Outra vez

Isolda

Diz a lenda que, na época que se lançavam LP’s (chamados de vinil), a música de trabalho seria a terceira do Lado A (sim, os discos tinham Lado A e Lado B). Ninguém apostaria que a música de sucesso, que ficaria na história, seria a penúltima música do Lado B. Mas essa é a história da música “Outra Vez”…

Segundo Paulo César Araújo, no livro “Roberto Carlos Em Detalhes” (Ed. Planeta, 2006), Roberto Carlos já gravara algumas músicas dos irmãos Isolda e Milton Carlos, como “Pelo Avesso” e “Um Jeito Estúpido De Te Amar”, em 1976. No entanto, Milton Carlos morreu em 1977, num acidente de carro.

Pouco tempo depois, Isolda estava reunida com amigas, num bar, e estavam relembrando velhos amores do passado, quando Isolda lembrou de um caso de amor antigo, que se chama Nilson Mucini. Narra Paulo César de Araújo:

Lá pelas tantas, as meninas começaram a falar sobre ex-namorados. “Qual foi o maior caso de amor de sua vida?”, perguntou uma delas para Isolda. “Quer mesmo saber? Foi o meu primeiro namorado, o Nilson”, respondeu. Uma outra amiga, que conhecia o caso, provocou: “Se fosse, você já teria telefonado pra ele. Você está solteira e guarda o número dele há muito tempo na sua bolsa. Por que não liga?”. De fato, desde que o namoro dos dois terminara, havia sete anos, eles não mais se haviam falado. Ao longo desse tempo, Isolda casou, descasou e teve dois filhos. Agora estava solteira, e o que teria acontecido com Nilson?

Pois Isolda apostou com a amiga que tinha coragem de ligar sim. E que ligaria naquele momento do telefone do bar. Isolda ligou, mesmo já tendo passado da meia-noite. O próprio Nilson atendeu e, quando quis saber quem estava falando, Isolda respondeu com outra pergunta: “Qual foi o seu caso mais complicado?”. Nilson não pensou um segundo para responder: “Isolda! Caramba, há quanto tempo!”

E assim surgiu a letra da belíssima música “Outra Vez”. Surgiu durante o diálogo entre Isolda e Nilson, começando logo pela famoso trecho: “Você foi o maior dos meus casos…”

“Outra Vez” foi gravada sem nenhuma pretensão de que fosse um dos dez maiores sucessos de Roberto Carlos, como disse, a penúltima música do Lado B (ouça adiante!).

A canção trata de um amor passado e presente, e por isso absolutamente antitético, em que as dificuldades lembradas apenas reforçam o sentimento de amor. A canção remete a algo proibido, complicado, mas absolutamente prazeroso, sincero e intenso, como todo grande amor deve ser.

É uma canção sem refrão, com letra longa, confessional, e que marcou o disco de Roberto Carlos em 1977.

Em uma entrevista ao site www.gumarc.com, Isolda contou um pouco de sua carreira e sobre a história da canção “Outra Vez”:

Vamos agora falar de uma música especial na carreira de Roberto Carlos, “Outra Vez”.

Isolda: “Outra Vez” foi feita logo depois da morte do Milton. Eu fiz a canção e fui para o estúdio com o Sérgio Sá, para gravarmos uma fita demo, para mostrar ao Roberto. Nessa fita havia algumas coisas antigas que eu havia feito com o Milton um pouco antes dele morrer e apenas uma musica só minha, que era “Outra Vez”. Deixei a fita no escritório do Roberto e algum tempo depois liguei para saber se havia alguma novidade. Foi aí que soube que ele havia gravado “Outra Vez”. Sinceramente, eu não esperava que o Roberto gravasse essa música, porque é uma letra muito comprida, não tem refrão e não é nem um pouco comercial. Eu quase não mandei “Outra Vez” naquela fita. E não é que virou um enorme sucesso!

