Foi assim (Juventude e ternura)
No Brasil dos anos 60 a parceria entre o mercado discográfico e o cinema se desenvolveu de uma forma curiosa, que hoje ninguém lembra mais. A relação das imagens em movimento com a música, como se sabe, remonta às origens do cinema, quando os filmes mudos eram apresentados com música ao vivo.
A Jovem Guarda foi uma revolução romântica muito apropriada para o período pós-64. Ela não incomodava o sistema, apenas alienava mais o cidadão. “Se o tipo de vestimenta e o uso de cabelos longos podiam representar rebeldia às normas sociais vigentes ou desejo de transformações, o conteúdo das canções o desmentia. A música “Quero que vá tudo pro inferno”, a mais importante na ascensão de Roberto Carlos, resume, de forma extremamente feliz, as tendências e perspectivas dos jovens e adultos adeptos da Jovem Guarda: individualismo, desinteresse pelos acontecimentos da época, certo comodismo e até apatia. A expressão “e que tudo mais vá pro inferno” caracteriza muito bem (ainda que os autores não tivessem a intenção) o desinteresse por tudo o que estava ocorrendo na sociedade brasileira.”(CALDAS, 1995, p.54-55).
O cinema ajudou a fixar a ideologia do sociólogo Max Weber de que “o homem apolítico, no fundo endossa o regime vigente. Assim, a aparente indiferença política se reverteria em benefício da ideologia dominante no momento, justamente porque o apolítico não questiona, não reivindica, nada faz”. (CALDAS, 1995, p.56)
Mais sorte teve “Ternurinha”, também conhecida como Wanderléa. Ela teve o seu próprio filme, “Juventude e ternura”, onde interpreta Beth, uma cantora da juventude, oscilando entre a proteção de um fora da lei, Estênio (Anselmo Duarte), e o amor de um pianista, Guy (Ênio Gonçalves), decidindo-se por este último.
Extraído de “Filmografia da Jovem Guarda”, de Glênio Nicola Póvoas.
Abaixo trecho do filme no instante em que Wanderléa canta “Foi assim”, de autoria dos irmãos Renato e Ronaldo Correa, integrantes do conjunto vocal “Golden Boys”:
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