Luz negra
Como foi dito, Nelson Cavaquinho é um dos três grandes sambistas desvendados ao grande público pela musa da bossa nova, Nara Leão, em seu LP de estreia. Entre as músicas deste disco está um samba de título antinômico, “Luz negra”, exemplo perfeito do estilo trágico de Nelson Cavaquinho (ouça adiante!).
Sendo um dos muitos artistas de esquerda que frequentavam o restaurante “Zicartola”, para ouvir na fonte a música dos sambistas, o falecido cineasta Leon Hirszman teve, num daqueles encontros, a ideia de pedir a Nelson um tema para o seu primeiro longa-metragem. O filme era “A falecida”, baseado na peça homônima de Nelson Rodrigues, com Fernanda Montenegro no papel principal, e a música, “Luz negra”.
Orquestrado para o filme por Radamés Gnattali, o samba ganhou uma letra, muito elogiada e até considerada shakespeareana, o que seria um exagero: “Sempre só / eu vivo procurando alguém / que sofra como eu também / e não consigo achar ninguém / (…) / a luz negra de um destino cruel / ilumina o teatro sem cor / onde estou desempenhando o papel / de palhaço do amor…”
“Luz negra” é o que na gíria pode ser definido como o máximo de “música para baixo”, mormente em função da adequada melodia da primeira parte, que, em linha descendente, finaliza num impressionante grave, como se estivesse chegando ao fundo de um poço.
Este samba consolidaria o seu sucesso ao ser regravado em junho de 65 por Elizeth Cardoso, no LP “Elizete sobe o morro”, com a participação de um grupo de bambas como Nelson Sargento, Paulinho da Viola e o Próprio Nelson Cavaquinho, que canta a segunda parte (ouça adiante!) (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).
Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br
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Composta por Nelson Cavaquinho, “Luz negra” já foi creditada também a Irani Barros ou a Amâncio Cardoso.
Extraído de http://pt.wikipedia.org
Nara Leao & Coro(1964)
Elizeth Cardoso & Nelson Cavaquinho & A Voz do Morro & Coro(1965)
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Solidão e desilusão em “Luz negra” de Nelson Cavaquinho
Em “Luz negra”, Nelson Cavaquinho utiliza a imagem da luz que não ilumina, mas acentua as sombras, para expressar a dor e a solidão do protagonista. O título já indica o tom trágico e melancólico da canção, uma característica marcante do compositor. Logo nos primeiros versos, a letra revela o isolamento do personagem: “Sempre só / Eu vivo procurando alguém / Que sofra como eu também / E não consigo achar ninguém”. Aqui, fica clara a busca frustrada por empatia e compreensão, reforçando o sentimento de solidão profunda.
Na segunda parte, a música aprofunda a desilusão ao comparar a vida a um “teatro sem cor”, onde o protagonista se vê como o “palhaço do amor”. Essa metáfora mostra que o sofrimento amoroso é vivido como uma encenação triste, em que o personagem precisa fingir alegria enquanto carrega a dor e o peso do destino. A harmonia complexa e os acordes dissonantes, presentes na melodia, intensificam essa atmosfera de tragédia e resignação. Assim, “Luz negra” se destaca como um retrato sensível da solidão e da desilusão amorosa, temas que atravessam gerações no samba brasileiro.
https://www.letras.mus.br/
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Nelson Cavaquinho: “Luz negra”
Rafael Mori em 23/03/2019
Sempre só
Eu vivo procurando alguém
Que sofre como eu também
E não consigo achar ninguém
Sempre só
E a vida vai seguindo assim
Não tenho quem tem dó de mim
Estou chegando ao fim
A luz negra de um destino cruel
Ilumina um teatro sem cor
Onde estou desempenhando o papel
De palhaço do amor
“Luz negra” é uma típica canção de Nelson Cavaquinho. Presente no disco Nelson Cavaquinho – Série documento (1972), nela há diversas assinaturas do sambista mangueirense. A harmonia tortuosa tem como destaque a deprimidíssima sequência de abertura, com um pequeno e cruel cromatismo que conduz um acorde menor até sua versão com sétima (passando pela sétima aumentada) – intervalo dissonante que, aliás, está presente em grande parte dos acordes da canção, que contam também com sextas e uma quinta diminuta.
