Ave Maria do morro
AVE MARIA, DE HERIVELTO, DO MORRO
Cires Pereira
É público e notório que Brasil é a nação que tem o maior número de católicos no mundo. A colonização empreendida pelos portugueses católicos, desde os “seiscentos”, constituiu-se no embrião desta realidade atual.
A emancipação do Brasil no início dos “oitocentos” frente ao domínio português não implicou em nenhum desvencilhamento frente à ordem religiosa católica, ao contrário tornou a instituição ainda mais presente, mais influente e mais poderosa.
Na primeira metade dos “novecentos”, o país caminhava a passos lentos para a industrialização que poderia implicar numa urbanização mais intensa, assim uma fração expressiva da população brasileira vivia no meio rural. Mesmo assim eram crescentes as migrações internas, como por exemplo os nordestinos e nortistas que riscavam o território nacional em busca de condições dignas de vida, sobretudo nas regiões sudestinas e sulistas do Brasil. Outro movimento importante era o deslocamento de trabalhadores rurais para as cidades em busca do emprego e de uma vida melhor.
Estes dois movimentos provocaram um crescimento da oferta de mão-de-obra nas cidades maior do que as ofertas de emprego, a depauperação destes pobres homens e suas famílias intensificou-se mais ainda nas cidades. Nelas ficava cada vez mais perceptíveis as favelas que contrastavam com os casarões de uma fração pequena de afortunados, os arranha-céus dos centros urbanos e as chaminés das fábricas.
Foram vários os poetas, romancistas e artistas que tomaram esta contrastante paisagem social como fonte de inspiração, a maioria denunciando o seu descalabro, apresento-lhes uma composição musical que parece-me muito reveladora desta realidade. Nela é possível identificar a força/influência do catolicismo entre os homens e mulheres de nosso país, com destaque no seio da fração majoritária de desafortunados. Ela nos apresenta o “morro” com os seus barracões de zinco e o sofrimento mesclado com a esperança de se livrar daquelas mazelas. Uma esperança umbilicalmente associada à fé inquebrantável nos signos concebidos e disseminados pelos homens da Igreja Católica.
A música “Ave Maria do morro” foi composta por Herivelto Martins. Herivelto, durante uma partida de sinuca, observou o barulho dos pardais se recolhendo às árvores para dormir: sentiu que isso daria samba e ali mesmo começou a compor “Ave Maria”: “Tem alvorada/ tem passarada/ alvorecer/ sinfonia de pardais/ anunciando o anoitecer”: entusiasmado com o esboço de samba que acabara de compor, resolveu mostrá-lo a Benedito Lacerda; Num de seus depoimentos sobre a circunstâncias em que compôs o seu maior sucesso em 1983, disse:
“Eu me preparei para mostrar ao Benedito e então cantamos eu ao violão e Dalva com aquela voz bonita crente que estávamos agradando. Terminada a apresentação, Benedito tirou os óculos, esfregou os olhos e disse: meu compadre, isso é música de igreja, vamos fazer música para ganhar dinheiro”.
O então Cardeal Dom Sebastião Leme, do Rio de Janeiro, chegou a considerar a canção uma heresia e pressionou os censores pela sua proibição, felizmente a música não foi censurada, ao que parece Herivelto tinha bom trânsito entre os censores do Estado Novo (Ditadura Getulista) da época. O futuro comprovou o equívoco de avaliação do Cardeal, na década de 1960 a música “Ave Maria no morro” tornou-se também sucesso em Igrejas da Alemanha, Áustria, Suíça e outros países.
Em 1942 a música é lançada pelo “Trio de Ouro”, constituído por Dalva de Oliveira, uma das vozes femininas mais impressionantes da MPB, Herivelto Martins e Nilo Chagas, fez um grande sucesso e até hoje é reverenciada por todos que analisam a história da música popular brasileira (ouça adiante!).
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Samba-canção que talvez seja o maior sucesso da enorme obra autoral de Herivelto Martins. Para compô-lo, ele se inspirou na igrejinha do alto do Morro do Pinto, no Rio de Janeiro, onde morara na juventude. O Trio de Ouro (Herivelto, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas) o imortalizou na Odeon em 5 de junho de 1942, com lançamento em agosto do mesmo ano, disco 12185-A, matriz 6984 (ouça adiante!). Foi regravado inúmeras vezes, dentro e fora do Brasil (confira em “O tempo não apagou”, clicando aqui), em línguas diversas, até mesmo em esperanto. Sem dúvida, um clássico!
Extraído de Samuel Machado Filho
Trio de Ouro(1942)
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“Ave Maria do morro” é uma canção composta por Herivelto Martins e gravada por seu Trio de Ouro em 1942.
Herivelto Martins escreveu a canção enquanto escutava o barulho de pardais se recolhendo às árvores para dormir. A partir disso compôs os seguintes versos da canção: “Tem alvorada, tem passarada, ao alvorecer / sinfonia de pardais, anunciando o anoitecer”
A canção narra que os moradores de uma favela carioca, referenciados apenas como “morro”, rezam uma Ave-Maria coletiva pedindo uma vida melhor antes de se retirarem para seus barracões durante o anoitecer.
Entusiasmado com a canção que acabara de compor, Herivelto Martins resolveu interpretá-la para o amigo Benedito Lacerda com seu Trio de Ouro. Herivelto Martins disse que estava crente de que agradariam a Benedito Lacerda, mas terminada a apresentação, Benedito Lacerda tirou os óculos e lhes disse: “Isso é música de igreja, vamos fazer música para ganhar dinheiro!”
Certo tempo depois, o Trio de Ouro gravou a canção, que se transformou num enorme sucesso, mesmo após o Dom Sebastião Leme tê-la considerado uma heresia e ter pedido por seu banimento, que só não foi concretizado devido às relações de amizade que Herivelto Martins mantinha com os censores da época.
A canção foi regravada pela banda de heavy metal e hard rock, Scorpions, no álbum “Taken B Side” em castelhano.
A música também aparece no álbum “Live Bites”, que traz faixas gravadas ao vivo em várias partes do mundo. “Ave Maria do Morro” foi cantada para a plateia mexicana, aparentemente o vocalista Klaus Meine acreditava estar cantando uma música mexicana e, pelo que se dá para notar da pronúncia ruim do cantor (um alemão cantando em espanhol) a letra pouco tem a ver com o original em português, mas a melodia é a mesma.
Com o título “Ave Maria”, esta música foi gravada também pelo famoso cantor húngaro Zámbó Jimmy, conhecido como “The King”, que faleceu aos 42 anos, em 2001, vítima de um suicídio acidental.
Extraído de http://www.eternasmusicas.com/
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Recém-chegado ao Rio de Janeiro, por volta de 1930, Herivelto Martins costumava frequentar o Morro da Favela, onde havia uma singela capelinha. Por muito tempo ele guardou a imagem dessa capela, com a intenção de usá-la numa canção que descrevesse de forma mística o anoitecer no morro.
Um dia, estando num bilhar na Praça Tiradentes, despertou-lhe a atenção a algazarra de um bando de pardais, que se recolhia às arvores para dormir. Transportando os pardais para o morro, ele escreveu e musicou os seguintes versos: “Tem alvorada / tem passarada / alvorecer / sinfonia de pardais / anunciando o anoitecer” – que logo complementou, compondo o que viria a ser a segunda parte de “Ave Maria do morro”. Entusiasmado com o esboço de samba que acabara de fazer, Herivelto resolveu mostrá-lo ao compadre Benedito Lacerda, na época seu vizinho na Ilha do Governador.
É ele próprio quem conta essa história, no depoimento que prestou para o Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, em 18.08.83: “Eu me preparei para mostrar ao Benedito essa segunda parte. Ensaiei com a Dalva, bem ensaiadinho, e todo animado fui procurá-lo. ‘Ouve aqui, Benedito, este negócio que eu fiz.’ E então cantamos, cantamos, a Dalva com aquela voz bonita e eu, no violão, crente que estávamos agradando, pois estava mesmo uma beleza. Terminada a cantoria, uma decepção. O Benedito tirou os óculos, esfregou os olhos e disse com a maior frieza: ‘Meu compadre, isso é música de igreja. Vamos fazer música pra ganhar dinheiro, meu compadre’. E, para amenizar o meu desapontamento, acrescentou: ‘Tá bem, tá bem pra vocês cantarem no rádio, mas isso não é música pra dar dinheiro. Cadê aquele sambinha que você me mostrou outro dia?”‘.
Desiludido com a rejeição, Herivelto arquivou a composição, só a concluindo meses depois, quando aprontou a primeira parte (“Barracão de zinco / sem telhado / sem pintura / lá no morro…”).
