Hoje

Taiguara

Possuidor de um marcante estilo de interpretação, romântico, intenso, até com uma certa tendência ao monumental, Taiguara firmou-se como um dos mais assíduos cantores de festivais, defendendo músicas suas ou de outros compositores, algumas delas premiadas (como “Modinha”, de Sérgio Bittencourt, e “Helena, Helena, Helena”, de Alberto Land).

Típico desse estilo é o seu maior sucesso, a balada “Hoje”, que canta sobre bela melodia o desabafo de um personagem desiludido com as agruras da vida e do amor: “Mas, hoje / as minhas mãos enfraquecidas e vazias / procuram nuas, pelas luas, pelas ruas / na solidão das noites frias por você.”

Muito visado pela censura, Taiguara (Taiguara Chalar da Silva) teve sua popularidade em declínio ao terminar a era dos festivais, passando a se dedicar ao estudo musical com Hermeto Pascoal, com quem aprendeu a fazer arranjos. Nascido no Uruguai, mas criado no Brasil, morreu aos 51 anos em 14.2.96 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br/

 

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Hoje é o título do álbum do cantor e compositor Taiguara, lançado no formato LP em 1968.

Extraído de https://pt.wikipedia.org

 

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A poesia genial e marcante de Taiguara

Em 19/07/2013

O cantor e compositor Taiguara Chalar da Silva (1945-1996) nascido no Uruguai durante uma temporada de espetáculos de seu pai, o bandoneonista e maestro Ubirajara Silva, foi um dos melhores compositores da MPB e considerado um dos símbolos da resistência à censura durante a ditadura militar, tanto que teve, aproximadamente, 100 músicas vetadas, razão que o levou a se auto exilar na Inglaterra em meados de 1973.

A letra da música “Hoje” foi censurada, porque fazia alusão ao governo militar, à tortura (trago em meu corpo, as marcas do tempo) e insinuava que a sociedade era infeliz sob o comando da ditadura militar. A música foi gravada por Taiguara no LP Hoje, em 1969, pela EMI-Odeon (ouça adiante!).

Extraído de http://tribunadainternet.com.br/

Taiguara(1969)

 

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PASQUALE CIPRO NETO 

“Que as crianças cantem livres!” 

Os muros a que se refere Taiguara são sobretudo os metafóricos muros que separam as trevas da luz

A ANTOLÓGICA “Elegia na Morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes”, de Vinicius de Moraes, começa assim: “A morte chegou pelo interurbano (…). Era de madrugada. Ouvi a voz de minha mãe, viúva. De repente, não tinha pai. No escuro de minha casa em Los Angeles…”.

O diplomata Vinicius de Moraes servia nos Estados Unidos quando seu pai morreu. Se você não conhece essa “Elegia”, trate de conhecer. Basta entrar no belíssimo site de Vinicius e ler. E chorar. Chorar muito. Nas artes, Vinicius é um dos meus tantos “pais”. Sinto-me “órfão” dele, assim como me sinto órfão de Drummond e de outros tantos.

Na música popular, também tenho os meus “pais”, muitos dos quais os leitores conhecem bem. Mas um deles talvez eu tenha citado poucas vezes ao longo dos anos. Refiro-me a Taiguara, que morreu em 14 de fevereiro de 1996, ou seja, há quinze anos. Eu estava em Portugal e, como Vinicius, recebi a notícia fúnebre pelo telefone. Imediatamente me senti, mais uma vez, “órfão” de um poeta sensível e refinado.

Na hora, lembrei-me de uma conversa com um querido amigo dos tempos de colégio, o hoje jornalista Delamar da Cruz, sobre uma cena que presenciamos em nossa adolescência. Em plena Copa de 70, com a ditadura e a lavagem cerebral a mil, a multidão se reunia nas ruas, na praça da Sé ou em frente ao teatro Municipal, para ouvir os jogos. Já havia TV direta, mas não havia telões. Nas ruas, o negócio era mesmo o rádio. Enquanto o jogo não começava, música. E Taiguara, dizendo em sua antológica “Hoje”: “Hoje / As minhas mãos enfraquecidas e vazias / Procuram nuas pelas luas, pelas ruas… / Na solidão das noites frias por você (…) Hoje / Homens de aço esperam da ciência / Eu desespero e abraço a tua ausência / Que é o que me resta vivo em minha sorte”.

Imagine o contraste entre o frenesi do povo e o sentido da letra de Taiguara… O caro leitor notou como o poeta trabalha o par verbal “esperam/desespero”? Por favor, leia “desespéro” (é verbo). Notou que, em “eu desespero”, Taiguara emprega o verbo com o sentido de “perder a esperança”? Na letra, esse verbo pode ser tomado como transitivo indireto, com objeto indireto subentendido (“eu desespero da ciência”) ou simplesmente como intransitivo (“eu desespero”, com o sentido seco de “perco a esperança”).

Taiguara era nobreza pura. Em outra obra-prima, “Maria do Futuro”, diz ele: “Nessa rede ela prendeu / Minha dor civil, minha solidão. / Nessa rede eu vi nascer minha liberdade (…) E em cadeias de amor puro / viver guardado / Joga areias do futuro no meu passado”. Maravilha! Que beleza a aparente antítese “rede/liberdade”! Que bela noção de liberdade cria o jogo rede/cadeias/areias (do futuro no meu passado)! Bem, para muita gente não é tão fácil assim captar o que é a verdadeira liberdade, sobretudo quando ela vem por imagens poéticas…

Encerro esta lembrança de Taiguara com versos de uma de suas antológicas canções, cujo nome é o título desta coluna: “Vê como um fogo brando funde um ferro duro / Vê como o asfalto é teu jardim se você crê / Que há um sol nascente avermelhando o céu escuro / Chamando os homens pro seu tempo de viver / E que as crianças cantem livres sobre os muros / E ensinem sonho ao que não pôde amar sem dor…”.

Os muros a que se refere Taiguara são muitos, mas são sobretudo os metafóricos muros das barreiras que separam as trevas da luz, a mediocridade da criatividade, a teimosia da abertura mental e psíquica, separam a inércia do movimento para a frente, para o novo, para a revisão do velho conceito. Onde estiver, um beijo, caro Taiguara. É isso.

Extraído de http://www1.folha.uol.com.br/

 

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Além desta, o título “Hoje” serviu para outras canções, como trazemos na página ‘O poder da criação’ (link adiante):

http://qualdelas.com.br/hoje/

Tags: hoje / Taiguara /
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