De todas as maneiras

Chico Buarque

Em “De todas as maneiras” (1978) (veja e ouça adiante!), o sentimento de perda não evidencia o sofrimento presente nos poemas anteriores que têm por tema a dissolução da relação amorosa. Há, ao contrário, a constatação do desgaste e do esvaziamento da paixão, o que se evidencia pelos verbos no tempo pretérito e na repetição do advérbio “já”, indicando superação das ações, logo nos primeiros versos das duas estrofes.

Amor e sofrimento são cúmplices no primeiro momento, que corresponde aos quatro primeiros versos de cada estrofe, daí a antítese marcando esta fusão: “Com todas as palavras feitas pra humilhar/ Nos afagamos”.

O segundo momento, iniciado pelo advérbio “agora”, opõe-se ao primeiro, revelando através de metáforas que denunciam a ânsia de liberdade (“Larga a minha mão/ Solta as unhas do meu coração”), a ausência de qualquer sofrimento ou apego ao passado. Há, ao contrário, um anseio pelo novo tempo (“Tá lindo lá fora”) que se enfatiza pelo coração apressado que “desanda a bater desvairado quando entra o verão”.

“Sem fantasia – Masculino e feminino em Chico Buarque”, de Maria Helena Sansão Fontes – Editora Graphia, 1999

Chico Buarque em programa de TV(1978)

Maria Bethania(1978)

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