Gravada em junho de 42, “Ave Maria do morro” foi o primeiro sucesso do Trio de Ouro na Odeon. A repercussão do disco, entretanto, trouxe um problema. O cardeal, Dom Sebastião Leme, considerou a canção uma heresia e pediu sua proibição, o que só não aconteceu porque o autor tinha pistolão no serviço de censura. Realmente, a posteridade provaria que Sua Excelência Reverendíssima não estava com a razão: a partir dos anos sessenta, “Ave Maria do morro” tornou-se a composição que maiores dividendos renderiam na obra de Herivelto, especialmente por sua execução em igrejas da Alemanha, Áustria, Suíça e outros países.
Disco 78 rpm / Título: Ave Maria no morro / Autoria: Martins, Herivelto (Compositor) / Trio de Ouro (Intérprete) / Dalva de Oliveira (Intérprete) / Fon-Fon, 1908-1951 (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1942 / Nº Álbum 12185 / Lado A / Gênero: Samba canção /
Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br/
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A história da música ‘Ave Maria no Morro’, de Herivelto Martins
“Ave Maria no Morro” é uma composição solo de Herivelto Martins que teve sua primeira gravação no ano de 1942, realizada pelo Trio de Ouro.
Recém-chegado à capital do Rio de Janeiro, por volta de 1930, Herivelto – nascido na Vila de Rodeio, hoje município de Engenheiro Paulo de Frontin – costumava frequentar o Morro da Favela, onde havia uma singela capelinha. Por muito tempo ele guardou a imagem dessa capela, com a intenção de usá-la em uma canção que descrevesse de forma mística o anoitecer no morro.
No Morro da Favela, havia uma capelinha
Certa vez, o artista estava em um bilhar naPraça Tiradentes, quando observou o barulho dos pardais se recolhendo nas árvores para dormir: sentiu que isso daria samba e compôs os primeiros versos de “Ave Maria no Morro”:
“Tem alvorada/ tem passarada/ alvorecer/ sinfonia de pardais/ anunciando o anoitecer”.
Entusiasmado com o esboço de samba que acabara de compor, resolveu mostrá-lo ao seu vizinho Benedito Lacerda.
A canção narra que os moradores de uma favela carioca rezam uma Ave-Maria coletiva pedindo uma vida melhor
O próprio Herivelto relatou em depoimento para o Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, em 1983:
“Eu me preparei para mostrar ao Benedito essa segunda parte. Ensaiei com a Dalva, bem ensaiadinho, e todo animado fui procurá-lo. ‘Ouve aqui, Benedito, este negócio que eu fiz’. E então cantamos, cantamos, a Dalva com aquela voz bonita e eu, no violão, crente que estávamos agradando, pois estava mesmo uma beleza. Terminada a cantoria, uma decepção. O Benedito tirou os óculos, esfregou os olhos e disse com a maior frieza: ‘Meu compadre, isso é música de igreja. Vamos fazer música pra ganhar dinheiro, meu compadre’. E, para amenizar o meu desapontamento, acrescentou: ‘Tá bem, tá bem pra vocês cantarem no rádio, mas isso não é música pra dar dinheiro. Cadê aquele sambinha que você me mostrou outro dia?‘.
Desiludido, Herivelto arquivou a composição, só a concluindo meses depois, quando criou uma primeira parte:
“Barracão de zinco / sem telhado / sem pintura / lá no morro”.
A canção – que narra que os moradores de uma favela carioca rezam uma Ave-Maria coletiva pedindo uma vida melhor antes de se retirarem para seus barracões durante o anoitecer – tornou-se um grande sucesso, embora o Cardeal Dom Sebastião Leme a tenha considerado uma heresia e tenha pedido sua proibição. A proibição só não foi efetivada devido às boas relações de Heriveltocom os censores da época.
A partir dos anos 70, “Ave Maria no Morro” tornou-se a composição que maiores dividendos renderia na obra de Herivelto, especialmente por sua execução em igrejas da Alemanha, Áustria, Suíça e outros países.
No Brasil, a canção foi gravada uma centena de vezes, por diversos grandes nomes, como:
- Nelson Gonçalves;
- Ângela Maria;
- Noite Ilustrada;
- Agnaldo Rayol;
- Wilson Simonal;
- Eduardo Araújo;
- Cauby Peixoto;
- João Gilberto;
- e Gal Costa.
https://novabrasilfm.com.br/
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“Ave Maria no Morro” é uma canção composta por Herivelto Martins e gravada por seu Trio de Ouro em 1942.
Informação
A canção narra que os moradores de uma favela carioca (referenciados apenas como “morro”) rezam uma Ave-Maria coletiva pedindo uma vida melhor antes de se retirarem para seus barracões durante o anoitecer.
Entusiasmado com a canção que acabara de compor, Martins resolveu interpretá-la para o amigo Benedito Lacerda com seu Trio de Ouro.
