Para um amor no Recife

Paulinho da Viola

Paulinho da Viola, Dilma e um amor no Recife

Publicado por Rui Martins em 05/01/2015

Urariano Mota conta um diálogo no Facebook com a neta de um falecido intelectual comunista.

No relato a seguir não há qualquer ficção. Qualquer semelhança com pessoa viva ou conhecida não é mera coincidência.

Tudo se passou na página do Facebook da neta de um comunista histórico. Ele, um militante já falecido, não tem culpa. E por esse motivo deixo de informar o seu nome, e o da neta, em atenção à memória de um intelectual que honra até hoje o Recife.

Era 29 de dezembro do ano que passou há uma semana. Nessa época, ao se aproximar o dia 31, todos ficamos de repente sentimentais, porque tendemos a ver no fim do calendário a marca do fim de um tempo também em nossas vidas. Daí que a neta se lembrou de Paulinho da Viola, daquela bela canção “Para um amor no Recife”, a cidade mui amada do avô. Daí que eu, em pura e ingênua consciência, uni os dados que se jogavam no Face: post de uma amiga descendente de comunista, composição belíssima de Paulinho, mais a posse da ex-presa política na presidência do Brasil. Então postei nos comentários:

“A propósito, copio do texto ‘A presidenta Dilma, Paulinho da Viola e os brasileiros’, http://blogdaboitempo.com.br/…/a-presidenta-dilma…/ :

Então houve “Para um amor no Recife”. Diziam então que Paulinho fizera essa música para a secretária de Dom Hélder Câmara. As boas e as más línguas (principalmente) acrescentavam que a dedicada senhora vinha a ser a namorada secreta do arcebispo. Entre o sussurro e a maledicência, entre a repressão da ditadura Médici e a resistência serena erguia-se um poema belo, quase autônomo da melodia:

“A razão por que mando um sorriso e não corro, é que andei levando a vida quase morto. Quero fechar a ferida, quero estancar o sangue, e sepultar bem longe o que restou da camisa colorida que cobria minha dor. Meu amor, eu não esqueço, não se esqueça, por favor, que voltarei depressa, tão logo acabe a noite, tão logo este tempo passe, para beijar você”.

Essa é uma canção que só fez melhorar ao longo de todos esses anos. A ditadura não existe mais, o seu motivo imediato não mais existe, mas a composição só vem crescendo, apesar da degradação do Recife, que entra quase incidentalmente no título.

Meus amigos e meus inimigos, a realidade não suporta nem apoia a consciência pura, mais conhecida pelo nome de consciência burra. Eis o que recebi de volta da senhora neta:

“Céus, mas onde é que você foi enfiar o pobre Paulinho?”

Ao que eu, com um leve pé atrás, respondo:

“Em lugar muito próprio: na resistência contra a ditadura”.

E a esta altura recebo o comentário mais claro da netinha:

“Um lugar que não é eterno, como se nota hoje. Logo ela, que apoia outras ditaduras…”.

Olhem, a patada era tão imprevisível, que li e não vi – aquele reflexo em que vemos e nos negamos a ver, porque não acreditamos no que os olhos mostram – e apenas aceitei a primeira parte da frase “Um lugar que não é eterno”. E respondi logo, no automático:

“Longa é a arte”.

Ao que, depois de me dar conta da frase inteira, completei:

“Me surpreende muito este seu comentário: ‘Dilma apoia outras ditaduras’.”

E a senhora neta, à beira da raiva, mas ainda conservando as aparências:

“Não sei por que o surpreende. Mas o fato é que postei uma música linda que nada diz respeito a Dilma. E ponto”.

Então fomos à definição dos termos, e postei:

“Eu relacionei o post com a ditadura, – tem a ver, não? – e com a presa política Dilma, que acalmava as companheiras torturadas com essa música de Paulinho. Alguma reação a esses fatos históricos e humanos?”.

Então a neta biológica se fez mais pura e somente herança de sangue:

“Vou pedir sua licença para apagar todos esses comentários. Afinal, o post é meu e me dou o direito – com razão, a meu ver – de não suportar Dilma. Será só o tempo de lê-lo que tiro todos. O fato de ter sido presa política não é um título honorífico, muito menos vitalício – vide Zé Dirceu e seus cúmplices”.

