A voz do violão

Francisco Alves & Horácio Campos

Em julho de 28, a Companhia Trololó, de Jardel Jercolis, estreou no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, a revista “Não é isso que eu procuro”. Muito ruim, a peça saiu logo de cartaz, deixando, porém, uma canção, “A voz do violão”, da maior importância no repertório de seu criador, Francisco Alves. Esta composição nasceu quase por acaso, a partir de uns versos de Horácio Campos, libretista da peça, que chegaram ao conhecimento de Chico através de Jardel.

Entusiasmado com o poema, o cantor pegou o violão e só sossegou quando dias depois aprontou a melodia, por sinal muito boa.

Aliás, em que pese o fato de ter comprado sambas no início da carreira, Francisco Alves deixou algumas boas canções realmente de sua autoria. “A voz do violão” foi gravada comercialmente por Alves quatro vezes: a primeira na Parlophon, em 1928 (ouça adiante!), e as três seguintes na Odeon, sendo a última em 1951. Há ainda uma quinta gravação, realizada num programa da Rádio Nacional que foi editada em disco pela empresa Collector’s.

Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br/

Francisco Alves(1928)

 

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Os musicólogos, quando falam sobre a origem do violão, citam duas hipóteses prováveis. Uma delas é a de que o violão tenha sido derivado do alaúde. A outra, é que o instrumento teria sofrido diversas transformações e adaptações a partir da denominada kethara grega, que foi a precursora da cítara romana.

Ao longo dos tempos, os poetas e compositores brasileiros, com bastante frequência, enaltecem este – que mais do que um instrumento musical, assume o papel, conforme Francisco Alves em parceria com Horácio Campos, de “companheiro inseparável”, em “A voz do violão”:

“Eu tenho um companheiro inseparável
Na voz do meu plangente violão…”

No Brasil, o violão encontrou ambiente favorável para desenvolver-se. Embora considerado “instrumento de malandro” no início do século vinte, sua popularidade cresceu de tal maneira que hoje não se fala no violão sem citar violonistas brasileiros, tanto no gênero erudito quanto no gênero popular.

Extraido de Omar Jubran em http://www.jornalmovimento.com.br/

 

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Rolando Boldrin recebe o cantor Lula Barbosa (São Paulo – SP), acompanhado do violonista Laércio Ilhabela (Nova Europa – SP) que interpretam “A voz do violão” (Francisco Alves / Horácio Campos)

 

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Lançada na revista ‘Não é isso que eu procuro’, que teve sua estreia em 20-07-1928, foi a terceira gravação deste clássico do repertório de Francisco Alves. Horácio Campos entregou a letra a Chico, que só concluiu a melodia ás vésperas da estreia da peça.

Chico gravaria 4 vezes comercialmente esta que se tornou uma de suas marcas registradas em suas apresentações. A primeira em 1929, na Parlophon, e as três seguintes na Odeon nos anos de 1929, 1939 e a última em 1951. Há uma quinta gravação radiofônica lançada pela ‘Collectors’. Horácio teria reclamado participação nos direitos autorais à Francisco Alves, que por sua vez decidiu dividir os lucros com Horácio. Porém há uma outra história contada por Gilberto Alves no Programa ‘Ensaio’ da TV Cultura de que o sambista Brancura do Estácio, em visita a Chico no teatro, teria feito a segunda parte desta famosa canção e entregue a Chico. Histórias assim são muitas no folclore da música popular brasileira. Enfim, todos nós ganhamos com isso!

A Voz do Violão, disco Odeon 11754, matriz 6150 gravada em 6-07-1939, lançada em agosto do mesmo ano. 

Percam o fôlego ouvindo o Rei da Voz e sua Voz do Violão!

Adilson Santos 
Arquivo Confraria do Chiado

 

 

Tags: Alves / Boldrin / Habeas / Horácio / Ilhabela / Lula / Pinho / violao / Voz /
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