Com a perna no mundo

Gonzaguinha

“Gonzaga” esclarece quem é a Dina da canção de Gonzaguinha

Mauricio Stycer

Em 10/11/2012 

A certa altura de “Gonzaga – De Pai para Filho”, quando toca a música “Com a perna no mundo”, de Gonzaguinha, fui capaz de compreender melhor uma música que sempre achei linda. Duas estrofes em especial ficaram mais claras:

O Dina
Teu menino desceu o São Carlos
Pegou um sonho e partiu
Pensava que era um guerreiro
Com terras e gente a conquistar
Havia um fogo em seus olhos
Um fogo de não se apagar

Diz lá pra Dina que eu volto
Que seu guri não fugiu
Só quis saber como é
Qual é
Perna no mundo sumiu 

Órfão de mãe, que morreu de tuberculose aos 22 anos, e com o pai ausente, Gonzaguinha foi criado no morro de São Carlos por um músico, Enrique Xavier, e sua mulher, Dina, amigos de Luiz Gonzaga. Viveu com eles parte da infância e da adolescência. Até o dia em que, já na faculdade, pega o violão, desce o São Carlos e vai morar com o pai.

Sabe-se pouco sobre este casal. Nesta esclarecedora reportagem de Natalia Engler, do UOL, a atriz Silvia Buarque conta que construiu a personagem a partir de alguns poucos fragmentos, entre os quais, justamente, a canção “Com a perna no mundo.

A história de Dina é apenas um detalhe em “Gonzaga – De Pai para Filho”, mas me chamou atenção especial. Gostei do filme de Breno Silveira, de um modo geral, apesar de alguns momentos piegas. A produção e a direção de arte impressionam. E a história entre pai e filho é, de fato, muito forte e comovente.

Extraído de http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/

 

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Com a perna no mundo

Em 27/09/2010

Por trás da expressão carrancuda, do semblante de poucos amigos e da barba que escondia-lhe a chance de um sorriso mais largo, havia um coração pronto a explodir do menino que desceu o São Carlos para colocar o dedo na ferida dos problemas sociais e afetivos de mulheres e homens. Filho do ‘Rei do Baião’, da dançarina Odaléia e da música brasileira que acolheu com tamanha propriedade, a cara de Gonzaguinha era a de um Brasil que não se entrega e não deixa de apontar as mazelas que atingem as suas pessoas. Com a camisa aberta e o peito à mostra ele escreveu através de suas músicas um retrato sensível, por vezes raivoso, outras vezes irônico, de sentimentos universais e em decadência. Era um grito de alerta, e ao mesmo tempo, de esperança.

Filho de vários pais e de várias mães, Gonzaguinha teve história parecida com a de muitos brasileiros. Nasceu no ventre da cantora e dançarina da noite Odaléia e foi registrado pelo expoente maior da música nordestina levando seu nome. Com a morte da mãe quando ele tinha dois anos, vítima de uma tuberculose, Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior foi entregue aos carinhos de dona Dina e seu Xavier, para que o pai pudesse cumprir sua vida de viajante. Luizinho, como passou a ser chamado no morro de São Carlos, no Rio de Janeiro, logo aprendeu a tocar violão com seu padrinho, a sacar as malícias das ruas, e a ter vontade de conhecer outras bandas. Essa epopeia comum a tantos brasileiros, Gonzaguinha cantou “Com a perna no mundo”, de 1979 (ouça adiante!), em que deixava um caloroso recado à madrinha querida: “Diz lá pra Dina que eu volto, que seu guri não fugiu, só quis saber como é, qual é, perna no mundo, sumiu…”

Extraído de http://aforcaqnuncaseca.blogspot.com.br/

Gonzaguinha & Djavan & Coro(1979)

 

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Com a Perna no Mundo (Gonzaguinha)

Em 25/07/2013

Luiz Gonzaga do Nascimento Junior teve um relacionamento muito conturbado com seu pai, mais conhecido como ‘Rei do Baião’, Luiz Gonzaga. Grande parte dos problemas enfrentados por pai e filho começou logo em seu nascimento, devido a dúvida que Luiz Gonzaga tinha referente a real paternidade de “Luizinho”, porém disposto a manter um casamento que era feliz, com sua primeira amada Odáleia, mãe de Gonzaguinha, decidiu então esquecer tal assunto e criar a criança como real representante dos Gonzagas. Entretanto uma tuberculose levou Odáleia ainda na infância do menino, deixando Luiz Gonzaga desnorteado por tal perda e ainda tendo que cumprir a agenda de shows que começava a crescer mais e mais. Sem rumo, Gonzaga optou por deixar Gonzaguinha ser criado por seus amigos, Dina e Xavier, que sem filhos, aceitaram cuidar do menino recebendo sempre um suporte financeiro de Gonzaga, tendo-o como real membro daquela família.

