Embarcação

Francis Hime & Chico Buarque

“…muitas composições de Chico, nos últimos anos, foram concluídas, ou mesmo feitas, dentro de um estúdio. A necessidade de fazer um disco e o clima de gravação o impelem a criar. São estímulos até certo ponto artificiais, reconhece, mas nem por isso resultam numa produção biônica, ou, burocrática, só para completar as faixas de um LP. Servem, isto sim, de impulso para um processo que passa sempre pelo prazer. “No momento da criação”, Chico deixa claro, “tem que ter tesão de qualquer jeito”. Algumas composições para as quais faltava a letra foram terminadas dentro do estúdio graças ao que Chico chama de “golpe do Francis”. O amigo e parceiro pegava a música, fazia os arranjos, gravava – e o colocava diante do fato consumado. Não havia como não fazer a letra. “Embarcação” foi um caso de “golpe do Francis” bem-sucedido (ouça adiante!).

Ao entrar no estúdio, Chico às vezes não tem mais que quatro, cinco músicas prontas. Outras, em sua linguagem de futebolista, ele diz que são “banco” – estão na reserva, para qualquer eventualidade. Nesses momentos Chico costuma repassar seus rascunhos sonoros, à procura de um tema que possa ser desenvolvido.

© Copyright Humberto Werneck, Gol de letras, em Chico Buarque Letra e Música, Cia da Letras, 1989

Francis Hime & Coro(1982)

 

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