Embarcação
“…muitas composições de Chico, nos últimos anos, foram concluídas, ou mesmo feitas, dentro de um estúdio. A necessidade de fazer um disco e o clima de gravação o impelem a criar. São estímulos até certo ponto artificiais, reconhece, mas nem por isso resultam numa produção biônica, ou, burocrática, só para completar as faixas de um LP. Servem, isto sim, de impulso para um processo que passa sempre pelo prazer. “No momento da criação”, Chico deixa claro, “tem que ter tesão de qualquer jeito”. Algumas composições para as quais faltava a letra foram terminadas dentro do estúdio graças ao que Chico chama de “golpe do Francis”. O amigo e parceiro pegava a música, fazia os arranjos, gravava – e o colocava diante do fato consumado. Não havia como não fazer a letra. “Embarcação” foi um caso de “golpe do Francis” bem-sucedido (ouça adiante!).
Ao entrar no estúdio, Chico às vezes não tem mais que quatro, cinco músicas prontas. Outras, em sua linguagem de futebolista, ele diz que são “banco” – estão na reserva, para qualquer eventualidade. Nesses momentos Chico costuma repassar seus rascunhos sonoros, à procura de um tema que possa ser desenvolvido.
© Copyright Humberto Werneck, Gol de letras, em Chico Buarque Letra e Música, Cia da Letras, 1989
Francis Hime & Coro(1982)
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Metáforas e crítica histórica em “Embarcação” de Chico Buarque
A música “Embarcação”, de Chico Buarque, se destaca por unir imagens do universo náutico a referências históricas e bíblicas para falar sobre a intensidade e a efemeridade de uma paixão. O verso “Deus, eu pensei que fosse Deus, e que os mares fossem meus, como pensam os ingleses” vai além de uma metáfora de autossuficiência: traz uma crítica sutil ao imperialismo britânico, especialmente em relação à Guerra das Malvinas, que ocorreu no mesmo ano do lançamento da canção. Essa conexão histórica amplia o significado da letra, sugerindo que a sensação de controle – seja sobre o amor ou sobre territórios – é sempre temporária e sujeita a mudanças inesperadas.
A letra também aborda temas como arrependimento e traição, fazendo referência ao episódio bíblico em que Pedro nega Jesus três vezes antes do canto do galo, como em “E antes mesmo do galo cantar / Eu te neguei três vezes”. Esse trecho reforça o tom melancólico e reflexivo da música, mostrando que, mesmo diante de sentimentos intensos, todos estão sujeitos a falhas e contradições. O refrão “Mas a natureza vira a mesa da razão” resume a mensagem principal: por mais que se tente racionalizar ou controlar o amor, forças maiores acabam determinando o rumo das relações. Assim, “Embarcação” utiliza imagens do mar, do cais e da partida para ilustrar tanto a beleza quanto a dor de um amor avassalador, que deixa marcas profundas ao passar.
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O segredo do amor
Levy Júnior
Aug 10, 2016
A música “Embarcação” (Francis Hime e Chico Buarque), fala de uma forma poética o que é estar amando. A música começa assim:
“Sim, foi que nem um temporal
Foi um vaso de cristal
Que partiu dentro de mim
Ou quem sabe os ventos
Pondo fogo numa embarcação
Os quatro elementos
Num momento de paixão”.
Olha que coisa mais profunda, o vaso quebrando dentro da pessoa e os quatro elementos num momento de paixão. Talvez nunca saberemos se estamos amando o outro ou se estamos nos amando dentro do outro, ou se queremos ser o outro, ou queremos que o outro seja nós. Mas isto é só um “detalhe”. Gostaria de usar esta reflexão sobre o amor para pensarmos porque este sentimento por alguém é tão forte no início e na maioria das vezes vai apagando com o passar do tempo?
Por que não usamos este mesmo sentimento (motivação) para crescermos profissionalmente?
Você só conseguirá atingir suas metas se estiver apaixonado por si mesmo, ou seja, você precisa se amar (com humildade) a ponto de querer tudo de bom para você mesmo e assim seu inconsciente te dará ideias positivas para ser um vencedor. Sugiro que você se ame de tal forma e que esteja tão feliz por ter a si mesmo (com humildade), que o vaso de cristal nunca estará quebrado e os quatro elementos sempre estarão em equilíbrio. Deseje que a motivação, que é o motivo para partir para ação, esteja sempre presente em sua vida. Aprenda a ter a sabedoria que Deus nos ensina, a motivação para atingir objetivos e o amor para estar sempre apaixonado por si mesmo (com humildade).
X.X.X.X.X
Imagens náuticas e arrependimento em “Embarcação”
A música “Embarcação”, de Francis Hime, utiliza imagens do universo náutico para expressar emoções intensas, especialmente a perda e o arrependimento. A metáfora do “vaso de cristal que partiu dentro de mim” revela uma fragilidade emocional rompida por um acontecimento marcante. Elementos como a tempestade e o fogo na embarcação simbolizam o caos e a destruição interna provocados por uma paixão arrebatadora. Essas imagens, recorrentes na obra, representam experiências emocionais devastadoras e a força de um relacionamento comparada às forças da natureza, reforçando a ideia de que o amor pode ser tão avassalador quanto um fenômeno natural.
A letra também aborda a ilusão de controle, como em “eu pensei que fosse Deus / E que os mares fossem meus”, mostrando a autossuficiência que se desfaz diante da realidade. A figura do “marinheiro de partida” e o “cais” pequeno reforçam o tema da separação e do afastamento definitivo. Já a frase “te neguei três vezes” faz referência à negação de Pedro a Jesus, trazendo à tona um sentimento de culpa profunda e ampliando o tom de arrependimento. “Embarcação” reflete sobre a intensidade do amor, a vulnerabilidade diante das emoções e o peso das escolhas, tudo isso em uma atmosfera melancólica e introspectiva, característica das parcerias entre Francis Hime e Chico Buarque.
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