Borandá
“Borandá” (nome de uma canção de Edu Lobo) é também uma expressão nordestina que significa ‘embora andar’.
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Edu Lobo lançou, em dezembro de 1964, a música “Borandá”, canção de protesto, incluída no Show Opinião. Na realidade, essa canção tinha sido muito bem aceita nos círculos bossanovistas alguns meses anteriores à encenação da peça de Oduvaldo Vianna Filho, Paulo Pontes e Armando Costa.
Compositor de sólida formação e sensibilidade musicais, conviveu durante sua infância e adolescência com os gêneros da moda (samba-canção e, posteriormente, a bossa nova, na cidade do Rio de Janeiro) e com o frevo, a embolada, o bumba-meu-boi, cantigas infantis do Recife (por ocasião de suas férias escolares passadas com os seus familiares pernambucanos).
Simpatizantes das premissas culturais do CPC e da bossa nova, aproximou-se de artistas engajados ou não, como Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Sérgio Ricardo, Carlos Lyra, Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho, Ruy Guerra, Nara Leão, Wanda Sá.
Em “Borandá” (letra e música de Edu Lobo), canção com ambientação rural, o autor procurou desmistificar a religiosidade popular dos nordestinos, vista como um entrave ou obstáculo que contribuía para a não-conscientização do homem rústico em face dos reais problemas sociais. Aproximando-se das ideias estético-políticas esboçadas por Glauber Rocha em seu filme “Deus e o diabo na terra do sol”, Edu Lobo denuncia a miséria como um sintoma da seca e, paralelamente, procura desmistificar a religiosidade popular que impelia o sertanejo a assumir o papel de um ser errante, que se dirige para os grandes centros urbanos do litoral em busca de melhores condições de vida ou terras férteis em outras regiões do Nordeste. A temática dessa canção lembra problemas levantados por Graciliano Ramos em sua obra “Vidas secas”, e filmada por Nélson Pereira dos Santos em 1963-1964: “Deve ser que eu rezo baixo” e, ironicamente, o autor procura indicar uma resposta: “Pois meu Deus não ouve, não/ É melhor partir lembrando (Que ver tudo piorar)”. E, em seguida, Edu Lobo resume, em poucas linhas, o retrato sobre as condições de vida do retirante: “(…) Borandá, que a terra/ Já secou, borandá/ É borandá, que a chuva/ Não chegou, borandá”. E, sutilmente, denuncia a relação Igreja/ coronelismo e uma possível solução dos problemas sociais: “Já fiz mais de mil promessas/ Rezei tanta oração/ deve ser que eu rezo baixo/ Pois meu Deus não ouve, não/ Borandá, que a terra/ Já secou borandá/ É borandá, que a chuva/ Não chegou, borandá”. E, finalmente, sem nenhuma ilusão, o sertanejo procura outros lugares para fugir da seca: “Vou-me embora, vou chorando/ Vou-me lembrando de meu lugar/ Quanto mais eu vou pra longe/ Mais eu penso sem parar/ Que é melhor partir lembrando/ Que ver tudo piorar/ Borandá, borandá/ Vem borandá”.
Extraído de http://www.scielo.br/ escrito por Arnaldo Daraya Contier
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Com Edu Lobo e acompanhamento do Tamba Trio. Orquestração de Luís Eça. Registrado em dezembro de 1964 (ouça adiante!). “Borandá” ( conjunção de ’embora andar’) segue a mesma linha de “Chegança”: bossa-protesto com ambientação rural. O lançamento do LP em que “Borandá” surgiu pela primeira vez foi retido durante alguns meses pela gravadora, porque uma outra faixa, “Arrastão”, fora inscrita no “I Festival de Música Popular Brasileiro” da TV Excelsior – realizado em 1965, em São Paulo – e o regulamento exigia que as composições fossem inéditas.
Edu Lobo & Tamba Trio(1964)
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LA MÚSICA BRASILEÑA EN LA SALSA PUERTORRIQUEÑA
Outra canção que vale a pena mencionar aqui por causa de sua marca social é “Borandá”, de Edu Lobo. A partir do nordeste do Brasil, os compositores protestaram contra a pobreza e a dominância dos proprietários neo-feudal da região. Sua maior contribuição para a música de seu país foi o fato de infundir ritmo social à bossa nova, que incorporou elementos da música regional nordestina, influenciado por jazz e bossa nova.
O pianista porto-riquenho Enrique Lucas (mais conhecido como Papo Lucca), diretor e arranjador do som da Orquestra Ponce, transportou “Borandá” para o contexto da sua terra. No álbum “Energizado”, que veio à luz em 1979, Lucca alterou o padrão rítmico da composição de Edu Lobo e apresentou ao estilo particular de salsa, sem alterar a letra original. Você pode até mesmo ouvir as primeiras notas do hino nacional de Porto Rico intercaladas no início da canção (ouça adiante!).
Escrito por Alberto Martínez-Márquez, da Universidad de Puerto Rico en Aguadilla
Boranda (Edu Lobo & Papo Lucca) – Sonora La Poncena(1979)
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