Outra característica de Nelson, e que salta mais claramente aos ouvidos, é a letra, pura disforia, desencontro, desencanto – em uma palavra, disjunção. Perceba que o conteúdo lírico até consegue veicular termos que, abstratamente, podem remeter a valores positivos, como a “luz”, a “cor” e o “palhaço”. Mas tudo isso é modulado de forma a se negativar: assim, a luz não ilumina, pois é uma “luz negra”; a cor não colore, pois está negada (“sem cor”); e o palhaço não diverte, pois é um papel desempenhado de forma envergonhada, humilhante – o “palhaço do amor”, ironia ou joguete do destino, aliás, adjetivado como “cruel”. Pura tragédia: mais Nelson, impossível.
Nelson Cavaquinho: das quadras da Mangueira, a poesia deprimida que se tornaria um dos maiores patrimônios de nosso samba.
A canção, de Nelson e Amâncio Cardoso, até onde sei, foi lançada por Nara Leão em seu LP de 1964 (a canção – isso porque há uma primeira versão instrumental, de que falarei ao final do post). A intérprete (e o arranjador, Lindolfo Gaya) captaram corretamente a mensagem, fazendo da faixa um belo e trágico registro, com cordas e um melancólico trombone.
No ano seguinte, seria lançada a versão de Elizeth Cardoso, com Paulinho da Viola ao violão e o próprio Nelson nos vocais, em Elizeth sobe o morro. Antológica!
Em 1970, Nelson lançou seu primeiro LP, Depoimento do poeta, que traz “Luz negra”. Trata-se de uma gravação alternativa àquela que abre o post, e que foi reeditada em 1974 (por isso, a de 1972 soa mais clássica). Quando escutei essa versão, me chamou a atenção a flauta. Só poderia ser Altamiro Carrilho e… bingo.
A partir daí, diversos intérpretes escolheriam esse clássico para regravar (confira em “O tempo não apagou”). São muitos, muitos mesmo! Vou destacar, dentre tantas interpretações, duas que soam muito marcantes.
A primeira é a de Beth Carvalho, no tributo Beth Carvalho canta Nelson Cavaquinho (2001). Minha impressão é que tudo o que Beth toca vira ouro. Veja se estou errado.
Em 2007, Fernanda Takai gravou Onde brilhem os olhos seus, um tributo à Nara. Lá está “Luz negra”, numa versão sombria, cheia de teclados de Lulu Camargo e com as guitarras rascantes do maridão John Ulhoa. Poderia, perfeitamente, estar num projeto do Pato Fu. Uma inusitada versão que reconstrói, brilhantemente, esse clássico da canção brasileira.
Como disse, “Luz negra” foi lançada como canção em 1964, mas poucos conhecem uma versão instrumental anterior, de Baden Powell, do LP Um violão na madrugada (1961) (ouça adiante!).
E por falar em instrumentais, existe uma desconcertante releitura pelo violino de Nicolas Krassik, músico francês radicado no Brasil desde 2001. Krassik frequentou muito o ‘Chorando sem parar’, festival que agita São Carlos todo ano, culminando num domingo inesquecível com 12 horas de choro sem parar, na praça XV de Novembro. Na edição de 2008, ele tocou essa versão de “Luz negra” e explicou seu estilo ao violino, delineado após anos de estudo e a partir da vontade de, quando garoto, tocar guitarra. Daí as passagens em que toma o violino como um bandolim, dedilhando as cordas. O que, infelizmente, não acontece na gravação em questão, do álbum Na lapa (2004), e que tem Beth Carvalho como convidada, cantarolando a melodia e tocando cavaquinho. Registro indispensável (como o é, aliás, todo o Na lapa, excelente mostra de como um estrangeiro pode criar a partir do apreço e do carinho pela música brasileira, nos ensinando uma valiosa lição).
365 Canções
Baden Powell & Carlos Monteiro de Souza e sua Orquestra(1961)
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“Luz Negra” é um samba composto pelo sambista Nelson Cavaquinho.
