Aos nossos filhos

Ivan Lins & Vitor Martins

Este é um dos melhores e mais conhecidos trabalhos da parceria Ivan Lins – Vítor Martins. Interpretada pelo próprio Ivan, com arranjo e regência de Gilson Peranzetta, é faixa de encerramento e um dos sucessos do álbum “Nos dias de hoje”, lançado pela EMI em julho de 1978 (ouça adiante!). A composição tem vários outros registros (confira em ‘O tempo não apagou’), como os de Elis Regina, Fafá de Belém, Ângela Rô Rô, Jane Duboc, Pedro Mariano e do padre Antônio Maria. E o próprio Ivan Lins a regravaria em outras oportunidades. Direitos fonográficos reservados à Universal Music Ltda. ISRC: BREMI-7800163. 1978 – EMI 31C-064-422808-B5 – Ivan Lins – Aos nossos filhos

Extraído de Samuel Machado Filho

Ivan Lins & Gilson Peranzetta e Orquestra(1978)

 

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“A canção contada” por Ivan Lins no programa ‘Por acaso’, que foi ao ar em 1995.

 

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Aos nossos filhos” – artigo de Rosely Lira

Publicado em julho 8, 2012 por pergaminho cientifico

Em janeiro de 2012 a morte de Elis Regina completou 30 anos. Eu tinha 14 anos, mas lembro muito bem da comoção nacional e da perda que representou para a música brasileira que, a cada ano, foi empobrecendo em termos de intérpretes e de letras marcantes que nos tocavam de uma maneira singular. Elis Regina era especialista em emocionar a todos que a assistiam, mesmo cantando com os olhos fechados, como se estivesse num diálogo interno e sem absolutamente nenhuma testemunha das suas autodescobertas, angústias, dúvidas e inquietações.

Trinta anos… O tempo passa mesmo voando ou a gente é que não se dá conta de que o tempo passa tão rápido? Muitas vezes nem o nosso próprio espelho denuncia essa velocidade e as marcas que vão se formando no nosso rosto e corpo. É preciso que alguém de fora nos alerte sobre como estamos gordas demais ou magras demais; com os cabelos grisalhos demais ou até como a nossa expressão de cansaço ou de tristeza se faz tão marcante, tomando o espaço do riso aberto da juventude, isento de maiores preocupações. Parece que quem está fora continua buscando na gente aquela leveza e os traços simples e livres e até parece que é um ato de crueldade, já que desconhecem ou minimizam o quanto caminhamos e que os obstáculos que enfrentamos e vencemos deixou marcas tão profundas que muitas vezes extrapolaram os sentidos e se manifestaram através das rugas, da introspecção ou do olhar desconfiado e triste. Envelhecer e amadurecer é carregar uma vida toda de erros e acertos e isso pesa.

Hoje ouvi, depois de muitos anos, a música, na voz de Elis Regina, “Aos nossos filhos” (letra de Ivan Lins e Vitor Martins)(confira em ‘O tempo não apagou’) e mais uma vez me emocionei com a interpretação fantástica e com a letra profunda. Quando Elis gravou essa música ainda tinha os filhos bem pequenos e parecia que estava pedindo um perdão adiantado pelas suas falhas ou oferecendo uma explicação sobre a sua incapacidade momentânea de ser ou de fazer diferente. Elis tentou e fez diferente, mas sucumbiu às suas fraquezas, mas nós estamos vivos. Pois é: estamos vivos… A letra é de dois homens, mas só posso falar do papel de mãe e seria uma arrogante se tentasse emitir alguma opinião sobre como eu seria se fosse homem e pai. Talvez a interpretação masculina da letra até seja diferente da minha. Talvez a genialidade de Elis faça, por mim, essa leitura sob a ótica feminina.

Ser mãe, para mim, é uma tarefa que começa exatamente no dia em que sabemos da gravidez e que não termina nunca. Acho até que nem termina quando o filho se vai antes da gente. Se é um compromisso diário e eterno, não tem manual nem como colocar os filhos dentro de um armário até amadurecermos ou termos melhores condições financeiras, como é que vamos escolher se vamos errar ou acertar? Se não existe uma receita não pode ser justo que as pessoas se sintam no direito de nos fazer cobranças, pois insisto que só é possível dar o que temos hoje, a quem quer que seja, mas principalmente aos nossos filhos. Não adianta para nós, como filhos, cobrarmos dos nossos pais ações diferentes ou de qualquer outro pai ou mãe.

Acho que essa é a mensagem da música: “Perdoem… Os dias eram assim.” As pessoas reagem diferentemente em cada momento e essa relação entre pais e filhos talvez seja o melhor exercício para a compreensão e para o perdão que possa existir. Os pais estão sempre a pedir perdão aos filhos, como se eles nunca deixassem de ser crianças. Os pais sempre julgam que poderiam ter feito o melhor, como se a eles coubesse o dom da perfeição. Aos filhos, parece que sempre cabe o dom do julgamento e da cobrança.

