Sá Marina

Antonio Adolfo & Tibério Gaspar

Samba clássico da MPB, de autoria da dupla Antônio Adolfo – Tibério Gaspar, também conhecido como “Descendo a rua da ladeira”, primeiro verso da letra. Muito bem interpretado por Wilson Simonal, com teclados e suporte orquestral de César Camargo Mariano, foi lançado com enorme sucesso pela Odeon, em junho de 1968, no compacto simples n. 7B-298-A, e mais tarde seria faixa de abertura do LP “Alegria, alegria – vol. 2, ou Quem não tem swing, morre com a boca cheia de formiga” (ouça adiante!). “Sá Marina” teve ainda regravações por Agostinho dos Santos, Márcio Lott (confira em ‘O tempo não apagou’) e Ivete Sangalo, entre outras. Direitos fonográficos reservados à Universal Music International Ltda. ISRC: BREMI-6800039.

Extraído de Samuel Machado Filho

Wilson Simonal & Coro & Cesar Camargo Mariano e Orquestra(1968)

 

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Já nos tempos de adolescente o pianista Antônio Adolfo tocava no Beco das Garrafas, integrando o conjunto ‘Samba Cinco’ ou participando de sessões de jazz e de bossa nova. Em 1967, quando liderava o Trio 3-D e tinha quatro elepês gravados, iniciou uma parceria com o letrista Tibério Gaspar, vivendo a dupla nos quatro anos seguintes uma fase de grande sucesso, com participações assíduas em festivais e trilhas sonoras de novelas.

São dessa época composições como “Meia-Volta”, “Juliana”, “Teletema”, “BR-3” e a popularísssima “Sá Marina”: “Descendo a rua da ladeira / só quem viu pode contar / cheirando a flor de laranjeira / Sá Marina, eh! vem pra dançar…”.

Lançada em 1967 pelo conjunto ‘O Grupo’ (ouça adiante!), a canção estourou com Wilson Simonal no começo do ano seguinte, permanecendo por dezenove semanas nos primeiros lugares das paradas de sucesso. Uma toada-moderna, segundo o próprio Adolfo, “Sá Marina” é produto de uma tendência muito em moda na época, que procurava juntar influências harmônicas da bossa nova a estruturas tradicionais da música brasileira, no caso a toada.

Pode ser incluída naquela vertente de “Andança” e “Viola enluarada”, canções filiadas, como foi dito, ao estilo Milton Nascimento, apresentando, porém, “Sá Marina” características mais dançantes, com seu ritmo bem marcado e ligeiramente aproximado do iê-iê-iê (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Extraído de http://cifrantiga2.blogspot.com.br/

O Grupo(1967)

 

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REALMENTE CONCORDO COM A OBSERVAÇÃO DO ADONIS (Adonis Karan). A LETRA DA MÚSICA CONTA A HISTÓRIA DE UMA MULHER QUE MORAVA NUMA CIDADE DO INTERIOR E CONTAGIAVA TODOS COM A SUA ALEGRIA EXUBERANTE. ADMIRADA POR MUITOS E NATURALMENTE EXECRADA PELAS MULHERES CERTO DIA MUDOU-SE PRA NITERÓI. A SUA PARTIDA PROVOCOU UM VAZIO EM TODOS. E FOI ENTÃO QUE “DEIXANDO VERSOS NA PARTIDA E SÓ CANTIGAS PRA SE CANTAR, NAQUELA TARDE DE DOMINGO FEZ O POVO INTEIRO CHORAR”. SIM, A CIDADE INTEIRA CHOROU SENTINDO A FALTA DAQUELA MULHER QUE ENCHIA DE ALEGRIA TODOS OS LUGARES POR ONDE PASSAVA. SEM ESSE VERSO FINAL A LETRA FICOU BANAL E PERDEU A TONALIDADE POÉTICA QUE PROCURAMOS DAR AO TEXTO. INFELIZMENTE SÓ PERCEBI ESSA MUTILAÇÃO APÓS O LANÇAMENTO DO DISCO. NÃO CULPO A IVETE (Sangalo) E SIM O PRODUTOR QUE NUM RASGO DE “ILUMINAÇÃO BURRA” MUDOU A MUSICA QUE ESCREVEMOS E, O QUE É PIOR, PASSOU UMA COISA ADULTERADA PARA AS GERAÇÕES VINDOURAS (confira em ‘O tempo não apagou’). A GRAVAÇÃO DO SIMONAL É IRRETOCÁVEL E ETERNA.
QUERO SABER A OPINIÃO DE VOCÊS: DEVO CORRER ATRÁS DESSE PREJUIZO?