Certo tempo depois, o Trio de Ouro gravou a canção, que se transformou num enorme sucesso. A canção também foi regravada pela banda de heavy metal e hard rock, Scorpions no EPWhite Dove e no Álbum Live Bites em castelhano.
A música também aparece no álbum Live Bites, que traz faixas gravadas ao vivo em várias partes do mundo. Ave Maria no Morro foi cantada para à plateia mexicana. Porém, a letra pouco tem a ver com o original em português, mas a melodia é a mesma.
Em 1964, a música foi gravada em espanhol pelo grupo sueco Hootnanny SIngers que era liderada por Björn Ulvaeus, que depois nos anos 70 ficou mais conhecido por ser um dos integrantes e criadores do grupo ABBA.
Com o título “Ave Maria”, esta música foi gravada também pelo famoso cantor húngaro Zámbó Jimmy, conhecido como “The King”, que morreu aos 42 anos, em 2001, vítima de um suicídio acidental.
Wikipédia
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Fé e dignidade em “Ave Maria no morro” de Herivelto Martins
“Ave Maria no morro”, de Herivelto Martins, destaca o contraste entre a pobreza material dos moradores do morro e a riqueza espiritual presente em seu cotidiano. O verso “Barracão de zinco / Sem telhado, sem pintura” mostra a precariedade das moradias, mas a letra logo transforma essa imagem ao afirmar “barracão é bangalô”, indicando que, apesar das dificuldades, existe dignidade e beleza na vida dessas pessoas. O contexto histórico é fundamental: Herivelto Martins se inspirou na devoção coletiva dos moradores da favela, que se reúnem ao final do dia para rezar, fortalecendo o senso de comunidade e esperança mesmo diante das adversidades.
A canção também faz uma crítica social ao comparar a “felicidade de arranha-céu” com a proximidade simbólica com o divino vivida no morro: “Pois quem mora lá no morro / Já vive pertinho do céu”. Essa comparação valoriza a espiritualidade e a união dos mais humildes, em contraste com o materialismo da cidade alta. Imagens da natureza, como “alvorada, passarada, sinfonia de pardais”, reforçam a atmosfera de serenidade e anunciam o momento sagrado da oração coletiva. Apesar da resistência inicial da Igreja Católica, a música se tornou símbolo de fé popular e acolhimento, ultrapassando barreiras religiosas e sociais. “Ave Maria no morro” celebra a força da fé e da solidariedade, transformando a simplicidade em motivo de orgulho e elevação espiritual.
https://www.letras.mus.br/
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Rosires Andrade
- 4 de set. de 2022
“O homem que não tem música dentro de si, nem é afetado pela harmonia de doces sons, está preparado para traições, estratagemas e corrupção”.
William Shakespeare – Autor de Romeu e Julieta
“Onde há música não pode haver coisa má”.
Miguel de Cervantes – Autor de Dom Quixote
Herivelto de Oliveira Martins (30/01/1912 — 17/09/1992) nasceu, viveu e morreu no Rio de Janeiro. Foi um dos grandes nomes da música popular brasileira, tanto como compositor quanto como cantor e ator. Criou um conjunto vocal chamado Trio de Ouro, que obteve um enorme sucesso nas primeiras décadas do século XX, conforme nos informa a Wikipédia.
Seu repertório já foi regravado por diversos artistas dos mais variados estilos musicais, sendo sua obra considerada uma das mais importantes da época de ouro da MPB. “Ave Maria no morro” é uma das canções compostas por Herivelto Martins, em 1942.
A letra fala do um morro carioca, uma comunidade, onde os moradores rezam uma Ave Maria, ao anoitecer, antes de se retirarem para os seus barracões feitos de zinco, sem telhado, sem pintura, mas que para eles são como bangalôs.
A música gravada pelo Trio de Ouro, de Herivelto, fez enorme sucesso, e ao longo dos anos foi interpretada por várias figuras importantes da música nacional e internacional, entre eles, Andrea Bocelli. Outros artistas: Zucchero, Luciano Pavarotti, a banda de heavy metal alemão Scorpions, Pery Ribeiro, Dalva de Oliveira, Chitãozinho e Chororó, Agnaldo Rayol, João Gilberto em dueto com Caetano Veloso, e outros. Essa música também está no álbum Live Bites, com composições de várias regiões do globo.
Independentemente de religiosidade a música santificou-se…
Ótima canção por muitos intérpretes cantada mas linda na voz de Noite Ilusttrada fan incondicional

