O que será

Chico Buarque

“O que será? ” é uma canção do músico brasileiro Chico Buarque, de 1976, composta para o filme “Dona Flor e seus dois maridos”, baseado no livro homônimo de Jorge Amado. A canção tem três versões, que marcam passagens diferentes da trama: “Abertura”, “À Flor da Terra” e “À Flor da Pele”.

Segundo Chico Buarque, sua maior inspiração para compor foi ‘Fotografias de Cuba’, que o jornalista Fernando Morais havia lhe mostrado, embora garanta que as três letras não tenham a ver com o país em questão.

O dueto com Milton Nascimento foi casual. Após ouvir ao acaso Francis Hime tocar a canção ao piano, nos estúdios da gravadora, o cantor mineiro gostou e sugeriu que fosse cantada em duo. Chico Buarque e Francis Hime gostaram da ideia e finalizaram os arranjos já considerando a voz de Milton Nascimento. “O que será? (À flor da terra)” foi lançada no álbum “Meus Caros Amigos”, de Chico Buarque (ouça adiante!), enquanto “O que será? (À flor da pele)” saiu no álbum “Geraes”, de Milton Nascimento (ouça adiante!).

Na versão para o filme de Bruno Barreto, “O que será? (Abertura)” foi interpretada pela cantora Simone (ouça adiante!).

Em 1992, Chico teve acesso ao conteúdo de sua ficha no Dops-DPPS e achou curiosa a interpretação que os censores fizeram da letra. Em declaração ao ‘Jornal do Brasil’, o compositor disse: “acho que eu mesmo não sei o que existe por trás dessa letra e, se soubesse, não teria cabimento explicar”.

Extraído de https://pt.wikipedia.org

O que sera ou A flor da terra (Chico Buarque) – Chico Buarque & Milton Nascimento(1976)

O que sera ou A flor da pele (Chico Buarque) – Milton Nascimento & Chico Buarque(1976)

O que sera ou Abertura (Chico Buarque) – Simone(1977)

 

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Chico Buarque: As três versões de “O que será?”
1- Abertura

O que será que será
E todos os meus nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

O que será que lhe dá
O que será meu nego, será que lhe dá
Que não lhe dá sossego, será que lhe dá
Será que o meu chamego quer me judiar
Será que isso são horas de ele vadiar
Será que passa fora o resto do dia
Será que foi-se embora em má
companhia
Será que essa criança quer me agoniar
Será que não se cansa de desafiar
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não
devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não
sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem juízo…

2- À flor da terra

O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
Que gritam nos mercados, que com certeza
Está na natureza, será que será
O que não tem certeza, nem nunca terá
O que não tem conserto, nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência, nem nunca terá
O que não tem censura, nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem juízo

3 – À flor da pele

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz
confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não
sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me

Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores que vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo.

Extraído de http://jornalggn.com.br

 

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Feita para o filme ‘Dona Flor e seus dois maridos’, de Bruno Barreto, “O que será?” (à flor da terra) não ficou marcada apenas por estar presente em um grande clássico do cinema brasileiro. A canção foi censurada pela ditadura militar na justificativa de que o que Chico Buarque fazia era uma alusão à Cuba. Porém, Chico explica até hoje que não entendeu o porque da censura, já que nem ele mesmo sabe “o que será” e se soubesse não haveria sentido explicar, já que a letra da música é uma pergunta.

Tendo a explicação que o ouvinte quiser, a canção é belíssima. Se for para retratar Cuba, a letra se enquadra bem, pois mostra bem a realidade cubana. Se for para criticar a ditadura, a letra também é bastante apropriada. Se for apenas um homem apaixonado que não sabe explicar o que é o amor, então a letra é perfeita. São essas hipóteses que torna a composição de Chico tão fantástica.

Se o objetivo do compositor era deixar algo vago, que nem ele sabe explicar, “O que será?” (à flor da terra)´realmente cumpriu com as expectativas de seu autor.

Extraído de https://musicasbrasileiras.wordpress.com

 

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Lançada por Chico Buarque em 1976, para a trilha sonora do filme ‘Dona Flor e seus dois maridos’, de Bruno Barreto, a canção “O que será” recebeu uma contundente e passional interpretação da cantora Simone, no ano seguinte.

De fato, a canção já rendeu algumas boas interpretações, sempre investindo na interioridade do sujeito que fala. A propósito, há mais de uma versão para a letra de “O que será”. No livro ‘Histórias de canção: Chico Buarque’, Wagner Homem reúne as três com seus subtítulos “Abertura”, “À flor da pele” e “À flor da terra”.

Em 2008, o trompetista alemão Till Bronner reuniu um belo repertório no disco inteiramente dedicado ao Brasil: Rio. Entre os convidados brasileiros aparecem Milton Nascimento, Sergio Mendes, Luciana Souza e Vanessa da Mata.

Coube a Vanessa cantar, de modo elegante e voz bem colocada, “O que será (à flor da terra)” (Confira em ‘O tempo não apagou’). Sem a densidade dramática das gravações anteriores, a canção envereda pelo embalo gostoso da melodia jazzística, mas com um quê de bolero. Este arranjo híbrido dá novas direções à letra.
A delicadeza da voz de Vanessa da Mata encontra na suavidade do trompete de Bronner o parceiro perfeito para cantar o enigma do sujeito: a pergunta sem resposta, eternamente e desde sempre cantada pelos poetas mais delirantes, jurada pelos profetas embriagados e que vive nas ideias dos amantes.

O sujeito canta a irresistibilidade disso: daquilo “que todos os avisos não vão evitar”; de algo tão sagrado e tão profano, tão intensamente leve e arrebatador – suspensor do juízo; tão esperado e tão temido por todos. Mas o que será isto sem nome ou figura que nos comove?
O sujeito dá pistas: está na natureza, está no dia-a-dia das meretrizes. Só cabe a ele circular (espalhar metáforas ao redor) esta coisa neutra e abstrata. A ele também é negado o acesso direto a isso sem decência e sem censura que, ao longo da canção, vai invadindo o ouvinte: impregnando pele e terra de desejo.

Extraído de http://365cancoes.blogspot.com.br

Tags: abertura / Barreto / Buarque / Dona / Hime / maridos / Nascimento / Pelé / que / sera / Simone / Terra /
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