Extraído de Tibério Gaspar

 

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Sá Marina. A história do maior sucesso de Simonal

Em 02/10/2015, por Sebastian Bam

Quando Wilson Simonal gravou “Sá Marina”, em 1968, todo mundo imaginou aquela mulher que descia a rua da ladeira, com sua saia branca costumeira, e que cheirava a flor de laranjeira…

Essa canção, uma letra de Tibério Gaspar para uma música de Antonio Adolfo, relata uma paixão de Tibério por sua professora no interior do Rio de Janeiro, quando ele tinha 8 anos.

A história é contada no volume 1 do livro “Então, foi assim” de Ruy Godinho, sobre a professora que morava na cidade de Anta-RJ.

“Na cidade morava uma professora chamada Brasilina, uma mulher loura, bonita, desejada pelos homens e odiada pelas mulheres. Ela morava na Rua da Ladeira (…) E quando ela saía de casadescendo a rua, os pudores se reviravam. Enquanto os homens babavam, as mulheres cuspiam na calçada, batendo janelas.(…)

‘Eu amava essa mulher’, afirma um saudoso Tibério. ‘Uma vez engendrei um plano audacioso. Eu tinha uns oito anos. Aproveitando o fato de minha mãe ser amiga dela, pedi que me levasse junto quando fosse visitá-la. E assim aconteceu após alguns dias. Minha mãe chamou-me e fomos pra casa de Brasilina. Chegando lá, pus em prática o meu plano de ‘assédio sexual’. Propositalmente esqueci um pente no sofá da sala na hora de ir embora. Minha intenção era voltar à noitinha para resgatá-lo. Tudo certo. Fiz tudo como planejara. À noite dei uma escorregada até a casa da professora e….

Tibério, tímido, não teve coragem.

Ficou plantado na porta.

O pente ficou lá, esquecido.

Um belo dia, Brasilina foi embora. Resolveu morar em Niterói, e a vida de Anta voltou a ter a monotonia de sempre…

Foi assim que Brasilina inspirou Tibério a fazer a letra da canção, só mudando o nome da musa para Sá Marina, que era mais musical…

Conta Tibério ainda sobre a canção…

Interessante é que anos mais tarde, depois que a música fez sucesso, eu fui procurado pelo programa de Flavio Cavalcanti. O programa dele tinha o quadro “Os compositores e suas musas”. Daí ele me chamou para falar sobre Sá Marina. Contei que não sabia com precisão onde morava. Sabia apenas que ela havia se mudado para Niterói. 

A produção do programa foi atrás de Brasilina. (…) Ela falou que conhecia a música, que tinha adorado tudo que estava sendo falado, mas que não queria ir ao programa, não queria que tirassem fotografias e que nem a filmassem. “Quero que Tiberinho continue a ter a mesma ideia de mim, como eu era antigamente. Agora estou velha e não quero que ele me veja assim…”

E assim surgiu um dos maiores, se não o maior sucesso de Simonal… e a canção teve mais de 300 gravações… E ainda dá para imaginar a moça descendo a rua da ladeira, provocando rebuliço naquela cidade do interior…

Extraído de https://musicaemprosa.wordpress.com

Tags: Adolfo / grupo / Mariano / Marina / Simonal / Tibério /
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