Rosa de Hiroshima

Gerson Conrad & Vinícius de Moraes

Em 1954, Vinicius de Moraes escreveu “A Rosa de Hiroshima”, um poema que se refere à bomba atômica como “rosa radioativa”, promovendo uma tocante reflexão sobre os limites da razão humana no uso da ciência e da tecnologia.

Extraído de http://noticias.terra.com.br

 

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O grupo “Secos e Molhados” revolucionou (e redefiniu) a performance dos intérpretes de canção no Brasil. Com uma atitude pós-tudo (desbundamento total) os integrantes colocaram a androginia no centro das discussões estéticas.

Além disso, chamaram à cena a hibridação brasileira e latino-americana. Causaram pane nas meias verdades que nos constituem.

Já no nome do grupo – Secos e molhados – encontramos referência ao arcaico, tendo em vista que tal expressão servia (serve ainda hoje) para designar pequenas barracas (que vendem de um tudo) nas feiras livres.

Já a contraparte moderna fica por conta das letras com linguagem coloquial e nonsense e das situações (desconcertantes para muitos) que a presença física dos rapazes causavam nas certezas do “macho adulto branco sempre no comando”.

Mas o desbunde, ao contrário do que se pensou (talvez ainda se pense) não representou alienação social e/ou artística. A gravação de “Rosa de Hiroshima”, de Vinicius de Moraes e Gerson Conrad, aponta isso.

Gravada no primeiro (e antológico) disco – Secos e Molhados (1973) (ouça adiante!) -, a canção, um poema musicado, estruturada por nove dísticos (estrofes com dois versos cada), é um libelo que estimula o ouvinte, para além do rebolado do corpo, ao pensamento, não menos libertário e libertador do que a proposta do grupo. No caso, sobre a barbárie da guerra. Fluida, mas com marcas imprevistas, a rosa se evapora: pega e mata.

Aqui, o uso do dístico como recurso poético, agrega exatamente a ideia de que juntos (em dois) é mais fácil pensar (a canção pede isso três vezes) e não esquecer as consequências da estupidez da “rosa radioativa”.

A mensagem é direta e a beleza fica por conta da interpretação em ritmo de oração (súplica) de um Ney Matogrosso (sujeito e objeto não identificado) embriagado de vontade de potência. A voz que canta é a de um ser místico vindo dos rincões do Brasil, a fim alertar e despertar consciências. A voz que canta é a voz da liberdade do desejo de vida. E vida em abundância.

Extraído de http://365cancoes.blogspot.com.br

Secos e Molhados(1973)

 

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“Rosa de Hiroshima” é um poema de Vinícius de Moraes, musicado por Gerson Conrad na canção “Rosa de Hiroshima” da banda “Secos & Molhados”. Fala sobre a explosão atômica de Hiroshima. O poema alude aos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki ocorridos na Segunda Guerra Mundial.

“Rosa de Hiroshima” foi lançada no ano de 1973, no disco de estreia do grupo. Foi a única canção creditada a Gerson Conrad no álbum. A canção é um grito pacifista e anti-nuclear, lançada em plena ditadura no Brasil. Foi apresentada ao vivo no espetáculo histórico do grupo no Maracanãzinho em meados de 1974 (veja e ouça adiante!).

A música foi a décima terceira mais executada nas rádios brasileiras no ano de 1973. Em 2009, a revista Rolling Stone brasileira listou “Rosa de Hiroshima” como a número 69 entre “As 100 Maiores Músicas Brasileiras”.

Ney Matogrosso regravou, e apresentou ao vivo esta canção em carreira solo. Arnaldo Antunes regravou esta canção para o disco “Assim Assado – Tributo ao Secos & Molhados” que comemorava os 30 anos do Secos & Molhados, lançado em 2003 (Confira em ‘O tempo não apagou’).

Na primeira parte do poema, os versos são formados por cinco sílabas, tendo começos e fins definidos por consoantes que os separam. Além disso, a primeira sílaba é sempre tônica para marcar o começo de um novo verso. Perceba:

Pen sem nas cri an/ ças
Mu das te le pá/ ticas

Isso dá um ritmo mais cadenciado à leitura dos versos, como que criando fotos e dando tempo para que o leitor realmente “se lembre” das imagens que o poeta quer passar e reflita. Cada par de versos, uma foto.

Então chegamos aos versos que ficam ao meio do poema:

Mas, oh, não se esqueçam / Da rosa da rosa

Até aí, as imagens eram sobre as consequências da bomba atômica e sua radioatividade. Agora, ele pede que nos lembremos da bomba, em si, simbolizada pela rosa em alusão à flor de dejetos e fumaça que a bomba criou. E, a partir daí, o poema muda.

Os versos passam a ter seis sílabas e todos fazem parte de uma única imagem – a da bomba portanto, devem ser interligados. Como fazer isso? Produzindo uma sinérese entre vocábulos e versos (ligando duas vogais, a do fim da última palavra de um verso com a do início do próximo verso, num fonema só). Por isso desde o início da nova foto, “Da rosa de Hiroshima”, todos os versos são terminados em vogal e iniciados com outra. Veja:

Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida

O poema termina com uma última parte, com dois versos, novamente em redondilha menor (cinco sílabas) e iniciados em consoantes:

Sem cor sem perfume / Sem rosa, sem nada

Mostram novamente, as consequências da bomba, deixando o local desabitado, sem vida.

Extraído de http://www.eternasmusicas.com

Secos e Molhados ao vivo(1974)

Tags: Conrad / Hiroshima / Matogrosso / Rosa / Secos / Vinicius /
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