Cajuína

Caetano Veloso

Em “Cajuina”, o magistral Caetano Veloso (1942), expressa a sua dor e reflexão, diante da morte do amigo e idealizador da Tropicália, o poeta piauiense Torquato Neto.

Torquato Neto, nacionalista, revolucionário, visionário que fez a cabeça dessa geração tropicalista, Chico, Caetano, Gil, e tantos outros. Depois, cai em solidão profunda. Aventura-se no cinema novo com Glauber Rocha e, após ver todos os seus amigos exilados, escreve um bilhete após ver a carnavalização em Holywood com Carmem Miranda,portuguesa, se passando por brasileira (tropicalista) com a cabeça cheia de frutas tropicais.

Escreve um bilhete, “morri porque caiu um abacaxi na cabeça do meu pau” e liga as torneiras de gás no Rio de Janeiro e comete suicídio.

O intelectual e ativista cultural, Torquato Neto, há muito não falava com Caetano. Caetano então vai a Teresina por ocasião do enterro de Torquato e faz a música. Existirmos… uma reflexão ”viver pra quê? a que se destina?…”

Segundo relato do próprio Caetano (ver vídeo relacionado em link abaixo) o pai do Torquato o recebeu em sua casa em Teresina e lhe ofereceu um copo de cajuína, bebida característica do local. Caetano chorava muito e o pai de Torquato o consolava. Em um determinado momento o pai se ausenta e retorna com um “rosa pequenina”. Caetano então refletindo sobre aquele momento ganha inspiração para compor.
Agradece a Torquato por ter lhe dado a rosa pequenina, (cultura) ou conhecimento. O poeta magro, como todos os tropicalistas da época ”apenas a matéria vida era tão fina”. Lembranças e reminiscências de um passado não muito distante que agora se avoluma com a morte do amigo. Caetano compara seu olhar cristalino e puro com a Cajuína, bebida original do Piauí que caracteriza-se por ser a “essência”, o ”supra-sumo” da pureza do caju. Um elemento nordestino, puro, resistente, cristalino que não se turva.

Extraído de http://museudacancao.blogspot.com.br/

 

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Caetano conta a história de Cajuína no “Altas Horas” e relembra Torquato. A história não é segredo, mas ainda são poucos os que sabem a verdadeira da música “Cajuína”, composição de Caetano Veloso. Instigado pelo apresentador Serginho Groisman, o cantor acabou contando como surgiu a letra da composição, uma das mais lindas de Caetano.

A letra foi escrita após a morte do poeta piauiense Torquato Neto. Caetano conta que rodava o Brasil em turnê, e ao passar por Teresina, algum tempo depois que Torquato tirou a própria vida, recebeu a visita do pai do poeta piauiense, Dr. Heli da Rocha.

“Torquato era muito meu amigo e parceiro, letrista do Tropicalismo. Estava até com Chico Buarque em Salvador, fazendo um show que virou disco, no dia da morte de Torquato. Ele também era muito amigo de Chico, ficaram muito próximos no período pré-Tropicalista. A gente ficou abalado, triste, mas eu não chorei no dia”, conta Caetano.

Ele relata ainda, que anos depois da morte de Torquato, ao ver o pai de Torquato, desabou em choro. “Ele me levou para a casa dele, onde estava sozinho. Torquato era filho único e a mulher dele (Dr. Heli), estava hospitalizada. A casa era cheia de fotografias de Torquato nas paredes. Ficamos os dois sozinhos, ele me consolando. Ele pegou na geladeira uma cajuína, botou em dois copos e não falamos nada. Ficamos os dois chorando. Ele foi no jardim, colheu uma rosa menina e me trouxe. E cada coisa que ele fazia eu chorava. Fui para outra cidade do Nordeste, e lá escrevi essa música”.

Veja, aqui no link, a entrevista:

http://gshow.globo.com/programas/altas-horas/videos/t/programa/v/caetano-veloso-conta-a-historia-da-musica-cajuina/3119899/

Torquato Neto, o “Anjo torto”, cometeu suicídio em 10 de novembro de 1972, aos seus recém completados 28 anos. Com torneiras propositalmente abertas, o poeta foi encontrado morto dentro do banheiro de casa, asfixiado pelo gás. Notícias de jornais da época relatavam, entre as últimas anotações de Torquato em um caderno espiral estavam as frases “Pra mim chega”, e “O amor é imperdoável”, de Caetano Veloso. A noite anterior à morte foi de festa, em comemoração pelo aniversário de Torquato. A casa, no Rio de Janeiro (RJ), estava repleta de amigos. E foi uma amiga que anunciou para a esposa do compositor, Ana Maria, sobre o que havia ocorrido naquela madrugada.

Extraído de http://180graus.com/

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Jurandi tavares dos santos disse:

Fiquei emocionado com esta descrição pois sempre admirei a bebida e a música e não sabia desse triângulo criador, Torquato/Caetano/Piauí, a música tem a leveza e a delícia da bebida, transcendental na voz de caetano

Fernando Amalio da Silva disse:

Sempre gostei muito dessa música de Caetano. Uma das mais lindas. Mas, não conhecia a sua origem. Agora, quando escutar essa música irei sempre lembrar dessa história. Uma preciosidade da humanidade.