Saudosa maloca

Adoniran Barbosa

O cunho descritivo e a reprodução perfeita dos linguajares caipira e paulistano italianado, próprios dos ambientes em que viveu Adoniran Barbosa, são as características básicas do estilo que o tornou o compositor mais popular da cidade de São Paulo. Sem dúvida, essas características já aparecem em seu primeiro sucesso nacional, o samba “Saudosa maloca”, que narra o episódio da demolição de uma “casa véia”, refúgio de um grupo de desvalidos, para a construção de um “arto” edifício.

Espontâneo, espirituoso, personagem ele mesmo de alguns de seus sambas, Adoniran (que foi grande comediante de rádio, destacando-se como o personagem Charutinho, no programa “História das Malocas”) é um dos melhores intérpretes de sua obra, só igualado, talvez, pelos “Demônios da Garoa”, que popularizaram “Saudosa maloca” (Confira em ‘O tempo não apagou’). Aliás, esta composição já havia sido gravada por Adoniran, com o título de “Saudade da maloca” (ouça adiante!), quando o pessoal do conjunto a conheceu nos sets de filmagem de “O Cangaceiro”. Na ocasião, Adoniran fazia uma ponta no filme, enquanto os Demônios formavam o coro dos cangaceiros.

Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br

Saudosa maloca ou Saudade da maloca (Adoniran Barbosa) – Adoniran Barbosa & Coro & Nelson Miranda e Conjunto(1951)

 

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João Rubinato, o Adoniran Barbosa, era considerado uma espécie de cronista das coisas de São Paulo. Suas músicas retratavam, de forma simples e convincente, o cotidiano da cidade e suas relações.

Frutos deste profundo senso de observação do compositor de “Trem das onze”, muitas músicas foram compostas com base em fatos ou personagens reais. Nem sempre a história era fiel ao fato, mas muitas vezes o personagem era real.

Um samba famoso do sambista, envolveu, além de um personagem, um fato real. O escritor André Diniz, no seu livro “Almanaque do Samba”, da editora Zahhar conta que, certo dia, Adoniran Barbosa saia da sua casa para passear com seu cachorro Peteleco, quando encontrou “Mato Grosso”. O amigo estava transtornado: contou que o prédio que morava seria demolido.

Ao retornar para casa, condoído com a situação do amigo, o maior compositor de samba de São Paulo, compôs “Saudosa maloca”, um dos maiores sucessos da música brasileira, cantada por dez entre cada dez sambistas do Brasil.

Extraído de http://www.drzem.com.br/

 

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Como repórter musical, Adoniran ouviu a história de dois feirantes que haviam sido despejados de um cortiço prestes a ser demolido.
Adoniran colheu os fatos, colocou-se na história e fez um clássico de nossa música.

Uma casa abandonada ocupada por três sem-teto, a retomada do imóvel, sua demolição e a construção de um edifício em seu lugar – fatos tão comuns nas cidades brasileiras, que é difícil imaginar uma canção baseada nestes.

A canção tem início com Adoniran evocando a lembrança de um “senhor” para o fato de que o edifício alto fora antes uma casa habitada por ele, Matogrosso e o Joca – três sem-tetos.

A maloca era o lar dos três até que o dono do imóvel ordenou que fosse posta abaixo.

“Cada ‘táubua’ que caía, doía no coração”. Matogrosso não protesta, impedido por Adoniran, argumentando legalidade.
Conformados por Joca (“Deus dá o frio conforme o cobertor”), deixam o lugar para ocupar a grama da praça e cantar que os melhores dias de suas vidas foram vividos no casarão abandonado.

“Saudosa maloca” narra a situação daqueles que não têm onde morar e invadem casas abandonadas. Adoniran descreve a verticalização das metrópoles brasileiras e as conseqüências sociais da cena urbana moderna.

A música foi composta em 1951 e São Paulo já era a maior cidade da América do Sul. Adoniram chegou a gravá-la no mesmo ano sem alcançar repercussão.

O sucesso veio com a interpretação dos Demônios da Garoa, em 1955.

O conjunto vocal – ainda em atividade – foi e ainda é o maior divulgador da obra de Adoniran Barbosa.

Ele cantou São Paulo como ninguém. Retratou seus habitantes, seus bairros e situações: despejos, festas, metrô, atropelamentos, noivados, casamentos. Mas não pense, você leitor, que Adoniran era tristeza – era pura ternura, irreverência e humor em suas composições.

Extraído de http://www.phonopress.com/

Tags: Adoniran / Demônios / maloca / saudade / saudosa /
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