É claro que nos limites de um post não cabia a discussão que mostrasse uma justiça política, de réus condenados antes do julgamento, em um processo que a mídia chamou de “mensalão”, fenômeno batizado assim por um corrupto dos mais canalhas da República. E talvez até coubessem algumas linhas, se os genes irados não exibissem o nível em que se encontram, quando chamam de ditadura a Venezuela, Cuba e outros países do “eixo do mal”.  A neta do comunista histórico do Recife não era a pessoa que a consciência burra pensava que fosse. Então comentei por fim:

“Não se aperreie não. Eu pensei que a neta herdasse também o espírito socialista do avô. Fui, e pelo visto, já vou tarde”.

O verbo “aperrear” acima foi escrito como uma senha de pernambucano, de nordestino, para alguém cosmopolita. (Vocês nem imaginam que haja recifenses longe da terra que se desejam de outros mundos.) O fato é que rompemos uma amizade que nunca havia existido. E tudo a partir da música de Paulinho e do elogio para a presidenta Dilma. Sei que isso contado parece absurdo, incrível, mas foi assim. Contei o caso como caso foi.

Paulinho da Viola, Dilma e a música na história brasileira

SOBRE ESSE MESMO TEMA, LEIA COLUNA PUBLICADA POR URARIANO MOTA EM JANEIRO DE 2012, NO BLOG BOITEMPO

A presidenta Dilma, Paulinho da Viola e os brasileiros
Publicado originamente no blog do Boitempo, em 17/01/2012
Por Urariano Mota.

Um dia desses notei que a história política do Brasil poderia ser contada pela história da sua música popular. E como sempre acontece em qualquer descoberta, essa conclusão geral me chegou pela insistência, persistência e resistência de alguns casos particulares, individuais, que traziam em si o dom universal e reclamavam lugar. Assim foi, por exemplo, em páginas de Soledad no Recife, quando a ressurreição dos malditos anos da ditadura se fez sob a canção dos tropicalistas. Assim foi quando escrevi sobre Geraldo Vandré, sobre Chico Buarque, sobre Roberto Carlos… assim tem sido em textos mais ambiciosos, escritos sob a música íntima que me acompanha ao narrar o mundo submerso da infância. Que nos acompanha a todos quando recuperamos vidas, melhor dizendo.

Escrevo isso agora a partir de uma revelação do livro “A vida quer é coragem”, de Ricardo Batista, conforme artigo de Alberto Villas:

“…a uruguaia Maria Cristina Uslendi conta que em outubro de 1971, toda vez que voltava das sessões de tortura encontrava Dilma de braços abertos ‘me amparando, me ajudando a usar a latrina quando não tinha forças, me dando sopinhas de colher na boca, me cedendo a parte de baixo do beliche e pondo na vitrolinha de pilhas as melhores músicas da MPB’.
Cristina conta que Dilma sempre pedia a ela que prestasse muita atenção à letra de ‘Para um amor no Recife’, uma canção de Paulinho.”

O quanto isso é verdadeiro. O quanto a música popular foi remédio, cura e perdição da maioria dos brasileiros que estiveram contra a ditadura. O quanto devemos a esses artistas da canção, numa dívida que eles próprios não alcançam o tamanho, mas que é, ao mesmo tempo, motivo de sufoco e prisão para eles, em razão do papel que ganharam à sua revelia. No entanto, importa mais aqui, para não me distanciar do objeto destas linhas, falar alguma coisa sobre o Paulinho da Viola daqueles anos. Assim vamos agora.

Quando “Foi um rio que passou em minha vida” apareceu no Brasil, éramos estudantes numa sexta-feira à noite, numa serenata em Maria Farinha. Achávamos então que a revolução socialista seria a coisa mais natural do mundo. E por ser assim tão natural, nada demais também que ouvíssemos, não se espantem, 41 vezes seguidas, contínua e incansavelmente foi um rio, foi um rio, foi um rio em uma vitrolinha de pilha. Naquele ano, e por que não ainda?, todos nós éramos Paulinho, nessa estranha empatia, mistura de identidades que a verdadeira arte produz. Todos nós repetíamos, e repetimos e repetimos… que “meu coração tem mania de amor, e amor não é fácil de achar”. À maneira de cantar, gritávamos esses versos então.

