Rosa

Pixinguinha & Otávio de Souza

Uma das mais belas canções da história do choro é a valsa “Rosa” do mestre Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha. Um primor tanto na versão original, sem letra, quanto na versão mais conhecida com letra de Otávio de Souza. Além da beleza ímpar, a música possui algumas curiosidades.

Segundo o próprio autor, a valsa foi composta em 1917 e o título original era “Evocação” (ouça adiante!), só recebendo letra muito mais tarde. Como manda a regra e a tradição do chorinho, a música foi composta em três partes. Mais tarde, recebeu letra apenas para primeira e segunda partes e foi gravada e regravada muitas vezes dessa forma. Há alguns anos atrás, a versão original, em três partes e sem letra, foi regravada para o box “Choro Carioca, Música do Brasil” lançado pela gravadora Acari.

“O autor dessa letra é Otávio de Souza, um mecânico do Engenho de Dentro, bairro carioca, muito inteligente e que morreu novo.”

(Pixinguinha)

A letra de “Rosa” é um capítulo à parte. Rebuscada, parnasiana e lindíssima foi composta pelo improvável Otávio de Souza, um mecânico de profissão que morreu jovem e nunca compôs nada parecido com “Rosa”. Um compositor de uma única música, uma obra prima.

Conta a lenda que Otávio de Souza se aproximou de Pixinguinha enquanto o mestre bebia em um bar do subúrbio carioca para falar que havia uma letra que não saía de sua cabeça toda vez que ouvia a valsa. Pixinguinha ouviu e ficou maravilhado.

A gravação feita por Orlando Silva foi a responsável pela popularização de “Rosa”, com erro de concordância e tudo no trecho “sândalos dolente”. Francisco Alves e Carlos Galhardo deixaram de gravar “Rosa” por terem se recusado a gravar “Carinhoso” destinado ao Lado A do mesmo disco. Sobrou, então, a valsa para Orlando Silva, que lhe deu interpretação magistral.

“Rosa” é uma linda valsa de breque, mas de difícil interpretação vocal, especialmente para o uso de legatos, já que as pausas naturais são preenchidas por segmentos que restringem os espaços para o cantor tomar fôlego. Quanto à letra, é também um exemplo do estilo poético rebuscado em moda na época. O desafio de regravar “Rosa” foi tentado por alguns intérpretes, sendo talvez o melhor resultado obtido por Marisa Monte, em 1990, com pequenas alterações melódicas (confira em ‘O tempo não apagou’).

Outra curiosidade é que “Rosa” era a canção preferida da mãe de Orlando Silva, Dona Balbina. Após sua morte, em 1968, Orlando Silva jamais voltou a cantar a canção pois sempre chorava.

Extraído de http://www.eternasmusicas.com

Rosa (Pixinguinha) – Pixinguinha e Conjunto(1917)

 

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Valsa-canção clássica, que Pixinguinha compôs em 1917 e gravou pela primeira vez nesse mesmo ano, em solo de flauta. Vinte anos mais tarde, surgiu o primeiro registro cantado, exatamente este, em antológica e inesquecível interpretação de Orlando Silva, feito na Victor em 28 de maio de 1937 e lançado em julho do mesmo ano, sob número de disco 34181-B, matriz 80424 (ouça adiante!). Há controvérsias quanto a autoria da letra, que, segundo alguns historiadores, teria sido escrita por Otávio de Souza, um mecânico que morava no bairro carioca do Méier. O fato é que “Rosa”, na voz de Orlando Silva, ingressou definitivamente entre os clássicos de nossa música popular, e mereceria inúmeras regravações (confira em ‘O tempo não apagou’). Confira também o lado A, o não menos clássico “Carinhoso”. Direitos fonográficos reservados á Sony Music Entertainment (Brasil) Ltda. ISRC: BRBMG-3700031.

Extraído de Samuel Machado Filho

Rosa (Pixinguinha & Otavio de Souza) – Orlando Silva & Regional RCA Victor(1937)

 

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11 canções essenciais da música popular brasileira

Por FERNANDO PACÉLI SIQUEIRA

Pixinguinha, o flautista virtuose, não foi o precursor do chorinho, todavia foi o responsável pela sua consolidação como gênero musical. Compôs centenas de peças que o consagraram como instrumentista, compositor e também como o primeiro arranjador musical do cenário nacional. Dentre as obras escritas por ele, uma conduz uma peculiaridade ímpar, pelo fato de ter sido composta como um autêntico chorinho, em três partes. Na época, recebeu o nome de “Evocação”. Vinte anos após a primeira gravação instrumental do choro “Evocação”, Pixinguinha conhece em um bar suburbano do Rio de Janeiro o mecânico Otávio de Souza, que lhe expõe um inacreditável poema que havia feito exclusivamente para aquela música. Com um refinamento inesperado e usando um português clássico, o chorinho “Evocação” se tornou a Valsa “Rosa”, pois a letra abarcava somente as duas primeiras partes do choro. A primeira gravação ganhou uma interpretação célebre e memorável de Orlando Silva.

Extraído de http://www.revistabula.com

 

Tags: Orlando / Otávio / Pixinguinha / Rosa / Victor /
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mario telmo gottlieb disse:

O fato interessante é que não citam o nome de Otavio Souza como compositor na maioria das vezes. Inclusive quando apresentou a Orlando Silva iniciava com ; Você e não tu, que foi sugerido pelo cantor;

Antônio Carlos Amalfi Meca disse:

Algumas músicas, Rosa e Carinhoso são duas delas, jamais deveriam ser gravadas por outro intérprete, de tão marcantes que foram as gravações originais. Apesar de fã incondicional de Francisco Alves, O Rei da Voz, duvido que se gravasse essas duas jóias, conseguisse por nelas a “alma” que o Cantor das Multidões conseguiu colocar

José Vasconcelos (Vasco). disse:

Creio que não é correto negar a autoria da letra a Otávio, principalmente se baseando no fato de se tratar de mecânico, pessoa simples. Sob vários aspectos isto é uma bobagem. Pessoas simples fazem grandes obras o tempo todo por todo o mundo. Note por exemplo o caso de Cartola, homem simples, que não tem origem acadêmica e presenteou o mundo com construções e procedimentos artístico musicais invejáveis e de altíssima qualidade e de gosto irretocável. Além do mais, quantos homens e mulheres, na história da humanidade, independente de formação acadêmica, trouxeram contribuições maravilhosas em vários ramos do conhecimento e da arte. Abraços.

Bruno Pessoa disse:

Alguém tem informações sobre Otávio de Sousa, quem seria, etc? Porque na internet há poucas referências… e dada a qualidade de sua escrita, seria bom conhecer mais dele, ou se produziu outras letras… (21-982076334)