Garota de Ipanema

Tom Jobim & Vinícius de Moraes

Um verdadeiro clássico da bossa nova e da MPB, obra-prima da parceria Tom Jobim – Vinícius de Moraes, e uma das músicas brasileiras mais conhecidas e regravadas em todo o mundo. Os autores compuseram este samba no ‘Bar Veloso’, ao observar a beleza e os atributos físicos da jovem Helô Pinheiro (mais tarde jornalista, atriz e apresentadora de TV), que então passava pelo local, e, graças ao êxito internacional da composição, o bar mudou de nome para ‘Garota de Ipanema’. E o pontapé inicial para este sucesso foi dado justamente por Pery Ribeiro, que fez esta gravação pioneira na Odeon em 26 de março de 1963, com lançamento em julho seguinte no 78 rpm n. 14869-A, matriz 15724. Igualmente integrando o LP “Pery é todo bossa” (ouça adiante!). Mais tarde, a música recebeu letra em inglês de Norman Gimbel, “The girl from Ipanema”, interpretada por Astrud Gilberto, e mais tarde por outros artistas internacionais, como Frank Sinatra, Cher, Madonna, Amy Winehouse e até mesmo pelo grupo de heavy metal brasileiro ‘Sepultura’. Direitos fonográficos reservados à Universal Music International Ltda.

Extraído de Samuel Machado Filho

Pery Ribeiro(1963)

 

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Em depoimento para a revista Manchete, em 1965, Vinícius de Moraes conta como conheceu a garota de Ipanema: “Seu nome é Heloísa Eneida Pais Pinto, mas todos a chamam de Helô (Helô Pinheiro, depois de casada). Há três anos, ela passava ali no cruzamento de Montenegro e Prudente de Morais, e nós a achávamos demais. De nosso posto de observação, enxugando a nossa cervejinha, Tom e eu emudecíamos à sua vinda maravilhosa. (…)

E lá ia ela toda linda, a garota de Ipanema, desenvolvendo no percurso a geometria espacial de seu balanceio quase samba. (…) Para ela fizemos, com todo o respeito e mudo encantamento, o samba que a colocou nas manchetes do mundo inteiro e fez da nossa querida Ipanema uma palavra mágica para os ouvintes estrangeiros.”

Naquele 1962 em que a canção foi feita, a bela Heloísa tinha quinze anos e passava realmente todos os dias pelo bar ‘Veloso’, situado na mesma rua Montenegro onde ela morava. Naturalmente, sabia-se admirada pelos frequentadores do bar, pois nas vezes em que lá entrava era saudada pelos assovios de praxe. O que não sabia era que tinha sido a inspiradora de “Garota de Ipanema”, segredo só revelado pelos autores em 1965.

Mas, se a visão da musa aconteceu no Veloso, a criação do samba teve lugar noutros ambientes e em etapas distintas. Inicialmente, em Petrópolis, Vinícius aprontou-lhe a letra, até com certa dificuldade, tendo composto duas versões, para aproveitar a segunda (a primeira chamava-se “A menina que passa”). Em seguida, foi a vez de Tom musicar o poema, tarefa também trabalhosa, que ele realizou em sua então nova moradia na rua Barão da Torre. Ao final, o compositor deu a “Garota de Ipanema” uma de suas mais originais melodias, igualmente alegre e triste, bem de acordo com a letra que exalta a beleza radiante da moça que passa, ao mesmo tempo em que lamenta a solidão do poeta, condenado a admirá-la à distância.

Destinada a uma comédia chamada “Blimp”, jamais concluída por Vinícius, “Garota de Ipanema” acabou sendo lançada no show “Encontro”, que estreou em 2 de agosto de 62 e permaneceu 45 dias em cartaz na boate ‘Au Bon Gourmet’, em Copacabana (ouça adiante!). Este espetáculo reuniu pela única vez num palco os três grandes da bossa nova — Antônio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes e João Gilberto — mais o conjunto ‘Os Cariocas’, e lançou, além de “Garota de Ipanema”, “Só danço samba” e “Samba do avião”, sendo a primeira e a segunda as últimas canções da dupla Tom – Vinícius. Todas essas composições saíram em disco no início de 63, tendo Pery Ribeiro, Os Cariocas e o Tamba Trio (confira em ‘O tempo não apagou’) a primazia de gravarem “Garota de Ipanema”.

Em abril, Tom Jobim a apresentava aos americanos no elepê ‘The composer of Desafinado plays’. Ao final do ano, a Verve lançou o single de Astrud Gilberto e Stan Getz, disco que vendeu milhões e estabeleceu o prestígio internacional de “The Girl from Ipanema”, título da versão do letrista Norman Gimbel. Amadora até então, Astrud encantou os americanos pela simplicidade e a ausência da afetação das cantoras de experiência formal. Esse single e o álbum Getz / Gilberto, que contém a gravação integral com a participação de João Gilberto cantando em português, receberam quatro prêmios Grammy: melhor single, melhor álbum, melhor performance de jazz instrumental e melhor gravação.

Em meados dos anos noventa, “Garota de Ipanema” ostentava uma discografia de centenas de gravações, com intérpretes das mais variadas tendências, não apenas na área nacional — Astrud, Baden Powell, Os Cariocas, Cauby Peixoto, Dick Farney, Elis Regina, Eumir Deodato, Hermeto Pascoal, João Gilberto, Leny Andrade, Leila Pinheiro, Lúcio Alves, Nara Leão, Tim Maia —, mas, principalmente, na internacional em que, além dos habituais intérpretes da obra jobiniana — Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Stan Getz, Sara Vaughan, Charlie Byrd — ressaltam figuras como Anita O’Day, Al Jarreau, Erroll Garner, Earl Hines, Herbie Mann, Louis Armstrong, Nancy Wilson, Nat King Cole, Oscar Peterson, Peggy Lee, Stephane Grappelli, Vic Damone e muitos outros (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br

Tom Jobim & Vinicius de Moraes & Joao Gilberto & Os Cariocas ao vivo(1962)

 

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Foi Pery Ribeiro quem gravou pela primeira vez, no seu segundo LP – “Pery é Todo Bossa” -, lançado pela Odeon no 78 rpm (14869-A), em 1963 – “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, uma das músicas brasileiras mais conhecidas em todo mundo.

Destaque para os maravilhosos arranjos do maestro Lyrio Panicalli.

Extraído de http://blogln.ning.com

Tags: Cariocas / Garota / Gilberto / Ipanema / Jobim / Lyrio / Pery / Vinicius /
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