Depois, morando na Pensão Princesa Isabel, no centro do Recife, Paulinho era ‘Simplesmente Maria’. “Na cidade, é a vida cheia de surpresa, é a ida e a vinda, simplesmente, Maria, Maria, teu filho está sorrindo, faz dele a tua ida, teu consolo e teu destino, Maria…” Nesse tempo, sempre compreendíamos o “faz dele a tua ida” como um “faz dele a tua ira”. Enquanto subíamos a escada para um quartinho isolado no alto, da televisão da sala vinha a música, tema de uma novela. Ela nos lembrava sempre que estávamos sozinhos e sem mãe, cujo nome também era Maria. À hora dessa música sempre esperávamos algum golpe traiçoeiro da polícia que queria nos matar. Sem Maria que nos velasse.

Então houve “Para um amor no Recife”. Diziam então que Paulinho fizera essa música para a secretária de Dom Hélder Câmara. As boas e as más línguas (principalmente) acrescentavam que a dedicada senhora vinha a ser a namorada secreta do arcebispo. Entre o sussurro e a maledicência, entre a repressão da ditadura Médici e a resistência serena erguia-se um poema belo, quase autônomo da melodia: “A razão por que mando um sorriso e não corro, é que andei levando a vida quase morto. Quero fechar a ferida, quero estancar o sangue, e sepultar bem longe o que restou da camisa colorida que cobria minha dor. Meu amor, eu não esqueço, não se esqueça, por favor, que voltarei depressa, tão logo acabe a noite, tão logo este tempo passe, para beijar você”. Esta é uma canção que só fez melhorar ao longo de todos esses anos. A ditadura não existe mais, o seu motivo imediato não mais existe, mas a composição só vem crescendo, apesar da degradação do Recife, que entra quase incidentalmente no título.

Que sorte imensa a nossa de ter sobrevivido aos piores temporais para viver estes anos na maturidade! O que Paulinho anunciava num ‘Samba Curto’, “só me resta seguir rumo ao futuro, certo do meu coração mais puro”, agora vem chegando, agora atinge o seu tempo. Menos puro que o esperado, como é bom esse coração amadurecido pelo crisol, pela lembrança de quando o tínhamos somente dor. O que podemos fazer quando as águias piscam à civilização desse moleque bamba? Tentar, tentar compreendê-lo em uma crônica curta.

Enfim, amigos, que estranho e magnífico poder tem a obra de arte. Quarenta e um anos depois, Paulinho da Viola, Dilma e os brasileiros voltamos a “Para um amor no Recife”.

Urariano Motaescritor e jornalista. Autor do romance Soledad no Recife, sobre o assassinato pela ditadura brasileira da militante paraguaia Soledad Barret, grávida, depois de traída e denunciada por seu próprio amante o Cabo Anselmo. Escreveu também O filho renegado de Deus e seu livro mais recente é o Dicionário Amoroso do Recife. Seu primeiro livro foi Os Corações Futuristas, um romance na época do ditador Garrastazu Médici. Na juventude publicou artigos, contos e crônicas nos jornais Movimento e Opinião.

Direto da Redação é um fórum de debates, do qual participam jornalistas de opiniões diferentes, dentro do espírito de democracia plural, editado, sem censura, pelo jornalista Rui Martins

Extraído de http://www.correiodobrasil.com.br

 

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Alberto Villas

A canção que você fez para mim

por Redação Carta Capital — publicado 05/01/2012

“Para um amor no Recife”, de Paulinho da Viola, confortou a guerrilheira Dilma quando ela estava no presídio

Quem não tem uma canção na vida? Aquela que marcou época, o primeiro beijo, a primeira transa, uma viagem, uma mudança, uma situação inesquecível? Música às vezes funciona como cheiro que quando bate nos faz lembrar. Uma fumaça que passa pode nos levar à beira de um fogão à lenha a quilômetros e quilômetros da metrópole até uma pequena fazenda no sertão.

Músicas perdidas no ar vivem grudadas na memória. Mais de três décadas depois ainda hoje quando ouço Ednardo cantando “Carneiro” viajo até a Rue de la Roquette no outrora mais comunista dos bairros de Paris onde um grupo de exilados ouviu junto a canção pela primeira vez.

“Amanhã se der o carneiro/Carneiro/Vou-me embora pro Rio de Janeiro.”

