Samba de verão

Marcos Valle & Paulo Sergio Valle

Uma espécie de temporão da bossa nova, “Samba de Verão” lembra o estilo que consagrou a dupla Menescal e Bôscoli. Aliás, um ídolo de Marcos Valle, Roberto Menescal seria não por acaso um dos primeiros a conhecer o “Samba de Verão”, quando o próprio autor mostrou-lhe a composição, ao violão, na Pedra do Arpoador, provocando o auspicioso comentário: “Vai ser um estouro.”

Marcos havia concluído a música sem maior esforço, tentando transmitir o seu lado esportivo de surfista, bem como o clima de sensualidade das praias cariocas. Como vaticinara Menescal, “Samba de Verão” foi um grande sucesso. Lançada ainda sem letra pelo grupo “Os Catedráticos”, de Eumir Deodato (ouça adiante!), a composição teve a sua estréia cantada no elepê O compositor e o cantor, que foi o segundo de Marcos Vale, seguindo-se várias versões que a tornaram uma das mais gravadas em 1965 (ouça adiante!).

Dois anos depois, estourou nos Estados Unidos, em gravação do Walter Wanderley Trio (ouça adiante!). Por conta desse sucesso, Marcos seria convidado para se apresentar no show de tevê de Andy Williams, que também gravou “Samba de Verão”, além de outros artistas como Johnny Mathis, Caterina Valente e Connie Francis, em versão de Norman Gimbel que, curiosamente, aparece nos discos ora como “Summer Samba”, ora como “So Nice” (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br

Os Catedraticos(1963)

Marcos Valle(1965)

Walter Wanderley Trio(1967)

 

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Clássico da bossa nova, de autoria dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, bastante conhecido e regravado. O registro original, é o lançado pela Philips em 1964 no LP “A grande bossa dos Cariocas”, e igualmente faixa de abertura do compacto duplo de mesmo nome, n. 440676PT. Direitos fonográficos reservados à Universal Music International Ltda (ouça adiante!).

Extraído de Samuel Machado Filho

Os Cariocas(1964)

 

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“Samba de verão”, de Paulo Sergio Valle e Marcos Valle, gravada por este no disco ‘Braziliance: a música de Marcos Valle’ (1967), é um clássico que ajuda a esquentar o clima da estação dos corpos ao sol.

Dividida em duas partes, “Samba de verão”, na primeira, tem o sujeito falando com um amigo, ou melhor, chamando a atenção do outro para ver a menina que passou: “você viu só que amor?”.

Aqui, percebemos a sutileza da mistura daquilo que é falado com aquilo que é cantado: esta primeira parte da letra funciona, muito bem, como a fala de um indivíduo que, com outro (amigo), está “azarando” as garotas do Leme ao Leblon.

Lida, sem acompanhamento instrumental, esta parte mostra a sofisticada captação da palavra falada coloquial e sua impressão na canção: na palavra cantada. É uma “fala” que pode ser ouvida, a qualquer instante e emitida por qualquer um, na orla carioca.

O sujeito, deslumbrado com a beleza da coisa mais linda, mais cheia de graça, que passou, nem parou, mas olhou só para ele, promete ao amigo (e a si) que, caso ela volte, ele tomará uma atitude em direção ao encontro erótico-afetivo: vai “dizer que o amor foi feitinho pra dar”.

Ao final, descobrimos que o parceiro do sujeito na empreitada não é outro senão nós mesmos: os ouvintes. Ao dizer “falo só”, o sujeito demonstra a irredutível solidão humana: é através do canto, do cenário montado, que ele chega ao outro: a nós. Que, por nossa vez, não conseguimos captar a beleza do instante, caso não fizermos o mergulho no mar que a menina carrega no olhar. A cumplicidade necessária entre cantor e ouvinte está aqui rascunhada: uma beleza.

Noutro plano, podemos inferir que o sujeito está “falando” com o sol, o mar: com o próprio verão que, com suas luminosas e quentes manhãs, proporciona a visão da menina motor da canção: do “samba de verão”.

É na segunda parte que o sujeito se revela: entoa o canto do convite ao amor: “hoje sim, diz que sim, já cansei de esperar, nem parei, nem dormi, só pensando em me dar”. Amar é dizer sim à vida: “façamos, vamos amar”, sugere.

O samba de verão une, portanto, amizade (a “caça” compartilhada entre o sujeito e o ouvinte) e o amor (o canto da beleza da menina, que tem seu caminhar figurativizado pela melodia cíclica e malemolente): enche os dias de sol com mais azul, mais luz, como o verão: quente o coração.

Extraído de http://365cancoes.blogspot.com.br/

Tags: Cariocas / Catedráticos / Nice / valle / Verão / Wanderley /
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