Foi difícil compor “Outra Vez”, esse marco da Música Popular Brasileira?

Isolda: Não. Até que foi fácil compor “Outra Vez”. Um certo dia saí com alguns amigos e começamos a conversar sobre amores antigos. Cada um ia falando do maior romance que teve na vida e eu me lembrei do meu. Aí começou a pintar a letra e também a melodia. Fiz a música até com certa facilidade.

Então você concorda quando Roberto fala, nos shows, que todo mundo já passou por aquela situação?

Isolda: Com certeza. Acho que todo mundo.

“Outra Vez” foi uma música feita para Roberto Carlos gravar?

Isolda: Não, nenhuma das músicas que faço visa um determinado artista para gravá-la. Eu faço o que sinto naquele momento. São coisas que já passei ou que estou passando, mas tudo é muito sincero. Minhas canções são sempre inspiradas em fatos verídicos. É difícil falar do que não se conhece. Acho que usamos a música como terapia, desabafamos no violão, na letra… Quanto à “Outra Vez”, eu nunca pensei que ela fosse estourar. Eu acho a letra muito pessoal, muito íntima, e que só eu iria entendê-la. Com sinceridade, eu mandei essa música para o Roberto Carlos ouvir apenas porque havia sobrado espaço na fita. Para mim não havia nenhuma chance dele gravar e é claro que nunca imaginei tal sucesso. Por isso acho que de intuição sou horrorosa.

Para você, “Outra Vez” é uma história de amor triste ou alegre?

Isolda: Algumas pessoas acham que é uma música de fossa mas a letra não fala de separação. A canção conta a história de um grande amor que existiu, e eu a acho feliz, é a saudade que eu gosto de ter, é uma saudade legal, como diz a letra. É uma saudade feliz.

Algumas pessoas até acham que “Outra Vez” é do Roberto e Erasmo. Como a autora encara isso?

Isolda: Sem o menor problema. Nem ligo! Só de ouvir Roberto cantando a minha música já está ótimo, é maravilhoso!

Roberto Carlos mexeu na letra ou na melodia de “Outra Vez”?

Isolda: Alguma coisa na melodia, mas bem pouca coisa. Na letra não mexeu, não tirou nenhuma vírgula. Isso é incrível, perto do que ele costuma fazer.

Você imagina qual terá sido a reação do Roberto Carlos quando ouviu “Outra Vez”?

Isolda: Não sei, ninguém me contou nada. Conhecendo bem Roberto Carlos, confesso que na época pensei que ele só tinha gravado para me ajudar por causa da morte do meu irmão. Eu não conhecia ninguém no meio artístico; quem agitava tudo, ia atrás dos compositores levando nossas músicas, era o Milton Carlos. Com sua morte, eu tive que começar a fazer essas coisas e isso não foi nada fácil. Por isso imaginei que Roberto havia gravado por amizade.

Como você se sente ao ver a reação positiva do público quando Roberto começa a cantar o primeiro verso de “Outra Vez”?

Isolda: É indescritível. Numa temporada do Roberto no Metropolitan (show “Romântico”, 1998), eu assisti ao show do dia 5 de setembro de um lugar privilegiado, da mesa de som, de frente para a platéia, para mim o melhor lugar. Quando ele começou a cantar e todos cantaram juntos foi uma emoção que eu nunca havia sentido. No final, quando ele dedicou-me o show, quase tive um ataque cardíaco. Sem dúvida essa foi a maior emoção de todas.

Para você, o que há de especial nessa música que toca a todos?

Isolda: Não tenho a menor dúvida. Coloquei na música o mesmo sentimento que coloquei nas outras. Olha que Roberto já gravou dez músicas minhas, mas “Outra Vez” continua sendo imbatível. Por enquanto é a música que marcou a minha vida. Espero que surjam outras assim.