Tenho um amigo que não pode ouvir “Movimento dos Barcos” na voz de Jards Macalé. Enfiado num terno no décimo andar de um prédio na Avenida Paulista ele tem vontade de vestir uma calça vermelha, um casaco de general, encher os dedos de anéis e sair por aí, pegar um velho navio acreditando que não precisa de muito dinheiro, graças a Deus.

Voltando à França dos anos 1970 ainda me lembro bem daquele sábado de final de dezembro num quarto de hotel em Gobelins ouvindo numa velha fita K-7 ao lado de Augusto Boal a canção que Chico fez pra ele.

“Meu caro amigo, me perdoe, por favor/Se eu não lhe faço uma visita/Mas como agora apareceu um portador/Mando notícias nessa fita/Aqui na terra tão jogando futebol/Tem muito samba, muito choro e rock and roll/Uns dias chove, noutros dias bate sol/Mas o que eu quero é lhe dizer/Que a coisa aqui tá preta/Muita mutreta pra levar a situação/Que a gente vai levando/De teimoso e de pirraça/E a gente vai tomando, que também/Sem a cachaça/Ninguém segura esse rojão.”

O rei Roberto, esperto, soube traduzir bem tudo isso cantando “As canções que você fez pra mim”.

“Hoje eu ouço as canções que você fez pra mim/Não sei por que razão tudo mudou assim/Ficaram as canções e você não ficou.”

Algumas músicas ficam mesmo para sempre. Em 1971, a guerrilheira Dilma Rousseff estava comendo o pão que o diabo amassou no presídio da Avenida Tiradentes em São Paulo e era uma canção que muitas vezes confortava aquelas mocinhas que viviam ali naqueles poucos metros quadrados imundos e fétidos. Cada guerrilheira nova que chegava Dilma a recebia com um acalanto porque não estava fácil segurar o rojão.

A história está muito bem contada no livro “A Vida quer é coragem” de Ricardo Batista Amaral. Quando bati os olhos na página 78, fiquei imaginando Paulinho da Viola lendo aquilo. Será que ele sabia que a futura presidenta do Brasil tinha na cabeça, naqueles momentos de aflição, uma canção sua?

A uruguaia Maria Cristina Uslendi conta que em outubro de 1971, toda vez que voltava das sessões de tortura encontrava Dilma de braços abertos “me amparando, me ajudando a usar a latrina quando não tinha forças, me dando sopinhas de colher na boca, me cedendo a parte de baixo do beliche e pondo na vitrolinha de pilhas as melhores músicas da MPB”.

Cristina conta que Dilma sempre pedia a ela que prestasse muita atenção à letra de “Para um amor no Recife”, uma canção de Paulinho que diz assim:

“A razão por que mando um sorriso/E não corro/É que vou levando a vida/Quase morto/Quero fechar a ferida/Quero estancar o sangue/E sepultar bem longe/O que restou da camisa/Colorida que cobria minha dor/Meu amor eu não esqueço/Não se esqueça, por favor,/Que voltarei depressa/Tão logo a noite acabe/Tão logo este tempo passe/Para beijar você.”

Pois é, existem canções que são verdadeiros rios que passam na vida da gente.

Extraído de http://www.cartacapital.com.br

 

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Nesta belíssima obra gravada por Paulinho da Viola, em 1971 (ouça adiante!), a cidade é o cenário para um amor puro e cristalino. É aquele não vivido, ansiado e ansioso. Talvez, o amor perfeito. “Não se esqueça por favor/ Que voltarei depressa/ Tão logo a noite acabe/ Tão logo este tempo passe/ Para beijar você”, disse Paulinho para este amor em Recife. Neste turbilhão de incertezas, a noite pode nunca ter acabado, ou o tempo e a vida simplesmente os tivessem separado. Mas a promessa, a ela e a Recife, ficou registrada para sempre.

Extraído de http://rollingstone.uol.com.br

Paulinho da Viola(1971)

 

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Em 11 março 2014

MESTRES DE OUTROS CANTOS CANTANDO PERNAMBUCO – PARTE III – PAULINHO DA VIOLA

(Esta série é uma homenagem ao meu mestre e professor de vida Abdias Moura. Inspira-se na idéia de seu livro “O Recife dos Romancistas” – Paisagens – Costumes – Rebeliões – FacForm, 2010)

Paulinho: ‘Para um Amor no Recife’

Paulinho da Viola é um dos compositores brasileiros que mais respeito e gosto de ouvir. É tradicionalista e transgressor, acadêmico e popular. Fez e faz a mais rica e completa transição de gêneros musicais, samba, samba-canção, choro ao longo de um século, nos seus 71 anos.

