De conversa em conversa
Tal como “Saia do caminho”, lançado em 1946, “De conversa em conversa” explora o tema da separação amorosa. Só que de uma maneira diversa, pois, enquanto no samba anterior a protagonista aceita o fato resignadamente, aqui reage de forma decidida, procurando minimizar o trauma da separação: “Vivendo dessa maneira / continuar é besteira / não adianta não / o que passou é poeira / deixa de asneira / que eu não sou limão / não sou limão, não, não…”.
O curioso é que em “De conversa em conversa” o autor da letra é Haroldo Barbosa, irmão de Evaldo Rui, letrista de “Saia do caminho”, o que de certa maneira expõe as diferenças de estilo dos dois, sendo o primeiro irônico, prático, realista, em contraste com o segundo, mais chegado ao romantismo.
Lançado no rádio por Lúcio Alves (autor da melodia, quando tinha 16 anos) e os “Namorados da Lua”, com o título de “Não sou limão”, o samba despertou a atenção de Isaura Garcia, que o gravou acompanhada pelo citado conjunto (ouça adiante!).
Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br
Isaura Garcia & Os Namorados da Lua(1946)
X.X.X.X.X
Ironia e leveza no fim de relação em “De conversa em conversa”
Em “De conversa em conversa”, João Gilberto aborda o desgaste de um relacionamento de forma leve e irônica. A repetição da frase “não sou limão” tem um papel central: na época, “limão” era uma gíria para alguém ingênuo ou facilmente enganado. Ao afirmar várias vezes que “não sou limão”, o narrador deixa claro que não aceita mais ser manipulado ou feito de bobo pelo parceiro. Isso se conecta diretamente aos versos “de conversa em conversa / você vai arranjando um meio de brigar”, mostrando como pequenas discussões acabam sempre levando a conflitos maiores.
A música trata do fim de um relacionamento marcado por brigas e ressentimentos, mas sem dramatizar a situação. O verso “O que passou é poeira, deixa de asneira” sugere que o passado deve ser deixado para trás, e que insistir em continuar juntos seria “besteira”. A ideia de cada um juntar seus “trapos” e “farrapos” para seguir caminhos separados reforça que a separação é vista como a escolha mais sensata. A interpretação de João Gilberto, com seu tom irônico e descontraído, transforma um tema potencialmente doloroso em algo cotidiano e fácil de aceitar, mostrando que até o fim de um romance pode ser tratado com leveza e bom humor (confira em “O tempo não apagou”, clicando aqui).
https://www.letras.mus.br/
Diante de tantas gravações lindíssimas, como as de Isaurinha Garcia, Lucio Alves, Gilson Peranzzetta (instrumental) Rosinha de Valença ( violão) nao tive duvidas e escolhi a de Joao Gilberto, gostei desses comentarios:
O ano era 1970 e Joao Gilberto e Joao ja tinha sepultado de vez a Bossa Nova. A Nossa passou e ele continuou .
Sua,abordagem sobre o repertório de Sambas pre-1958 continua o mesmo, como pode ser comprovado nessa maravilha que abre o álbum Joao Gilberto no México .
Espetacular

