O cantador
A Jornada Solitária do Cantador: Dor, Vida e Amor
A música ‘O cantador’, interpretada por Dori Caymmi (ouça adiante!), é uma profunda reflexão sobre a vida de um artista cuja missão é cantar as experiências humanas, sejam elas de dor, amor, vida ou morte. Desde o início, a letra (provavelmente de Nelson Motta) estabelece um tom de inevitabilidade e solidão, com o cantor afirmando que seu caminho é ‘sem volta e sem ninguém’. Essa jornada solitária é uma metáfora para a vida do artista, que muitas vezes precisa seguir seu próprio caminho, independentemente das dificuldades e da falta de companhia.
O refrão da música reforça a ideia de que o cantador não tem escolha sobre o que canta; ele é um observador do mundo e sua função é traduzir essas observações em música. A repetição de ‘Ah! eu canto a dor, canto a vida e a morte, canto o amor‘ enfatiza a amplitude das experiências humanas que o cantador aborda em suas canções. A dor é um tema recorrente, mas a música também sugere que o canto tem um poder transformador, capaz de ‘espantar a morte’ e de ser ouvido por todos, mesmo à distância.
No entanto, há uma melancolia subjacente na letra, especialmente quando o cantador admite que seu canto é uma expressão de uma vida ‘perdida sem amor’. A música termina com uma nota de resignação, onde o cantador reconhece que, apesar de sua habilidade de cantar, ele não sabe chorar. Isso sugere uma certa impotência emocional, onde a única forma de lidar com a dor e a perda é através da música. ‘O cantador’ é, portanto, uma meditação sobre a arte, a solidão e a complexidade das emoções humanas, encapsuladas na figura do artista solitário que canta para o mundo, mas carrega uma dor pessoal profunda.
Extraído de letras.mus.br
Dori Caymmi(1972)
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Elis Regina defendeu a música “O cantador”, de Dori Caymmi e Nelson Motta, que se classificou entre as finalistas do III Festival de Música Popular Brasileira de 1967 (veja e ouça adiante!). O Festival de Música Popular Brasileira de 1967 foi a terceira edição do Festival de MPB organizado pela TV Record. Aconteceu entre 30 de setembro e 21 de outubro de 1967, com todos os eventos sendo realizados no Teatro Record Centro, em São Paulo, com apresentação de Sônia Ribeiro e Blota Júnior. Foi considerada a edição mais marcante do festival, pela alta qualidade das canções, por revelar nomes importantes da MPB bem como por introduzir a guitarra elétrica na música nacional. A canção vencedora do festival foi “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam, interpretado pelo primeiro e por Marília Medalha. No entanto, outras canções notáveis foram apresentadas originalmente para o festival, como “Alegria, alegria”, de Caetano Veloso; “Roda viva”, de Chico Buarque e “Domingo no parque”, de Gilberto Gil, esta última sendo considerada marco inicial da ‘Tropicália’. Com a ascensão da televisão e em meio ao contexto político da ditadura militar, o Brasil vivia a era dos festivais: programas de televisão (mas que também eram transmitidos por rádio) em que canções originais eram apresentadas e julgadas, premiando-se a melhor canção ao final. Devido ao regime militar, todas as canções eram avaliadas pela censura antes de serem apresentadas, sendo que os censores poderiam pedir alterações ou mesmo vetar a apresentação das mesmas no festival. Os festivais anteriores despontavam crescente sucesso, alavancando a popularização dos intérpretes das melhores canções, que normalmente eram artistas contratados da TV Record. Em 17 de julho daquele ano, diversos artistas importantes da música brasileira saíram em marcha contra a inclusão da guitarra elétrica em composições nacionais, por considerar uma invasão da música internacional no país. Mais de 4000 canções foram inscritas no festival cujo prazo de inscrição se encerrou em 26 de julho de 1967. Todas as canções foram avaliadas por um júri de seleção (composto por Amilton Godoy, César Mariano, Ferreira Gullar, Júlio Medaglia, Raul Duarte, Roberto Corte Real e Sandino Hohagen) para que se pudesse escolher 36 canções para o festival. 30 das escolhidas foram anunciadas em 6 de setembro de 1967 e as demais 6 no dia seguinte, uma vez que 6 canções entre as escolhidas haviam sido proibidas pela censura da ditadura militar. Por fim, os intérpretes foram anunciados posteriormente, sendo que em 10 casos, o próprio autor escolheu por defender a canção, por entenderem que os compositores deveriam ser melhor reconhecidos pelas canções, ao invés de intérpretes alheios.
Wikipédia
Elis Regina & Dori Caymmi ao vivo na final do Festival da Record(1967)
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O III Festival da Record, em Outubro de 1967, reuniu nomes como Chico Buarque, Edu Lobo, Gilberto Gil (com os Mutantes), Caetano Veloso… ali nascia a ‘Tropicália’.
Elis Regina levou o prêmio de Melhor Intérprete com “O cantador”, de Dori Caymmi e Nelson Motta (ouça adiante!).
Elis Regina(1967)
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