Desafinado

Tom Jobim & Newton Mendonça

Soando como a coisa mais estranha que aparecera até então na música brasileira, a primeira gravação de “Desafinado” (Odeon, 14426-b), lançada em fevereiro de 59, já mostrava tudo o que a bossa nova oferecia de inovador e revolucionário: o canto intimista, a letra sintética, despojada, o emprego de acordes alterados e, sobretudo, um extraordinário jogo rítmico entre o violão, a bateria e a voz do cantor.

Responsável por este jogo rítmico, seu interprete, João Gilberto, assumia assim de imediato um papel destacado no trio — completado pelo compositor Tom Jobim e o poeta Vinícius de Moraes que, criando a bossa nova, alteraria de forma irreversível o curso de nossa música popular. Apenas com Tom e Vinicius teríamos certamente uma música moderna, sofisticada, renovadora, mas que não seria o que se chamou bossa nova.

A melodia de “Desafinado” é bastante “torta” (“era mais ainda na concepção original, O João é que alterou alguma coisa na hora de gravar”, informa Tom Jobim) em razão principalmente de uma engenhosa alteração no quinto e sexto graus da escala na frase inicial (“Se você disser que eu desafino, amor”) que recai sobre as sílabas “de” (de “de-sa-fino”), “a” e “mor” (de “a-mor”).

Ao sustenizar a dominante e bemolizar a superdominante, foram produzidos intervalos melódicos inusitados para os padrões da música brasileira da época, a ponto de dificultar a interpretação de alguns cantores menos dotados. Localizando essa alteração sobre a palavra “desafino”, os autores criaram a impressão de que o cantor semitonava, ou seja desafinava, o que levou muita gente a achar João Gilberto um cantor desafinado. Ao mesmo tempo, a batida deslocada do violão e o contratempo da percussão confundiram os músicos, provocando estupefação geral.

Tanta novidade apresentada numa única composição a levaria inevitavelmente ao sucesso, que se estenderia ao exterior. Nos Estados Unidos, por exemplo, o single de “Desafinado”, com Stan Getz e Charlie Byrd, gravado em 1962, ultrapassou a marca de um milhão de cópias e recebeu o prêmio Grammy de melhor performance de jazz. O fonograma foi extraído do álbum Jazz samba, que permaneceu setenta semanas no hit-parade americano e também ultrapassou a marca de um milhão de cópias. Esta gravação é considerada o marco inicial da bossa nova nos Estados Unidos (confira em ‘O tempo não apagou’). (A Canção no Tempo – Vol.2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br

 

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Samba da parceria “Newtom” (Newton Mendonça e Tom Jobim), verdadeiro hino da bossa nova. É o bem-sucedido lado B do segundo 78 rpm de João Gilberto para a Odeon, n. 14426, gravado em 10 de novembro de 1958 e lançado em fevereiro de 59, matriz 13059 (ouça adiante!). Inúmeras vezes regravado, “Desafinado” logo tornou-se um clássico da MPB. Confira também a faixa que abre o 78, “Obalalá”. Ambas as música entrariam depois no histórico primeiro LP do artista baiano, “Chega de saudade”. Direitos fonográficos reservados a João Gilberto do Prado Pereira de Oliveira. ISRC: ES20I-5001811.

Extraído de Samuel Machado Filho

Joao Gilberto(1958)

 

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Desafinado é uma canção composta de bossa nova por Tom Jobim e Newton Mendonça lançada como um single por João Gilberto como em 1958 e incluída em seu álbum de estreia, Chega de Saudade, lançado em 1959. A canção é uma resposta à crítica da época, que considerava a bossa nova “música para cantores desafinados”. A canção foi posteriormente gravada por diversos artistas, incluindo Tom Jobim, Herb Alpert, Nara Leão (confira em ‘O tempo não apagou’), Ella Fitzgerald e Stan Getz que em 1963 ganhou o Grammy de Melhor Performance de Jazz por um Solista ou Grupo Pequeno pela canção. Duas adaptações da canção para a língua inglesa foram realizadas: “Slightly Out of Tune”, por Jon Hendricks e “Off Key”, por Gene Lees. A música aparece no seriado da Showtime, Dexter, em sua 8° temporada.

Extraído de https://pt.wikipedia.org

Tags: desafinado / Jobim / Mendonça João /
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