Para mim, possui a fineza do poeta maior e a compreensão e sensibilidade de um artista sem limites no captar o original, refazê-lo e requintá-lo. Por isso, sempre repito Paulinho, para qualquer tema, o jargão: “Tá legal. Eu aceito o argumento, mas não me altere o samba tanto assim…”.

Depois de trazer Dorival Caymmi com “Dora” e Marcos, Paulo Sérgio Valle e Novelli, com “Pelas ruas do Recife”, desta série “Mestres de outros cantos cantando Pernambuco”, apresento hoje Paulinho da Viola, com “Para um amor no Recife” (que só menciona a cidade no título).

É das mais belas melodias do cancioneiro nacional, com o apoio de uma letra dura, aguda, seca e linda, que só poeta grande pode fazer.

Sempre gostei, entre tantas canções excepcionais de Paulinho, deste “Para um amor no Recife”. Tenho vários parceiros nesta opinião, críticos, estudiosos, compositores, mas principalmente a de um de seus filhos, que revela a preferência no filme “Meu Tempo é Hoje”, de 2003.

A música já foi regravada por Fafá de Belém, Zé Ramalho e Marina Lima (depois da do autor, a melhor gravação) (confira em ‘O tempo não apagou’). Para mim, restou a polêmica: o que tem ver com o Recife uma canção que sequer cita o nome da cidade em seus versos? A minha angústia é antiga e já ensaiei várias hipóteses que pudessem inspirar o compositor a colocar Recife no título. A mais fácil, mas não necessariamente correta é: ele a fez quando de alguma turnê na capital de Pernambuco. Aliás, fico pensando, por que tanto trabalho se já me basta a canção?

Meus amigos o que vou apresentar aqui é a primeira versão, materializada, que encontrei que pode responder à intrigante pergunta.

Colhido no ‘Blog Memória do Samba’, Uraniano Mota (*) diz, em trecho do artigo “Meu Tempo é Hoje”:

“Então houve ‘Para um amor no Recife’. Diziam então que Paulinho fizera essa música em homenagem à secretária de dom Hélder Câmara.

Entre o sussurro e a maledicência, entre a repressão da ditadura Médici e a resistência serena erguia-se um poema belo, quase autônomo da melodia: ‘A razão porque mando um sorriso e não corro, é que andei levando a vida quase morto…..’ Esta é uma canção que só fez melhorar ao longo de todos esses anos. A ditadura não existe mais, o seu motivo imediato não mais existe, mas a composição só vem crescendo, apesar da degradação do Recife, que entra quase incidentalmente no título’. (*) Urariano Mota.

Para não ficar com fonte exclusiva, fui atrás de outros vestígios. Encontrei o artigo “Paulinho da Viola: Meu Tempo é Hoje” no site ‘Acessa.com’, em que o jornalista Fernando da Mota Lima (**) cita, em trecho, analisando a película sobre a vida de Paulinho:

“Ocupo-me agora do núcleo central do filme comprimido no título e na letra do samba de Wilson Batista. Lembro antes disso que Wilson é confessadamente um dos compositores prediletos de Paulinho. Lembro-me ainda, introduzindo aqui uma nota de memória pessoal, de quando o conheci em Recife em meados dos anos 1970, no auge, portanto, do seu sucesso como autor e intérprete de música popular. Fui levado por Jomard Muniz de Britto para jantar com Paulinho, jovem tímido e ainda bem inseguro, e d. Hélder Câmara num apartamento da av. Conde da Boa Vista, onde amigos hospedavam o cantor que horas mais tarde fez um belo e concorrido show no Teatro do Parque…”

De minha parte, além de “Para um Amor no Recife”, as três canções que prefiro de Paulinho são “Sinal fechado”, “Coisas do mundo, minha nega”, e “Choro negro”. Como veem, não são três, mas sim quatro. Difícil, geralmente arbitrário, escolher algumas preferidas num conjunto tão belo de obras musicais.

Extraído de http://www.luizberto.com

Tags: amor / para / Recife / Viola /
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