História
Composta por Nelson Cavaquinho, “Luz negra” já foi creditada também a Irani Barros ou a Amâncio Cardoso. Em uma das visitas ao Zicartola, Nara Leão ouviu Nelson Cavaquinho cantar a canção e pediu para que ela fosse incluída em seu disco de estreia “Nara”, de 1964. Outro frequentador do Zicartola, o cineasta Leon Hirszman pediu um tema a Nelson para o seu primeiro longa-metragem, “A falecida”, baseado na peça homônima de Nelson Rodrigues e com Fernanda Montenegro no papel principal. Assim, em 1965, “Luz negra” serviu de trilha para o filme, com orquestração de Radamés Gnatalli. Este samba consolidaria o seu sucesso ao ser regravado também naquele ano por Elizeth Cardoso, para seu LP “Elizete sobe o morro”, com a participação do próprio Nelson Cavaquinho, que canta a segunda parte.
Wikipédia
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Questões musicais
Nelson Cavaquinho, Luz Negra
Eliete Negreiros 22 mar 2013
“A luz negra de um destino cruel/ Ilumina o teatro sem cor/Onde estou desempenhando o papel/ De palhaço do amor”, canta Nelson Cavaquinho. O sentimento trágico que advém de saber que somos regidos por uma força cega, superior a nós, caprichosa, que decide nossa felicidade ou infortúnio, a impossibilidade de reagir diante do que nos acontece, seja o bem ou o mal, o sentimento de desproteção, o temor, o desencanto e o desespero que isto acarreta, esta luz negra que ilumina o lado sombrio da vida é o espectro sonoro de muitas das canções que Nelson Cavaquinho canta. Em “Luz negra”, foi em vão que o poeta passou o tempo procurando alguém para compartilhar suas aflições: sua vida já está se esvaindo e ele continua preso a um inexorável destino infeliz e solitário. O mundo para ele se apresenta como um teatro sem cor e ele representa para o mundo o triste papel de um palhaço do amor. Pois é, a canção popular além de ser um deleite, uma fruição estética, também é um convite a filosofar, a pensar na vida, é um ensinamento sobre as coisas que estão no mundo…
Há uma grandeza no sofrimento cantado por Nelson Cavaquinho que o aproxima da tragédia grega e também da filosofia estóica. Esta grandeza está associada à noção de destino. O tecido criado pela tragédia grega está embebido na noção de um destino inexorável que se abate sobre os personagens sem que eles nada possam fazer para mudar sua sorte e o destino é comandado pela vontade caprichosa dos deuses. Os seres humanos não têm como evitar o infortúnio. No teatro de Sófocles, por exemplo, o rosto inevitável do destino é a impossibilidade de evitar a dor e é aí que está o trágico. Como ensina Werner Jaeger em O homem trágico de Sófocles, Paidéia, Sófocles revela em naturezas nobres “o caráter iniludível do destino que os deuses impõem aos homens”. A dor constitui uma parte essencial do ser de seus personagens e o homem e seu destino se fundem numa unidade indissolúvel. Por exemplo, em Ájax, Sófocles trata da fragilidade da condição humana e da brevidade da vida e a condição humana é esta – o homem é um joguete nas mãos dos deuses e do destino: “Medito ao mesmo tempo sobre a minha sorte/ E sobre a deste herói, pois vejo claramente/ Que somos sombras ou efêmeros fantasmas/ Vivendo a nossa vida como os deuses querem”. E é esta noção de destino e de sofrimento inevitável que ecoa nas canções de Cavaquinho, criando, num instante, um diálogo entre séculos.
https://piaui.uol.com.br/
O compositor Nelson Cavaquinho do clássico “Flor e Espinho” na parceria com Guilherme de Brito não foi diferente noutro clássico “Luz Negra” tema levado pras telonas. Das gravações disponibilizadas no Qual Delas eu voto na divina Elizeth Cardoso em dueto com o autor Nelson Cavaquinho &.A Voz no Morro & Coro. A batucada na introdução é show.
A composição impacta de qualquer forma,por ser uma beleza, mas se estivermos em um momento sombrio…. É cravada no peito…. Gosto muito com Maria Bethânia .
Canção marcada com o odor da solidão e desilusão que sai da razão e emoção do compositor tentando encontrar_se. Ouvi a canção gostei mais com Elizeth Cardoso.
A canção na interpretação de Nara Leão nos trás tantas lembranças daquela voz.tao afinada, que fazia a diferença na Bossa Nova. