Amor de trapo e farrapo

Paulo Vanzolini

Samba de exclusiva autoria de Paulo Vanzolini, até hoje bastante conhecido. Foi lançado pela RGE nesta expressiva interpretação de Alda Perdigão, em 1963, como faixa de abertura do LP “Sonata do amor divino”. Mais tarde, seria o lado A do compacto simples n. CS-70051 (ouça adiante!). Houve regravações por Mauricy Moura, Nélson Gonçalves, Demônios da Garoa, Carlinhos Vergueiro e pelo próprio Vanzolini, entre outras (confira em”O tempo não apagou”, clicando aqui). Direitos fonomecânicos reservados à Comercial Fonográfica RGE Ltda. (Som Livre). ISWC: T039-0279170.

Extraído de Samuel Machado Filho

Alda Perdigao(1962)

 

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Contrastes e intensidade em “Amor de trapo e farrapo”

“Amor de trapo e farrapo”, interpretada por Nelson Gonçalves, retrata um relacionamento marcado por conflitos intensos, exageros e uma paixão visceral. A expressão “trapo e farrapo” sugere algo desgastado e sem valor aparente, mas que, paradoxalmente, é fonte de prazer e emoção para o casal. A letra utiliza comparações populares, como “amor de galo de rinha” e “amor de arranca toco“, para ilustrar a natureza tempestuosa do relacionamento, onde brigas e reconciliações são constantes e vividas com muita energia.

A música também destaca a intensidade emocional do casal ao mencionar “ciúme fogo nos olhos, beijo fogo na boca“, mostrando que o mesmo fogo que alimenta o ciúme também impulsiona a paixão. A referência a “amor de meter susto ao Padre Eterno” traz um tom irreverente, sugerindo que a força desse amor é tão grande que até Deus se surpreenderia. Com uma linguagem popular e descontraída, a canção transforma um relacionamento problemático em algo admirável, celebrando a força dos sentimentos, mesmo quando eles fogem do controle. No fim, “Amor de trapo e farrapo” valoriza o lado imperfeito e intenso do amor, mostrando que é justamente essa intensidade que mantém o casal unido.

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Relações intensas e humor em “Amor de trapo e farrapo”

“Amor de trapo e farrapo”, de Paulo Vanzolini, retrata um relacionamento marcado por brigas e confusões, mas que, apesar dos conflitos, é sustentado por uma paixão intensa e quase irresistível. Vanzolini utiliza expressões como “amor de galo de rinha” e “amor de arrancar toco” para comparar o romance a disputas acirradas, mostrando que o casal vive entre confrontos e reconciliações. Esse olhar direto e bem-humorado sobre o amor reflete o estilo do samba urbano que o compositor consagrou, trazendo para a música o cotidiano das relações cheias de altos e baixos.

As metáforas presentes na letra, como “amor veneno”, “amor cachaça” e “amor de meter susto ao padre eterno”, reforçam a ideia de um amor perigoso, viciante e até capaz de desafiar o sagrado. O verso “amor de louco contra louca” destaca que ambos são igualmente intensos e imprevisíveis, tornando o relacionamento uma aventura constante. No final, Vanzolini celebra esse amor imperfeito, mas verdadeiro, que só faz sentido para quem o vive, resumido na frase “só pode ser o amor de eu e você”. A música, assim, valoriza a autenticidade e a intensidade das relações, mesmo quando elas fogem do padrão idealizado.

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Morena disse:

Bonita música, se bem que tem ou lembra um estilo assim de anos 30 ou 40.

Nilo Sergio Olmedo disse:

Aparentemente existem dois Paulo Vanzolini,um famoso boêmio, autor de classicos da Música Popular Brasileira como Trapo e Farrapo, Rondas, Cuitelinho e de frases que se cravaram no nosso imaginário, como ” Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima ” e um outro bem menos popular, Doutor pela Universidade de Harvard, Professor da USP, Diretor do Museu de Zoologia da USP durante 30 anos, cientista renomado internacionalmente. Os dois são fascinantes, cada um a sua maneira

Nilo Sergio Olmedo disse:

Gostei demais na Gravação de Carlinhos Vergueiro, a voz, o estilo, ficaram perfeitos.Carlinhos tem mais de 150 canções gravadas, teve parceiros como Vinicius de Morais, Toquinho, Elton Medeiros, Joao Nogueira, Paulinho da Viola, Paulo Cesar Pinheiro entre outros.Sempre evitou a prisao de rotulos para definir seu estilo e seus caminhos, em uma obra que passeia por valsas e boleros quando finalmente desembarca no samba ,ritmo que o acompanhou ao longo da vida e que acabou por consagra-lo. Brilhante

Carlos Spitz disse:

Quando se fala em Paulo Vanzolini me vem a memória o clássico “Ronda” seresteiro da Pauliceia de interpretação incomparável do proprio autor. Meus aplausos tbm pra Amor de trapo e farrapo na voz de Alda Perdigão.

Marcio de Oliveira Ramos disse:

Amigo Salvador…
Cantada pelo vozeirão do Carlinhos Vergueiro, essa música fica sensacional. Metáforas sensacionais, amor ” de louco contra louca” “galo de rinha”, e etc., a juventude nunca vai entender essa poesia.

Você citou vários que gravaram, mas não as encontrei, como você costuma colocar, às vezes.
E Alda Perdigão… Do tempo de Nora Ney, Jorge Goulart, etc, no Almoço das Estrelas, da Tupi, finzinho da decada de 50, até os 80 + ou -. do Airton e Lolita Rodrigues.

Levy disse:

Paulo Vonzolini sempre brincando com as. palavras professor vivendo intensamente nos botecos de Sao Paulo fazendo samba com qualidade e malandragem bela canção.