Retalhos de cetim

Benito di Paula

“Retalhos de cetim” foi composto ao tempo em que Benito Di Paula morava no bairro paulistano da Bela Vista. Curiosamente, embora pianista Benito o compôs ao violão.

Lançado em um show que ele fazia no ‘Teleco-Teco’, “Retalhos de cetim” agradaria em cheio os habituées da casa, entre os quais se incluíam os sambistas Ciro Monteiro e Monsueto.

A propósito, foi muito importante para a vida noturna de São Paulo O sucesso das “casas de samba” da região do Baixo Bixiga, antigo nome da Bela Vista. O fato ocorreu em consequência do esvaziamento do ‘Jogral’, após a morte, em 1970, de seu fundador, o cantor e compositor Luís Carlos Paraná. Então, os frequentadores do famoso bar da rua Avanhandava atravessaram a avenida Nove de Julho para criar na rua Santo Antônio e adjacências um novo núcleo de intensa vida musical fundamentalmente sambístico.

Surgiriam em seqüência casas como o ‘Balaco Baco’, que originou o ‘Teleco-Teco’, depois ‘Da Paróquia’, o ‘Catedral do Samba’ (onde Benito também atuou), o ‘Igrejinha’, que abrigava o público excedente dos demais e outros de menor êxito. Além de Benito, eram atrações habituais nessas casas figuras como Adauto Santos, Pedro Miguel, Chico Matos e Mário Edson.

Mas, voltando a “Retalhos de cetim”, foi graças ao prestígio deste samba que Benito seria convidado a gravar na Copacabana, embora, paradoxalmente, a música escolhida para o compacto de estréia tenha sido “Ela”, mais tarde também gravada por Jair Rodrigues.
Desprezado por ser considerado muito romântico, “Retalhos de cetim” só entraria no segundo compacto (ouça adiante!), iniciando de imediato sua escalada para o sucesso, que projetou o nome do autor no país e até no exterior, onde a composição ganhou gravações como as realizadas pela orquestra de Paul Mauriat e o guitarrista americano Charlie Byrd.

“Retalhos de cetim” conta a história de um sambista que ensaia o ano inteiro, compra surdo, tamborim e uma fantasia de retalhos de cetim para uma cabrocha que jurou desfilar por ele(“Gastei tudo em fantasia / era só o que eu queria / e ela jurou desfilar por mim”).

Mas, como a cabrocha não cumpre a promessa, Benito deu ao samba um tom lamentoso, o que de certa forma induz a participação da platéia nas pausas, uma das razões que o ajudaram a se popularizar: “Mas chegou (mas chegou) o carnaval (o carnaval) / e ela não desfilou / eu chorei na avenida, eu chorei / não pensei que mentia / a cabrocha que eu tanto amei.”

Benito Di Paula – nome artístico do fluminense de Nova Friburgo Uday Veloso — fez de “Retalhos de cetim” número obrigatório de seus shows, em que figura como a penúltima música, sendo a última “Charlie Brown”, grande sucesso de 1975 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jaime Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br

Benito di Paula & Coro(1973)

 

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Sabe lá o que é preparar uma escola para entrar na avenida e a musa não aparecer? Pois foi exatamente isso que aconteceu ao sujeito de “Retalhos de cetim”, de Benito di Paula. Ele ensaiou o ano inteiro para se mostrar (entregar-se) à ela: e ela não desfilou.

A cabrocha (agregando elementos de sensualidade, vitalidade, etnia e ginga) carrega a cadência do coração da escola. É ela (corpo e graça) quem estimula a criatividade de quem faz do carnaval a maior festa da raça brasileira. Ela é a alegria do morro que se oferece ao asfalto.

Na primeira parte da letra o sujeito descreve os passos ao caminho da apoteose: investimentos e expectativas: ensaios, sambas, instrumentos e fantasias. Ele revela o esforço físico de dormir sobre retalhos de cetim (as sobras do luxo) para que a escola tivesse as finanças da beleza. A descrição serve para estabelecer a empatia no ouvinte para o que virá.

