Tenha pena de mim

Babaú da Mangueira & Ciro de Souza

Frequentadores do “Café Nice” faziam, vez por outra, incursões a um tal “Clube da Malha”, que ficava num barracão no alto do Morro de Mangueira. Lá bebiam e confraternizavam com os boêmios do lugar, formando animadas rodas de samba. Como nessas reuniões bebia-se muito, estava sempre a postos um rapaz, empregado da birosca que reabastecia o grupo. Para isso tinha, a todo o momento, que descer e subir o morro, pois a birosca ficava lá embaixo.

O tal rapaz – que se chamava Valdomiro José da Rocha, mas era conhecido como Babaú – tinha vocação musical e, um dia, aproveitando a presença dos visitantes, mostrou ao compositor Ciro de Souza um esboço de samba de sua autoria. Ao contrário do que acontece geralmente, o samba do principiante era muito bom: “Ai, Ai meu Deus / tenha pena de mim /(…)/ trabalho não tenho nada / não saio do miserê / ai, ai meu Deus/ isso é pra lá de sofrer…”.

Então, Ciro (segundo depoimento que realizou para o Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, em 09/08/1984) deu uma ajeitada nos versos, acrescentou-lhe uma segunda parte e logo o samba do Babaú estava fazendo sucesso no carnaval, cantado por Araci de Almeida (ouça adiante!). Tanto sucesso que até provocou um protesto de Sílvio Caldas, inconformado com o fato de Ciro de Souza ter entregue a música a Araci.

Uma curiosidade: o nome original do samba era “Ai, ai, meu Deus”, que foi substituído por “Tenha pena de mim” por recomendação da censura, que vetava a palavra “Deus” em títulos de canções.

Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br

Aracy de Almeida & Conjunto Regional RCA(1937)

 

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Nascido Waldemiro José da Rocha em 23 de janeiro de 1914, Babaú passou a mocidade brincando nas ruas do “Buraco quente”, localidade do Morro da Mangueira em que nasceu.

Foi também desde cedo que se dividiu entre o trabalho – como carregador de sacos e chaveiro dos bondes da Light – e o samba, iniciando sua atividade de compositor no início dos anos 1930. Em 1937, numa visita de artistas do asfalto à Mangueira, o compositor Ciro de Souza gostou da primeira parte de um samba de Babaú, já popular na comunidade e completou a composição.

O resultado do encontro foi o samba “Tenha pena de mim”, lançado em 1937 por Aracy de Almeida, que mais tarde diria ao programa Ensaio, da TV Cultura: “Conheço, por exemplo, Saturnino, o Cartola, o Casaca, Padeirinho, e conheço um também que realmente me deu o primeiro sucesso, onde eu me tornei popular, que era um crioulo que se chamava Babaú.”

A composição atravessaria as décadas seguintes, sendo gravada ainda, dentre outros, por Carolina Cardoso de Menezes, Jacob do Bandolim, pelo quarteto americano New Brothers e pelas cantoras Elza Soares, Beth Carvalho e Olívia Byington (Confira em ‘O tempo não apagou’).

Extraído de http://www.samba-choro.com.br/

 

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Em 1966, em show na boite “Zum Zum” no Rio de Janeiro, Aracy confirma, a Sergio Porto, ser este o seu primeiro sucesso.

Aracy de Almeida & Roberto Menescal e Conjunto ao vivo, apresentado por Sergio Porto(1966)

 

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“Estação derradeira” é um documentário dirigido por Roberto de Oliveira, que mostra o Chico Buarque sambista, conhecedor da música popular brasileira, e sua afinidade com a escola de samba carioca “Estação Primeira de Mangueira”, para quem compôs canções como “Estação derradeira” e “Piano na Mangueira”.

Chico Buarque & Velha Guarda da Mangueira ao vivo(2005)

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