Brasa
Samba da parceria Lupicínio Rodrigues & Felisberto Martins. “Lupi” o compôs ao testemunhar as brigas domésticas de seu irmão Francisco com a esposa, quando com eles morou uns tempos. Foi mais um grande sucesso de Orlando Silva, que o imortalizou na Odeon em 9 de março de 1945, sendo lançado em abril do mesmo ano, disco 12571-A, matriz 7772 (ouça adiante!).
Extraído de Samuel Machado da Silva.
X.X.X.X.X
“Lupi” tinha ido tentar a vida no Rio. Não rolou como ele esperava. Voltou e creiam: o emprego de bedel seguia lá, esperando por ele!
Ainda bem, porque até agora nada de Francisco Alves cumprir a promessa de gravar suas canções. Acabou furado por Orlando Silva. É quando a coisa começa a andar. Mesmo considerando a gravação de Cyro Monteiro em “Se acaso você chegasse”, é com Orlando, “O cantor das multidões”, que Lupicínio surge efetivamente como um compositor nacional. O ano é 1945, e a música é o samba “Brasa”.
Extraído do livro “Uma História da Música de Porto Alegre”, do compositor e jornalista Arthur de Faria.
Orlando Silva(1945)
X.X.X.X.X
Ironia e crítica ao ciúme em “Brasa” de Lupicínio Rodrigues
Em “Brasa”, Lupicínio Rodrigues utiliza a palavra “brasa” para descrever a parceira de forma irônica e direta, destacando como o ciúme intenso transforma o ambiente doméstico em um espaço de tensão constante. O compositor, famoso por abordar as dores e contradições do amor, mostra como pequenas desconfianças podem crescer e gerar conflitos, tornando a convivência difícil e alimentando um ciclo de desentendimentos.
A letra traz um tom coloquial e provocativo ao expor as consequências desse ciúme. No verso “Pois meu bem não é com grito / Que se prende um coração”, Lupicínio critica a tentativa de controlar o parceiro por meio de discussões e acusações, reforçando que o amor não sobrevive sob pressão. O trecho “É que as mulheres da rua / Têm a alma melhor que a tua / Sabem melhor me agradar” carrega sarcasmo e serve como provocação e desabafo, evidenciando o desgaste do relacionamento. Ao final, o compositor sugere que, se a parceira fosse menos “brasa” — menos explosiva e ciumenta —, ele teria prazer em ficar em casa. Assim, Lupicínio inverte a lógica do ciúme: o excesso de desconfiança afasta, em vez de aproximar. Essa abordagem direta e irônica é característica do samba-canção e marca o estilo pessoal do artista ao tratar as dores e falhas do amor.
https://www.letras.mus.br/
X.X.X.X.X
BRASA
Samba de Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins
Gravado por Orlando Silva
Acompanhamento da Orquestra Odeon, sob a direção de Lírio Panicali
Disco Odeon 12.571-A, matriz 7772
Gravado em 09 de março de 1945 e lançado em abril de 1945
https://www.marcelobonavides.com/
X.X.X.X.X
Na música “Braza” (ou “Brasa”), interpretada pelo cantor Orlando Silva e composta por Lupicínio Rodrigues, a palavra “brasa” é usada metaforicamente para descrever uma mulher ciumenta, intensa e passional.
Aqui está o significado no contexto da letra:
- Intensidade e Ciúme: O eu lírico diz: “Você parece uma brasa / Toda vez que eu chego em casa / Dá-se logo uma explosão / Ciúmes de mim“. A brasa representa o calor ardente, o ciúme que consome e a personalidade explosiva da mulher.
- O “Apagar” da Brasa: Na última estrofe, o cantor diz: “Se apagasse esta brasa / Eu não sairia de casa / Dia e noite a lhe adorar“. Isso sugere que, se ela deixasse de ter aquele ciúme intenso (apagar a brasa), o relacionamento seria mais tranquilo e duradouro.
Em resumo, brasa, nesta canção, é uma metáfora para uma paixão avassaladora e ciúmes intensos.

