Admirável gado novo

Zé Ramalho

“Admirável gado novo” é uma canção do cantor e violonista brasileiro Zé Ramalho, parte de seu segundo álbum solo ‘Zé Ramalho 2′ (ouça adiante!). A canção cita algumas ideias contidas nos livros ‘Admirável mundo novo’, a obra mais famosa do escritor britânico Aldous Huxley, e ‘1984’, de George Orwell.

Em 1996, a música fez parte da trilha sonora da novela ‘O Rei do gado’, como tema do núcleo dos Sem-terra.

Extraído de https://pt.wikipedia.org

Ze Ramalho & Coro(1979)

 

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“Admirável gado novo” foi escrita na terceira pessoa, ou seja, é um narrador onisciente e objetivo quanto aos fatos relatados. Não é influenciado pelas próprias emoções, até porque ele mesmo não faz parte da narração.

O título da música é notadamente uma referência ao livro “Admirável mundo novo” do escritor Audous Huxley. Neste best-seller o escritor defende a ideia de que a sociedade do futuro suprimirá valores como o família, religião, privacidade, dúvida, amor, insatisfação, e todos os momentos da vida de seus cidadãos serão expressamente controlados pelo Estado, como cultura, entretenimento, trabalho, relações sociais. Quando alguns desses valores passam a não fazer mais sentido para alguém, então é a hora desse alguém tomar a “soma” – um comprimido que anestesia e elimina qualquer sintoma de insatisfação – basicamente um droga.

Fazendo um paralelo entre o livro e a música vemos alguns elementos em comum. Ambos possuem sociedades estruturadas em uma ordem rígida e de certa maneira opressora. Enquanto uma suprime valores como privacidade a outra trata seus cidadãos com “vida de gado”.

Podemos notar também a intenção e compromisso de ambos os Estados em manter a ordem instaurada. O do livro se utiliza de uma droga, a “soma”, enquanto o outro de promessas que nunca são cumpridas – “Vocês que fazem parte dessa massa que passa nos projetos do futuro”.

Entenda “projetos do futuro” como uma promessa de que “dias melhores virão”. Se hoje você esta insatisfeito e infeliz com a vida e com o sistema, deve manter a calma, pois o sistema está trabalhando para no futuro inverter este quadro e tornar a sua vida melhor.

Tenha paciência. Nessa história a opressão do sistema se mantém irretocável.

Extraído de http://www.eternasmusicas.com/

 

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Trecho extraído da “Mensagem da música ‘Adorável gado novo': contribuição do Direito para as pessoas humanas que levam uma “vida de gado”, em total desrespeito aos Direitos da Personalidade.

Ivan Aparecido Ruiz e Pedro Faraco Neto

Resumo: Na década de 70, o cantor e compositor brasileiro Zé Ramalho compôs a canção “Admirável gado novo”. Tal música, sucesso absoluto, traz em sua letra uma mensagem de como se encontrava a condição dos seres humanos a época da sua composição, sendo que esta música ainda pode ser considerada atual, pois o seu recado se aplica aos dias de hoje. Interpretando as estrofes e parágrafos da canção constata-se a propositura das seguintes abordagens: a) clara referência ao livro ‘Admirável mundo novo'; b) denuncismo sobre a massificação da sociedade, que leva os seres humanos a levarem uma “vida de gado”; c) presença de conceitos Marxistas como a alienação, a “mais-valia” e a divisão social do trabalho que culmina com a luta de classes; d) clara referência ao filme ‘ Tempos Modernos’, cuja mensagem transforma o homem em uma máquina, ou pelo menos em parte dela.

Procedida a uma pesquisa bibliográfica, verificou-se que as mensagens transmitidas por Zé Ramalho tem embasamento doutrinário que ratificam a condição massificada da sociedade e responsabilizam o sistema capitalista por esta situação. Ocorre que existem na doutrina posicionamentos que impõe também ao Direito Positivado parcela de culpa pela triste condição da sociedade. É que as leis são feitas pelos legisladores, que são eleitos em campanhas políticas milionárias financiadas pelo capital neoliberal. Sendo assim, só resta crer que a propositura de tais leis visa atender os interesses daqueles que investiram financeiramente em campanhas. O ativismo judicial feito pela Suprema Corte também é questionado pelo modo político de indicação dos Ministros, que certamente atuarão em defesa de quem os indicou. Por fim, encontra-se um denominador comum da interpretação da canção e da pesquisa doutrinária: A atual “vida de gado”, levada pelos seres humanos com a contribuição do Direito, desconfigura os seres humanos e seus Direitos mais ínsitos que são os Direitos de sua Personalidade, em especial a sua liberdade.

 

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Admirável Gado Novo ~ Análise Musical
Em 06/02/2012

Vale lembrar que esta letra remete muito a obra de Aldous Huxley, o ‘Admirável mundo novo’, na qual eu já comentei aqui neste site. Mas por que chamamos de gado novo, ao invés de mundo novo? Pode ser um gesto criativo do compositor, mas podemos interpretar que não é um simples gesto criativo do compositor, pois existe uma verdade atrás da palavra “gado”. Quem leu a obra de Huxley, pode ver claramente que as pessoas altamente civilizadas, na flor de 600 anos depois de Ford (provavelmente no ano de 2463 depois de Cristo, contados a partir da data de nascimento do Henry Ford), na verdade, vivem como gados. O gado, não tem pensamento, nem ideologia, nem mesmo o senso crítico. Ele apenas segue as ordens do peão, do fazendeiro, sem nenhum questionamento.

Mas sabemos muito bem que muitos acontecimentos citados neste livro já ocorre no nosso presente, como eu mesmo disse também neste blog. E isso podemos ver claramente, através de manipulações midiáticas, mensagens subliminares em meios de comunicação. O que mais vemos em nossa sociedade, são pessoas que são manipuladas o tempo todo por estes meios e que ninguém percebe isso. É como se todos estivessem adormecidos em pleno sonho, como se fosse o tal soma, dito frequentemente na história. Vemos pessoas que dão muito mais importância ao que acontece nos reality shows, sobre qual a cor da calcinha daquela modelo, ou se a tal jovem está do Canadá, ao invés de cobrar pelo que mais interessa, que é cobrar dos políticos, a melhoria pela saúde e educação pela melhoria dos hospitais públicos e também pela infraestrutura. Chega a ser risível sermos um dos países mais ricos do mundo e ainda vermos tanta gente miserável que nem tem o que comer. E o pior de tudo: são marionetes da mídia e dos políticos corruptos que se aproveitam deles. É a famosa política do pão e do circo. Logo, o Zé Ramalho usou muito bem o termo gado, para designar os fatos na sociedade Huxeliana, digo, a nossa sociedade.

Na primeira estrofe, vemos com clareza a dificuldade do povo brasileiro, que dá muito mais que recebe. O povo que passa até 5 meses trabalhando, apenas pra pagar impostos. E estes impostos não são bem aplicados da maneira que devem ser aplicados. Geralmente são pagos pra pagar as mordomias dos parlamentares, juízes, ministros e outros cargos de primeiro escalão, para custear eventos, que pouco vão beneficiar a população. Enquanto isso, a população, especialmente os que dependem do ‘bolsa-família’ [1], vivem na miséria e não são correspondidos da maneira que merecem ser correspondido. Logo, nesta mesma estrofe, vemos que é preciso ter coragem de sair das amarras da mídia, que nos controla e nos manipula, e vermos e denunciarmos a tal engrenagem que está enferrujado pela corrupção ativa e pela violência contra a população. Fala-se muito do estupro em reality shows, mas não se fala que o Estado estupra a população há anos, e ainda são poucos que demonstram coragem em enfrentar esse sujo sistema.

Na segunda estrofe (não o refrão), vemos claramente a manifestação da Ditadura do Politicamente Correto (a vigilância cuida do normal), em meio a um clima confortável e sereno que demonstra lá fora. Na verdade, este tempo confortável é uma mera ilusão, pois ignoramos o que ocorre por debaixo do tapete, atrás dos móveis. Estamos em uma mansão suntuosa e vistosa cheia de ratos e outras pragas. Os automóveis ouvem a notícia e os homens a publicam no jornal, o que seria na verdade, a manipulação midiática mais uma vez presente nesta música, especialmente nesta estrofe, onde as pessoas dão muita importância ao que a mídia mostra. Mas isso pouco acrescenta para população, que se preocupa mais em saber a cor da calcinha da modelo ou se um participante de um reality show sofreu estupro, enquanto vemos pessoas sendo jogados no chão dos corredores dos hospitais, como bichos. Então correm através das madrugadas, quando as pessoas estão em coma, adormecidas pelo controle da mídia. É muito fácil e mais atraente a notícia de degradação humana. Histórias de desastres e fatalidades são muito mais atraentes que histórias de coragem e superação. A respeito da velhice, citada na música, é que ela sempre diz a mesma coisa, que é violência e escândalos, o que não é nenhuma novidade nos noticiários, ou seja o que sobra, ou seja, o que pode beneficiar toda a massa, é apenas uma sobra.

Na terceira estrofe, vemos a esperança. Parecia que o Zé Ramalho previa os movimentos saídos a partir das redes sociais, o ativismo de sofá, que querendo ou não está mudando o mundo, bem como a ação de grupo de hackers ativistas, que lutam pelo mundo melhor. Vemos que as pessoas estão abrindo seus olhos, fugindo da ignorância, ainda que vivem perto dela. Os ignorantes, isso mesmo, aqueles bonecos manipulados, pela mídia, que ficam atacando as pessoas que se livraram das garras da mídia e denunciam incessantemente a corrupção, mostrando que não vivemos no país das maravilhas.

Vemos esses guerreiros que sonham com a vida melhor, abrindo as mentes das pessoas, de ver o mundo acabar. Mas que mundo? O mundo de 2012? Não. O mundo sujo e corrupto que o povo está cansado de viver, para um mundo mais justo e iluminado. Mas observemos que estes guerreiros estão presos, presos em uma sociedade hipócrita, em que são julgados por cada palavra dita, cada frase postada, pelos agentes do politicamente correto. Logo, eles vivem em uma prisão sem muros da sociedade do vigiar e punir.

Daí vem a figura da arca de Noé e do dirigível, que não podem voar e nem flutuar. Seria uma perda de esperança do autor? Não exatamente. Os guerreiros, no entanto, não podem lutar sozinhos. Eles precisam ser muitos, para podermos derrubar quem as oprime. A esperança está muito além do que podemos crer e entender. É o que podemos demonstrar o quanto vale a fé no nosso futuro. Por fim, o emblemático refrão, onde vemos o povo marcado, mas feliz. Mas é uma felicidade falsa, pois todos estão sendo consumidos pelo soma, sendo manipulados o tempo todo pela mídia. Vemos pessoas, que preferem admirar a desgraça alheia e a degradação do seu próximo, ao invés de fazer o seu próximo crescer.

[1] Não sou contra o bolsa-família, pelo contrário, eu apoio bastante, pois o mesmo foi o fator importante para o crescimento do país, durante o governo Lula, embora possa ser interpretado também como um voto de cabresto. Mas sobre o que disse no texto sobre o assunto, continuo mantendo a mesma opinião hoje e que não mudei a respeito disso.

Extraído de http://www.baudovalentim.net

Tags: admiravel / gado / novo / Ramalho /
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