João e Maria

Sivuca & Chico Buarque

A melodia é de Sivuca e data de 1947. Sivuca a compôs aos 17 e usava sua valsa recém saída do forno para coroar as lindas princesas de seus sonhos com belas serenatas ao luar do Recife. O pião já não era seu brinquedo, seu bicho preferido tinha outro sexo e andava nua em seu país. Seu futuro parceiro, na época com 3 anos, ainda mal armava seu bodoque.

E, por trinta anos, assim seguiu esta música, sem nome, servindo às serenatas de seu autor. Até que o dramaturgo Paulo Pontes, que estava organizando o repertório para uma apresentação de Elizeth Cardoso no “Canecão”, decidiu que ao show cairia bem uma parceria entre o já consagrado Chico Buarque e o Mestre Sivuca. Resolveu promover o encontro.

Sivuca, pensando no vozeirão da Divina Elizeth, desenterrou sua valsa romântica. Mas Chico estava em outra. Estava mergulhado no universo infantil, havia acabado de fazer a versão para o português do musical italiano “Saltimbancos”. A “idade” da música também influiu, como explica o próprio compositor em entrevista a Geraldo Leite (Rádio Eldorado, 1989): “Cada música tem uma história. Eu tenho uma parceria com o Sivuca que é engraçada. Ele fez a música, que ficou se chamando “João e Maria”. Ele mandou uma fita com uma música que ele compôs em 1947, por aí. Eu falei: “Mas isso foi quando eu nasci.” A música tinha a minha idade. Quando eu fui fazer, a letra me remeteu obrigatoriamente pra um tema infantil. A letra saiu com cara de música infantil porque, simplesmente, na fitinha ele dizia: “Fiz essa música em 47.” Aí pensei: “Mas eu criança…” e me levou pra aquilo. Cada parceria é uma história. Cada parceiro é uma história.”

O nome da canção remete ao clássico conto de fadas dos irmãos Grimm, no qual duas crianças que se perdem na floresta por terem marcado o caminho com migalhas de pão e são capturadas pela bruxa malvada.

A música que servira de base para as cantadas de Sivuca seguiu outro caminho, aderiu ao universo infantil e acabou por abrigar uma conversa de crianças.

A canção não integrou o repertório de show de Elizeth. Não tinha mais cabimento. A primazia da primeira gravação coube a Nara Leão (ouça adiante!), princesa linda de se admirar, em dueto com o próprio Chico, arranjos de Sivuca, João Donato no teclado, Luizão Maia, contrabaixo, Meireles, flauta, o mesmo Sivuca no violão e na sanfona, e Paulinho Braga, bateria. A música estourou com a participação na trilha sonora da novela “Dancin`Days” e, até hoje, não pode faltar nos shows de Chico Buarque (veja e ouça adiante!).

Agora, era fatal que o faz-de-conta terminasse assim. Em 14 de dezembro de 2006, Sivuca sumiu do mundo sem nos avisar. A música brasileira perdeu um Mestre.

Pra lá deste quintal, com a abertura política, finalmente, a noite teria um fim. Chico Buarque, crítico mordaz da ditadura militar, agora era o herói.

Quanto ao cavalo que fala inglês, consta que o próprio Chico nunca soube muito bem o que ele mesmo quis dizer. De acordo com o amigo e parceiro Francis Hime, deve ser “um cavalo muito educado.”

Fontes.:

– Humberto Werneck, Gol de letras, em Chico Buarque Letra e Música, Cia da Letras, 1989

– Livro 85 anos de Música Brasileira Vol. 2, 1ª edição, 1997, editora 34

Extraído de http://portrasdaletra.blogspot.com.br

 

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No encarte do LP, em 1977, Nara escreveu: “Pedi uma música ao Chico. Ele me mandou uma de parceria com Sivuca sobre um tema infantil – “João e Maria”. Dias antes o Cacá (Cacá Diegues, que foi marido de Nara e pai de seus filhos Isabel e Francisco) tinha me chamado a atenção para a conversa de Francisco e Isabel com alguns amigos onde eles diziam: “eu era a princesa, eu era o cavalo…” Cacá observou que os tempos do verbo estavam no passado. Um faz de conta, mas ainda no passado. Quando vi a música de Chico, achei engraçado. Ele tinha percebido o universo infantil tão perfeitamente. Não falava pela criança, mas era a criança que falava. O Chico é fogo. Forma e conteúdo perfeitos. A gravação se passou muito tranquila. O Sivuca é uma graça. Fazia questão que a gente chamasse seu instrumento de sanfona e não de de acordeom. Deu um show de musicalidade e gentileza.”

Extraído de http://pt.wikipedia.org

Nara Leao & Chico Buarque & Sivuca(1977)

Chico Buarque ao vivo(2007)

Em 1977, em programa de TV, com “Joao e Maria” ainda inédita, Chico antecipava “A canção contada”:

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