Beijo partido

Toninho Horta

Esta canção, meio enigmática, nasceu de uma decepção amorosa do mineiro Toninho Horta, um dos mais respeitados guitarristas brasileiros no país e no exterior. Composto em 1973, o tema permaneceria dois anos sem letra, até o dia em que o autor sentou-se ao piano e escreveu-a em poucos minutos: “Eu não gosto de quem me arruína em pedaços / e Deus é quem sabe de ti / e eu não mereço um beijo partido / hoje não passa de um dia perdido…

Então “Beijo partido” foi gravado por Nana Caymmi (ouça adiante!) e, logo depois, por Milton Nascimento no álbum ‘Minas’, com a participação instrumental (piano e violão) e vocal de Toninho (confira em “O tempo não apagaou’). Sua voz, ele esclarece, foi utilizada para reforçar a atmosfera de mistério na ambientação musical exigida pelo arranjo. “Beijo partido” tipifica o estilo do compositor, com sua linha melódica aparentemente simples e a harmonia sofisticada.

A frase “é quem sabe de ti”, em movimento melódico ascendente contrastando com a sutil harmonia descendente, ajuda a entender esse lado intrigante de sua obra, capaz de seduzir e mesmo influenciar músicos como o guitarrista de jazz Pat Metheny, um admirador declarado de Toninho (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br/

Nana Caymmi(1975)

 

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Nicolas Behr, poeta
sobre “Beijo partido”, de Toninho Horta

“Ouvia muito essa música. Adolescente, me impressionou muito este verso: ‘Onde estará a rainha que a lucidez escondeu?’. Eu pirei. Ficava pensando: ‘Como a lucidez esconde a rainha?’. Isso me mostrou a possibilidade de se inverter a ordem das coisas e subverter o trato da linguagem.”

Extraído de http://www.correiobraziliense.com.br

 

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As 30 mais geniais do ‘Clube da Esquina’, por Pablo Castro – 2a. parte

Em 05/12/2012

Lista do Clube, number nine: “Beijo partido”, de Toninho Horta.

Toninho fez letra e música dessa canção que talvez seja a sua mais standard, transformada em tema instrumental e incorporada ao repertório jazzístico no mundo inteiro, por méritos próprios, uma melodia arquetípica que, a partir de certos cromatismos e dolorosos saltos, amarra as improváveis e distintivas modulações que tanto caracterizam a obra do compositor belorizontino. De Mi menor para Fá Sustenido, e dali rapidamente para Ré Maior, voltando sublimemente para o tom original. Mais uma vez as peripécias melódico-harmônicas são ancoradas em formidável simplicidade formal, mas que se encadeia de tal forma que quando o tema volta, parece ser um desenvolvimento do seu próprio final, caráter cíclico que amarra ainda mais um A repetido seguido de um estribilho (dessa vez em Si Maior ! ): Onde estará a rainha que a lucidez escondeu, escondeu … , e por fim uma coda altamente propícia para improvisações, dois acordes dissonantes em movimento pendular… “Beijo partido” condensa todos esses elementos e foi uma música imediatamente gravada por Milton Nascimento, Nana Caymmi, e de lá pra cá deve ter amealhado dezenas de versões mundo afora (confira em ‘O tempo não apagou’), além das do próprio compositor. Não foi à toa ! :)

Extraído de http://massacriticampb.blogspot.com.br

Tags: beijo / Horta / Milton / Nana / partido /
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Luiz Quintanilha disse:

Esta música foi tema do filme da minha vida.