendo por várias semanas. “Arranhando” os violões e testando acordes por horas a fio, construíam melodias e letras que aos poucos iam se transformando em canções de inegável apelo popular, mais tarde imortalizadas pela interpretação marcante do cantor. No entanto, este processo não era conduzido de forma sistematizada, de modo que as músicas fossem concebidas a partir de uma estrutura lógica. Ainda que os temas das canções produzidas pela dupla denotassem um certo caráter confessional, como se por meio destas visassem exteriorizar as “agruras” cotidianas que vivenciavam, os autores quase sempre inspiravam-se em meras alegorias de essência impessoal, mas que poderiam assumir uma natureza crível. Por este motivo, tocavam profundamente na sensibilidade do público, embora não se rendessem a concessões ou usassem o retorno comercial como parâmetro.

A partir de 1974, Carlos Roberto e Paulo Sérgio passariam a assinar os créditos de algumas canções com os respectivos pseudônimos de Gil Carla e Rafa. Período este em que a parceria musical demonstrou-se ainda mais produtiva, sendo responsável pela grande maioria das canções registradas nos discos posteriores. Dentre outros grandes sucessos concebidos pela dupla, destacam-se “Minhas qualidades, meus defeitos”, “Quero ver você feliz”, “Eu te amo, eu te venero” e “Você pode me perder”. Porém, “Última canção” marcou indelevelmente a breve trajetória musical de Paulo Sérgio. Interpretando-a, ele costumava se despedir do público em suas apresentações.

No momento em que Paulo Sérgio era sepultado, milhares de pessoas presentes no ‘Cemitério do Caju’ homenagearam este grande ídolo entoando sua inesquecível “Última canção”.

Extraído de http://www.paulosergiodemacedo.com

 

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A última canção
Assustado, olhei para um lado e para o outro e me perguntei: quem ainda compra discos?
por Alberto Villas — publicado 29/08/2013

Será que alguém sabe quem é Paulo Sergio, aquele cantor da última canção?

Segunda-feira, onze horas da manhã. Entrei na Fnac de Pinheiros e desci bem devagar pela escada rolante pra ir direto na seção de discos. Quando coloquei os pés no chão do subsolo percebi que uma música estava tocando, bem baixinho. Era Maria Gadu.

Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Olhei para os lados e não vi uma viva alma. Vi sim, um vendedor com os olhos grudados na tela do computador, bem lá no fundo. Passei por camisetas, miniaturas de automóveis, games, personagens de histórias em quadrinhos e seriados de televisão até chegar onde estavam os discos, os CDs.

Primeiro dei uma olhada na prateleira de novidades. Vi que lá estava a cantora sertaneja Paula Fernandes, o Marcelo Camelo ao vivo no Theatro São Pedro, o Caetano mandando aquele abraçaço e a Ângela Rô Rô coitadinha, bem feito. Tinha mais gente. O Martinho da Vila 4.5, três tons de Fafá de Belém, a Ana Carolina e a Maria Gadu que insistia em cantar baixinho.

Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Fiquei assustado de me sentir sozinho ali naquele espaço andando feito um zumbi, observando prateleiras de A a Z. Comecei por Alceu Valença, passei por Bebel Gilberto, fui pra Cartola, cheguei a Djavan, depois pro E de Edu, de Elis, de Eliete Negreiros. Acelerei e cai no J de Jorge Benjor, Jorge Mautner, Jorge Vercillo e fui parar no M de Maria Bethânia, Malu Magalhães, Marina Lima… até chegar no Z de Zélia Ducan, Zé Ramalho, Zizi Possi e Zé Keti.

O silêncio se instalou naquele subsolo e eu continuei olhando as prateleiras, me lembrando de tantas canções da minha vida. Desde ‘Onde eu nasci passa um rio’ que está no disco que Caetano dividiu com Gal, o primeiro que comprei com o meu salário de escrevente datilógrafo do Ministério da Agricultura, ali na Lojas Gomes da Avenida Afonso Pena, Belo Horizonte.

Lembrei da bossa nova que um dia dancei de rostinho colado com Suzana, da tropicália que cantarolava nas viagens a Ouro Preto quando caminhava contra o vento, sem lenço e sem documento no sol de quase dezembro. Passei pelo iê-iê-iê do rei me lembrando das curvas das estrada de Santos, tempo em que eu era terrível e queria que tudo mais fosse pro inferno. Cheguei ao rock dos Titãs, do Capital, da Plebe, da Legião.

Quem me dera ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro que entreguei a quem
Conseguiu me convencer que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha

Deixei os discos de lado e fui ver a miniaturas. Tinha um Kombi vermelha e branca maravilhosa dos meus tempos de ‘easy rider’. O bonecos bem guardados na vitrine de vidro me olhavam assustados, dragões e seres que pareciam do outro mundo. O simpático boneco Tocoyo também estava lá no cantinho, quietinho quietinho me espiando meio enviesado.

Passei pelos dvds, pensei em comprar ‘Meia Noite em Paris’, quem sabe o ‘Doutor Jivago’, um clássico que assisti ainda jovem no ‘Cine Pathé’ mas acabei escolhendo ‘O Filho do Holocausto’ do meu amigo Pedro Bial. Voltei aos discos. Agora uma outra música rolava naquele ambiente frio e vazio.

O canto vinha de longe
Lá do meio do mar
Não era canto de gente
Bonito de admirar

Eram os irmãos Caymmi.

Sozinho ali, tive então a impressão de que a música está morrendo, uma sensação ruim de que ela vai um dia acabar para sempre.

Talvez pessimismo bobo esse meu. Uma música veio então à minha cabeça, uma canção daquele cantor que imitava Roberto Carlos lá no início dos anos 70 e que eu ouvia muito no rádio ‘GE’ da minha casa.

Esta é a última canção que eu faço pra você
Já cansei de viver iludido só pensando em você
Se amanhã você me encontrar
De braços dados com outro alguém
Faça de conta
Que pra você não sou ninguém

Fui na letra P só pra xeretar se ainda existem discos de Paulo Sergio pra vender. Encontrei Paulo Ricardo, Paulo Diniz, Paulo Vanzolini, Paulinho da Viola. Mas Paulo Sergio não tinha, está fora de catálogo há muitos anos, me informou o vendedor que consultou o computador. Subi a escada olhando para aquele vazio lá embaixo, ganhei a calçada e fui caminhando pelo bairro pensando comigo mesmo. Será que alguém sabe quem é Paulo Sergio, aquele cantor da última canção?

Extraído de http://www.cartacapital.com.br

Tags: canção / Paulo / Roberto / última /
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