Dona da minha cabeça

Geraldo Azevedo & Fausto Nilo

“Dona da minha cabeça”

Em 15/06/2014

Geraldo Azevedo tem, no seu repertório, várias canções que podem ser consideradas do gênero romântico. “Dona da minha cabeça” é um xote composto em parceria com Fausto Nilo, que fez muito sucesso, não só na voz do próprio autor (ouça adiante!), mas também nas interpretações de Fagner (confira em ‘O tempo não apagou’) e Maria Creusa. O “eu lírico” fala do seu encantamento pela beleza da mulher por quem está apaixonado e que toma conta do seu pensamento.

“Dona da minha cabeça, ela vem como um carnaval/E toda paixão recomeça, ela é bonita, é demais”. Ele se declara deslumbrado, submetido integralmente à beleza daquela que conquistou seu coração. Afirma que ela é “a dona da sua cabeça”, não pensa em nada mais, a não ser nela. E ela vem, com a alegria contagiante de um carnaval, com o prazer e o entusiasmo de uma festa que se manifesta periodicamente. E a cada vez que vem ao seu encontro, reacende a chama da paixão.

“Não há um porto seguro, futuro também não há/Mas faz tanta diferença quando ela dança, dança”. Tem a convicção de que não há correspondência nesse amor. Não se ilude com a possibilidade de um romance duradouro, eterno, de futuro. É tudo um sonho de momentos.

Mas, independentemente disso, ela exerce sobre ele um fascínio incontrolável, principalmente quando a vê dançando, esbanjando charme e faceirice.

“Eu digo e ela não acredita, ela é bonita, é bonita demais/Eu digo e ela não acredita, ela é bonita demais”. Não se cansa de declarar seu enlevo, afirmando sempre o quanto fica maravilhado com a sua beleza. E parece que ela nunca acredita no que ele diz, ou finge não acreditar para não parecer seduzida.

“Dona da minha cabeça, quero tanto lhe ver chegar/Quero saciar minha sede, milhões de vezes, milhões de vezes”. Contenta-se com a oportunidade de vê-la, como se fosse um colírio para seus olhos. Isso basta para saciar seus desejos, o que lhe faz ficar ansioso, querendo vê-la chegar milhões de vezes.

“Na força dessa beleza é que sinto firmeza e paz/Por isso nunca desapareça/Nunca me esqueça/Eu não te esqueço jamais”. A linda imagem que a sua presença proporciona tem um poder mágico de esplendor. Ela lhe dá paz e firmeza. Então pede que ela nunca suma de sua vida, mesmo que venha ocasionalmente, porque ele nunca haverá de esquecê-la. E como gostaria que fosse um sentimento compartilhado.

Extraído de http://www.wscom.com.br

Geraldo Azevedo(1986)

 

X.X.X.X.X

 

Música e mensagem – Dona da minha cabeça

Francisco Muniz

publicado na revista Visão Espírita n. 20 – Março de 2000
Uma vez que o que “faz” nossa cabeça é verdadeiramente a consciência, podemos entender que a “dona da minha cabeça” de que fala a música de Geraldo Azevedo seja a conscientização a respeito de nós mesmos – e isto a Doutrina Espírita nos proporciona com grande excelência -, que surge quase sempre nos momentos de “carnaval”, isto é, quando atravessamos mais momentos de turbulência que de alegria.

É então que, imersos em dúvidas, incertezas e, por vezes, em terrores e pesadelos, somos levados a nos confrontar com algo superior a nossa vontade, a nossos conceitos, à simples ideia do que seja a realidade, porquanto já não aceitamos a situação de verdadeira morbidade em que nos encontramos, com as emoções em desalinho, condição própria do paroxismo das paixões.

Assim, pois, a conscientização representa o instante em que nos damos conta de que ferimos as leis divinas, as leis que regulam a natureza, seja em nosso íntimo, seja fora de nós, e entendemos que se torna necessária a correção que nos beneficiará modificando essa condição anômala para nos fazer trilhar o caminho da felicidade novamente – eis, portanto, porque a conscientização “é bonita, é demais”…

Nas questões 619 e seguintes de ‘O Livro dos Espíritos’, Allan Kardec faz perguntas acerca do conhecimento da lei natural, recebendo a informação de que todos os homens podem conhecê-la, embora bem poucos a compreendam, e que esse conhecimento é condição sine qua non para o progresso da Humanidade. Não se trata aí do progresso material, bem entendido.

Até a compreensão dessa lei, porém, ficamos como que levados ao sabor dos ventos e das correntezas, sem âncora, sem boia de salvação, sem abrigo ante a tempestade em que padecemos; assim, “não há um porto seguro, futuro também não há”. Mas quando caímos em nós, conscientizando-nos finalmente de nossas fraquezas e potencialidades, ah! quanta diferença!

Está escrita na consciência de cada um a lei de Deus, conforme disseram os Espírito Superiores a Kardec (OLE, questão 621). Mas, devido a nossa incúria e ao entorpecimento de nossos sentidos espirituais frente às ilusões da matéria, nós nos esquecemos quase sempre de consultar a consciência e, qual fora um computador que armazenasse tais informações, esquecemos de acessar conhecimento tão importante. Por isso adquirimos conceitos e culturas que absolutamente não condizem com nossa condição espiritual e ao sermos confrontados com a verdade demoramos a reconhecê-la e a todo custo tentamos modificá-la segundo nosso canhestro entendimento; assim é que “eu digo e ela não acredita”.

Em nosso estado de mendicância espiritual, ansiando pela luz do entendimento das verdades imorredouras, o que mais queremos é ver a chegada da “dona da minha cabeça”, ou seja, o momento em que se nos iluminará a consciência. Como na imagem alegórica da luz no fim do túnel, essa iluminação só chega, porém, após caminharmos no escuro de nós mesmos, enfrentando os perigos do caminho.

Por outro lado, podemos acender uma lanterna que nos ajudará a chegar mais facilmente à luz maior; essa lanterna é o Evangelho de Jesus, melhor revelado através do conhecimento do Espiritismo, que, em suma, resgata a essência dos ensinos do Cristo de Deus. A simples leitura do Evangelho tem o poder de “saciar minha sede milhões de vezes”. À luz do Espiritismo – doutrina de consolação e esclarecimento – refletimos que é “na força dessa beleza” que “eu sinto firmeza e paz” e, de posse de um novo estado de ânimo, em que a fé brota dos escombros deixados pela dor ou simplesmente da terra adubada pelo entendimento, reconhecemos a necessidade de enxergar a nós próprios não mais como antes, de um ponto de vista mesquinho e exclusivista, mas com largueza de visão, vendo-nos realmente como seres comprometidos com os planos de Deus em tornar este e outros mundos melhores, a começar de nós mesmos. E assim enxergamos a beleza, a justiça e a paz verdadeiras, das quais não queremos jamais nos separar.

Extraído de http://almaespirita.blogspot.com.br

 

Tags: Azevedo / cabeça / Dona / minha / Nilo /
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