A segunda parte da música expressa, para mim, toda a esperança de que os filhos possam nos redimir e que possam fazer diferente, depois de terem se libertado das falhas que viram que os pais cometeram e, que, por conta delas, tanto os julgaram. “Digam o gosto pra mim.” é o verdadeiro pedido de clemência naqueles momentos finais da vida, quando precisamos ouvir que tudo valeu a pena e que os nossos filhos superaram o que não conseguimos superar e que fizeram aquilo que tanto queríamos ter feito. Infelizmente, nem sempre acontece assim… Pais e filhos cometem erros iguais e diferentes. Nem sempre os filhos fazem melhor do que os pais fizeram. Nem sempre perdoam os seus pais e nem sempre são perdoados por seus filhos.

Digam o gosto pra mim.” é o que gostaria de dizer aos meus filhos momentos antes de fechar os olhos, como na cena final de um drama. Assim, encerraria meus dias como se tivesse saído de um filme, acreditando que tudo deu certo para os meus personagens preferidos. Sairia de cena com a sensação maravilhosa de ter escolhido o melhor filme para a minha vida.

Extraído de https://pergaminhocientifico.wordpress.com

 

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17 abril, 2017

Os dias eram assim! O triste é que, hoje, não há festa a fazer!

“Os Dias Eram Assim”.

É a nova série da Globo. Estreia nesta segunda-feira (17).

O título é um verso da canção “Aos nossos filhos”, de Ivan Lins e Vítor Martins.

Foi magistralmente gravada por Elis Regina (confira em ‘O tempo não apagou’).

Se pensarmos nos compositores que se posicionaram contra a ditadura (Chico Buarque, Gonzaguinha, João Bosco e Aldir Blanc, Ivan Lins e Vítor Martins, Milton Nascimento e seus parceiros) e escolhermos as canções engajadas que compuseram sobretudo ao longo da década de 1970, “Aos nossos filhos” é uma das mais fortes.

É uma canção de ninar. Nas três primeiras estrofes, a letra fala do presente (o momento em que foi escrita) como se ele já fosse passado. Perdoem por isso, perdoem por aquilo, os dias eram assim. Quem ouviu na época sabe o efeito que tinha!

As três últimas estrofes falam do futuro como se o autor (ou a intérprete) não fosse mais estar vivo. Quando ocorrer isso, quando ocorrer aquilo, façam a festa por mim.

A morte prematura de Elis Regina, intérprete definitiva da canção, acabou conferindo mais beleza e melancolia à letra de Vítor Martins.

Nos últimos tempos, sempre que ouço “Aos nossos filhos”, o “façam a festa por mim” cola nos meus ouvidos.

O verso vem sempre acompanhado por uma pergunta:

Que festa podemos fazer?

Extraído de http://blogs.jornaldaparaiba.com.br/silvioosias

 

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Elis, uma voz que nunca silencia

por Wilson H. Silva – Em 24/08/2012

“Aos nossos filhos”

A versão para a música de Ivan Lins e Vitor Martins foi gravada no final dos anos 1970, quando as greves do ABC anunciavam o fim do regime militar e a voz de Elis já havia se transformado no símbolo da luta pela Anistia (a “volta do irmão do Henfil”) e para que a justiça fosse feita para as “marias, clarisses” e tantos outros que tiveram seus companheiros, amigos e parentes mortos e “desaparecidos”.

Através de “Aos nossos filhos”, toda uma geração pedia “perdão” pela falta de abraços, escolhas e espaço; pelos perigos e sufocos impostos pela ditadura. E lançava para as futuras gerações a tarefa de soltarem as amarras, lavarem as mágoas e a alma, fazendo brotar as flores e colhendo os frutos semeados por aqueles que, como a própria Elis, se rebelaram contra os ataques à liberdade e tudo mais o que nos faz “humanos”.

Hoje, 30 anos depois da morte de Elis, quando vivemos num arremedo de democracia que, livre da tutela dos generais (que seguem livres e impunes, cabe lembrar), mas ainda a serviço dos poderosos, não é de se estranhar que sua voz continue viva e embalando a vida de milhões.

Assim como foi para “nossos pais” (e demais antecessores, sejam eles companheiros e amigos do passado) seu talento e repertório ainda pulsam como trilha para os desejos, as tristezas, os amores e revoltas de todos aqueles que sonham com um mundo tão belo quanto sua voz e repertório.

E temos certeza que, quando caírem “todos os reis”, Elis brilhará ainda mais, servindo como trilha para o momento em que possamos, finalmente, “lavar os olhos” e “fazer a festa” da qual, não há dúvidas, Elis adoraria participar e será sempre convidada.

Trecho extraído de http://www.pstu.org.br

Tags: filhos / Lins / martins / nossos / Peranzetta /
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