Assim Gonzaguinha cresceu, no Morro de São Carlos, ao lado de Dina e Xavier, a quem realmente considerava pais, entretanto a mágoa de ter sido abandonado percorria sua vida, principalmente após o segundo casamento do pai, que ligava-se Helena, sua assistente , que pouco aceitara a presença em casa, do menino que havia sido convidado a morar com o pai, o  fato de não poder engravidar fazia com que a estadia do garoto a incomodasse ainda mais,  não demorou muito para que Gonzaga caísse na estrada novamente e para que Helena aproveitasse tal ausência para mandar o garoto de volta a casa dos padrinhos.

Gonzaguinha então voltou a morar no morro, com ainda mais mágoa do pai, que aumentou ainda mais, quando este o internara num colégio interno, devido a problemas que o menino passara a ter com drogas, a estadia de Gonzaguinha no colégio Interno durou até o momento em que este adoecera no internato, sofrendo da mesma doença que matara sua mãe: Tuberculose. Gonzaga retirou o garoto do internato porém manteve-o morando com Xavier e Dina, porém agora com o convite de morar com o pai assim que se recuperasse.

Foi então que aos 16 anos Gonzaguinha decidiu aceitar o convite de morar com o pai, e estudar Economia, já que era um sonho de Gonzaga um filho graduado, ele queria não apenas estudar, mas também ser mais íntimo do pai, conhecer quem realmente seria o “Rei do Baião”. Esta época foi fundamental para a formação de Gonzaguinha, já que a escolha de ser mais amigo do pai tirava-o do lado de seus pais adotivos e de seu passado, conforme descrito na letra de “Com a perna no mundo” Onde descreve o primeiro período de sua vida, no Morro de São Carlos, ao lado de Dina e Xavier, e decide homenagear a mãe adotiva.

Esteve na casa do pai até os primeiros anos de faculdade, onde conheceu intelectuais que apontaram grandes injustiças sociais e onde pode entender o poder não democrático exercido pelos militares, com quem se rebelou. Gonzaguinha então decide usar seu dom, a música aprendida tanto com Xavier, que também era músico, quanto pelo seu pai, para denunciar os desmandos com a ditadura. Fato que não agradou ao pai, que também fora ex militar e um tanto simpatizante com o regime que atuava. Não demorou muito para que pai e filho discutissem por tais ideologias e Gonzaguinha rompesse realmente com o pai. Nesta época, Gonzaguinha continuou os estudos, trabalhando para o próprio sustento e edificou-se como compositor.

Foi durante o começo do sucesso de Gonzaguinha, que este decidira procurar o pai, e ambos conversaram e expuseram todas as mágoas sentidas, e veio enfim a conciliação, O que modificou radicalmente a obra do poeta, que nesta época Gonzaguinha não queria falar não apenas de amor, não apenas de injustiças, mas sentiu-se livre-se para desabafar histórias de sua vida, e se desmascarar, assim nasceu o álbum “Gonzaguinha da Vida”. Neste mesmo, 1981, gravou um dueto com o pai, de um grande sucesso do Gonzaga, “Vida de viajante”, nascendo posteriormente uma história turnê de pai e filho: ‘Vida de viajante’. Sem mágoas esteve livre para divulgar a canção “Com as pernas no mundo” e contar ao público um pouco de sua vida.

Luis Gonzaga faleceu em 1989, e Gonzaguinha viveu ainda um ano a mais para iniciar a construção do Museu que manteria viva as lembranças de seu pai em Exu, cidade natal de Gonzaga, morrendo num desastre automobilístico em 1990.

Extraído de http://cadamusicatemsuahistoria.blogspot.com.br/

Tags: Dina / Djavan / Gonzaga / Gonzaguinha / Mundo / perna /
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