E lá se vão meus anéis

Eduardo Gudin & Paulo Cesar Pinheiro

Samba de Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro, vencedor do Quarto Festival Universitário da MPB, promovido em 1971 pela extinta TV Tupi de São Paulo. Interpretado pelos “Originais do Samba”, foi lançado em novembro desse ano pela RCA Victor, no compacto simples n. LC-6738-A, matriz Z2CAP-3463, entrando mais tarde no LP “O samba é a corda… Os Originais a caçamba” (ouça adiante!). Houve regravações por Márcia, Jair Rodrigues e pelos próprios autores, entre outras (confira em ‘O tempo não apagou’). Direitos fonográficos reservados à Sony Music Entertainment (Brasil) Ltda. ISRC: BRBMG-7200009.

Extraído de Samuel Machado Filho

Os Originais do Samba(1971)

 

X.X.X.X.X

 

Vermute conta o samba: E Lá Se Vão Meus Anéis…

Em 25/03/2008

Devemos este post ao grande amigo e jornalista Guilherme Conte, que está elaborando um livro sobre o Gudin

Paulo César Pinheiro é um dos letristas de maior prestígio na música brasileira. Eduardo Gudin também figura entre os grandes compositores, porém sua especialidade é a melodia. O post de hoje é referente a uma obra que é fruto da união desses dois grandes artistas, a música “E Lá Se Vão Meus Anéis…”.

A história do samba começa quando Paulo César Pinheiro vem a São Paulo para receber o dinheiro de um festival que havia sido organizado pela TV Tupi em 1970, ano em que Gudin gravou seu primeiro compacto e que começou a parceria dos dois. Em seguida, Paulo encontrou o amigo Gudin em um bar e juntos fizeram a melodia. Logo depois foram para a casa da cantora e amiga Márcia (cantora paulista que participou de diversos festivais. Talvez seu maior sucesso seja a música “Eu e a Brisa”, de Johnny Alf) mostrar a música e lá ficaram.

Pela manhã, Paulo tomou um táxi de volta ao hotel em que estava hospedado para descansar. Somente no dia seguinte é que deu falta do dinheiro. “Acho que esqueci no táxi.”. E a partir daí veio a letra.
No ano seguinte a dupla inscreveu essa música no festival organizado pela TV Tupi e conseguiu o primeiro lugar. Paulo ainda conta que o prêmio era o mesmo valor daquele perdido um ano antes e que a música foi como uma espécie de premonição no verso que diz: “Lá se vão meus anéis, outros virão”.

No festival, a música foi defendida pelo grupo “Originais do Samba” e gravada pela primeira vez no LP O samba é a corda… os Originais a caçamba (RCA Victor, 1972).

 

X.X.X.X.X

 

Vou te contar: histórias de música popular brasileira

Por Walter Silva

Assim como o garimpeiro agita sua bateria centena de vezes por dia, na sempre renovada esperança de encontrar um diamante que lhe dê novos caminhos, a música popular brasileira, até sábado passado, buscava encontrar o “diamante” que lhe determinasse os novos caminhos a serem seguidos.

E um simples acorde, justo e maravilhoso acorde encontrado por Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro, que aparece exatamente na hora em que a letra diz: “…são dez, duas mãos…”, parece mostrar, finalmente, o caminho a ser seguido: nossas raízes.

Mais do que um simples festival, foi o “Festival Universitário da Televisão Tupi” um programa cheio de dignidade, como há muito não se via. Bom gosto, perfeição cênica, técnica, sonora e plástica mostraram que com bons produtores, como Fernando Faro e Magno Salerno assessorados por uma equipe consciente, ainda, por incrível que pareça, não precisamos de “apelações” para entreter um público sempre aberto as grandes iniciativas, aos bons programas e as ideias honestas.

Cassiano Gabus Mendes, diretor artístico da Televisão Tupi fez questão de estar presente, até mesmo no júri, a fim de, com sua experiência, determinar ângulos mais favoráveis, como na hora em que um rolo de serpentina foi desfeito diante de uma delas, ideia plástica de grande efeito visual.

Sobrou a impressão de que foi um programa feito com amor e senso de responsabilidade, aliados a uma capacidade profissional indiscutível.

Se foi dito que o “Festival Universitário” não trouxe qualquer contribuição será mentira. Trouxe, sim. Principalmente a demonstração de volta às raízes, sem preconceitos rítmicos, poéticos, harmônicos ou mesmo melódicos. E tão lindo soava o samba classificado em primeiro lugar, obra prima de Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro, como a valsinha que não obteve classificação, de autoria de Leo Karan com arranjo de Erlon Chaves.

Tudo era puro e verdadeiramente nosso. Até o “Prá inglês ver” (bem poderia ser ter sido composto por Paul Anka) mostrou que o Trio Mocotó criou algo em matéria de ritmo, muito bem explorado pelo autor Valdir Fonseca, no som dos ritmistas da “Escola de Samba Camisa Verde-Branco”, tudo muito brasileiro.

“Lá se vão meus anéis”, o samba vitorioso, é duma beleza melódica e dum ritmo tão contagiantes que o público, percebia-se, sentia pena de não ter ainda decorado seus versos e melodia. Mas agora que será gravado pela RCA, pelos próprios “Originais do Samba”, percorrerá facilmente os caminhos de “Foi um rio que passou em minha vida”. Será êxito.

Essa letra, com uma melodia que tem um acorde precioso, mais o ritmo e a Interpretação de “Os Originais do Samba”, só pode ter um caminho: entrar para história do nosso cancioneiro, como tantas obras de primeira categoria.

Mereceu.

Tags: anéis / Festival / gudin / Originais / pinheiro / universitário / vão /
  • Compartilhe:

Escreva um comentário:

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *