Canção da América

Milton Nascimento & Fernando Brant

Em 1979, numa chuvosa temporada em Los Angeles, Milton Nascimento gravaria o LP “Journey to dawn”, dirigido ao público americano. Na ocasião, permanecendo na cidade com o parceiro Fernando Brant durante 45 dias, o compositor tentou em vão entrar em contato com um baterista inglês, que lhe havia mostrado, tempos antes, uma composição cuja letra falava de músicos que partilhavam amizades, quase sempre interrompidas no momento em que terminavam suas gravações ou temporadas.

Frustrado ao constatar que o tal baterista não se encontrava mais em Los Angeles, Milton fez então com Brant uma nova canção, em inglês, abordando o assunto, ou seja, o desencontro de amigos, e deu-lhe como título uma palavra inventada pelos dois: “Unencounter”. Quando chegou a vez de gravá-la, perguntou aos americanos se entendiam o seu significado e, diante da resposta afirmativa, manteve o título, sendo a música incluída no citado disco (ouça adiante!).

Meses depois, no Brasil, o grupo mineiro 14 Bis (Flávio Venturini, Vermelho, Sérgio Magrão, Reli Rodrigues e Cláudio Venturini) desejou gravar a composição, tendo Fernando Brant feito uma letra em português, na qual o sentido da ideia original era estendido à amizade: “Amigo é coisa pra se guardar / debaixo de sete chaves / dentro do coração / assim falava a canção / que na América ouvi / mas quem cantava chorou / ao ver seu amigo partir…” (ouça adiante!).

Renasceu assim a música em português, com um novo título, “Canção da América”, que Milton Nascimento gravou no álbum Sentinela, em 1980, coadjuvado pelo quarteto Boca Livre (ouça adiante!).

Com o tempo, a canção acabaria sendo cantada em cerimônias — como por ocasião da morte de Ayrton Senna — ganhando caráter de hino à fraternidade.

Uma curiosidade: ao cantar “Canção da América” no show e no disco “Saudade do Brasil”, Elis Regina trocou o verso “assim falava a canção” por “a se falar na canção” (ouça adiante!) (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Extraído de Cifrantiga

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Milton contou esta história no programa “Altas Horas” em 2011:

Milton Nascimento em Unencounter (1979)

14 Bis(1979)

Milton Nascimento & Boca Livre(1980)

Elis Regina & Coro(1980)

 

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História da canção  “Canção da América”, de Milton Nascimento, segundo o próprio Milton, “essa música serve pra qualquer coisa que você pensar, alegre, triste, falta de gente, gente chegando, tudo”.

Talvez você não saiba, mas a “Canção da América” é uma tradução da original “Unencounter”, composta por Milton Nascimento em inglês numa homenagem ao seu amigo sul-africano, Ricky Fataar. Ela pode ser encontrada no álbum “Journey To Dawn”, de 1979.

Mais tarde, a canção foi regravada por diversos artistas, Elis Regina, grupo 14 Bis, Daniel e pelo próprio Milton (confira em “O tempo não apagou”, clicando aqui). “Unencounter” em português quer dizer “Desencontro” e a primeira estrofe difere do trecho conhecido pela maioria dos brasileiros. 

Tags: 14 Bis / America / Boca / Brant / elis / Milton / Unencounter /
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Renê Monteiro disse:

As gravações de Milton, mais Elis acrescidas da história da música são a glória musical..

LEVY disse:

Sem sombra de dúvidas com Elis a canção fica elegante ouvindo não uma vez só mas várias vezes.

Carlos Spitz disse:

Eu ouvi Milton Nascimento pela primeira vez no Festival Internacional da Canção (FIC) de 1967 cantando a “Travessia” da parceria com Fernando Brandt obtendo 2°. lugar e a consagração musical. A dupla “Bituca e Brandt” do notório “Clube da Esquina” mineiro dentre ots como Lo Borges, Ronaldo Bastos, Beto Guedes celebridades do Mundo artístico sempre com genialidade poética musical. A Canção da América eu não conhecia no original em inglês noticiado agora no “Qual Delas”; com a devida vênia dessa dupla de gênios da música poderia até se chamar “Canção da Amizade”. Infelizmente mts deles já “partiram” e não voltarão mais em corpo, talvez em alma.(?!). Com o devido respeito aos demais intérpretes eu fico com a gravação do Milton Nascimento & Boca Livre (1980)”, que melhor personifica a união do “criador e sua criatura”.