O problema é que no meio do caminho tinha uma pedra: a adversativa “mas”: e tudo muda a partir do uso do “mas”. A musa mentiu: jurou e não foi. Agora, dentro do sujeito, todo o ano é tempo perdido. Tudo é em vão quando o objetivo não é atingido. Aqui, o fim não justificou os meios.

“Retalhos de cetim” já recebeu boas interpretações. A versão do grupo Casuarina, registrada no disco Samba Social Clube Vol. 2 (2009) (confira em ‘O tempo não apagou’), investe no estado de fracasso íntimo da voz que canta. A mensagem da letra encontra amparo temático na melodia. Os instrumentos (destaque para a cuíca) parecem sofrer tanto quanto a voz.

Importa perceber que todos os verbos estão conjugados no passado, restando a certeza de que, se até o amor pela cabrocha passou, ao menos, a escola estava bonita e o carnaval aconteceu. Eis o derradeiro consolo possível para o sujeito sem a alegria que viria da contrapartida da presença da musa.

A tristeza individual contrasta com a alegria do carnaval ao redor. O sujeito concentra em si o núcleo duro da festa: o quanto cada um precisa ceder para que o show não pare. A escola estar bonita é tudo o que interessa, mesmo que por trás do brilho haja – e há – muito desamparo. Afinal, é quando tem os olhos furados que o assum preto canta melhor. Resta ao sujeito mentir a própria dor para que todo mundo suponha que ele é feliz.

Extraído de http://365cancoes.blogspot.com.br

 

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Uday Veloso ganhou fama nacional com o pseudônimo de Benito Di Paula. Nascido em 1941, em Nova Friburgo-RJ, é um dos grandes nomes da canção nacional dos anos 70. Foi crooner de boates do Rio de Janeiro, e depois continuou tocando na noite paulistana. Iniciou carreira pela gravadora Copacabana no início dos anos 70. Seu estilo musical é conhecido como “samba jóia”, ao combinar o samba tradicional com piano e arranjos românticos e jazzisticos. Seu primeiro disco “Benito Di Paula” de 1971, foi censurado por trazer a música “Apesar de você” de Chico Buarque.

Seu segundo LP, “Ela” também não trouxe grande êxito. Mas estourou as paradas com o terceiro, “Um Novo Samba”, onde já aparecia na capa com sua longa barba e cabelos, inúmeras correntes, brincos, pulseiras, etc. O grande sucesso desse disco foi a música “Retalhos de cetim”.

Extraído de Granuhha no Youtube

 

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“Não pensei que mentia, a cabrocha que eu tanto amei”

Sambista fluminense de Nova Friburgo, Benito di Paula precisou vir para São Paulo para “estourar”. Em uma época que o samba era movido pela malandragem, Benito propôs um romantismo maior no samba, retomando o que era tocado nas década de 50. O que futuramente ficaria conhecido como samba-joia, foi rejeitado na época e só ganhou status após o sucesso de “Retalhos de cetim”.

Com a canção, o compositor conseguiu um contrato com a gravadora Copacabana, uma das principais da época. Mesmo assim, a canção só aparece no segundo disco do cantor com a gravadora, o disco homônimo que ficou conhecido mundialmente.

“Retalhos de cetim” conta a história de um sambista que ensaia um samba, compra fantasias e fantasias para uma cabrocha que jurou desfilar para ele, mas que não cumpriu a promessa. O sambista, melancólico, fica muito triste e desabafa. O refrão ficou muito conhecido e é cantado por todo o público nos shows de Benito.

Um samba melancólico, romântico e tocado brilhantemente no piano. Assim é o samba-joia de um sambista de primeira chamado Benito di Paula.

Extraído de https://musicasbrasileiras.wordpress.com

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