Extraído de http://www.eternasmusicas.com

Roberto Carlos(1977)

 

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Isolda Bourdot Fantucci, autora desta clássica balada romântica, é neta do também compositor Eduardo Bourdot Filho. O pai dele, Eduardo Bourdot, por sua vez, foi parceiro de outro Eduardo, o João Dohmen (conhecido por EPequeno, apesar da boa estatura), em inúmeros sucessos na década de 1920. “Outra vez” é, por certo, o trabalho de maior repercussão da obra autoral de Isolda, e foi lançada pela CBS em novembro de 1977, com suporte orquestral do norte-americano Al Capps, no décimo-sétimo LP de Roberto Carlos, sem título, n. 230025, entrando mais tarde no compacto duplo n. 56516. Houve regravações por Cauby Peixoto, Emílio Santiago (confira em ‘O tempo não apagou’), Altemar Dutra, Nélson Gonçalves, Roberta Miranda e, claro, pelos próprios Roberto Carlos e Isolda, entre outras. Direitos fonográficos reservados à Sony Music Entertainment (Brasil) Ltda. ISRC: BRSME-7700005.

Extraído de Samuel Machado Filho

 

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Os irmãos Isolda e Milton Carlos faziam backing vocal antes de terem a primeira composição gravada por Roberto Carlos, “Amigo, amigos”, o que aconteceu em 1973, com a colaboração do amigo comum Eduardo Araújo.

Daí então os dois passaram a contribuir regularmente para o repertório do cantor, que chegou a incluir duas de suas canções no disco de 76: “Pelo avesso” e “O jeito estúpido de te amar”.

Infelizmente, na noite em que comemoravam este fato, aconteceu na Via Anhanguera o desastre de automóvel que matou Milton Carlos. Arrasada com o desaparecimento do irmão, Isolda sentiu-se comprometida, mesmo sem ele, a continuar enviando composições para Roberto.

Um dia, em 77, estando com amigos num barzinho na avenida Europa, em São Paulo, surgiu de uma conversa sobre ex-namorados a ideia para a melodia e boa parte da letra de “Outra vez”, que a compositora anotou num guardanapo: “Você foi o maior dos meus casos / de todos os abraços / o que eu nunca esqueci / você foi dos amores que eu tive / o mais complicado / e o mais simples pra mim.” Naquela noite, ao chegar em casa, Isolda completaria, ao violão, a romântica canção “Outra vez”. Como não tinha refrão e a letra era muito extensa, ela julgou-a inadequada ao estilo de Roberto, sendo realmente surpreendida ao saber que o cantor a incluíra no elepê de 1977.

Precedida pelos sucessos de “Amigo” e “Falando sério”, faixas do mesmo disco, “Outra vez” só despontaria nas paradas a partir de abril de 78, quando receberia vários prêmios e entraria para o repertório de Altemar Dutra, Simone, Emílio Santiago (confira em ‘O tempo não apagou’), e, no exterior, a orquestra de Ray Conniff (como “Once again”), o cantor Pepino di Capri (como “Ancora con te”) e Armando Manzanero (como “Usted fué”), compositor de quem Isolda tornou-se parceira mais tarde. “Outra vez” é uma das raras músicas não compostas por Roberto Carlos (e Erasmo) que podem ser consideradas clássicos de seu repertório. (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br/

 

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A saudosa Isolda revelou, posteriormente, que a música Outra Vez foi feita pensando no Milton Carlos, após o falecimento dele. Acho isto deveria ser corrigido no site. Cordiais Saudações.

Extraído de Leonardo Costa da Fonte

Tags: Isolda / Outra vez / Roberto /
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Leonardo Costa da Fonte disse:

A saudosa Isolda revelou, posteriormente, que a música Outra Vez foi feita pensando no Milton Carlos, após o falecimento dele. Acho isto deveria ser corrigido no site. Cordiais Saudações. Leo

Salvador disse:

Sua informação, Leonardo, foi incluída no corpo da postagem.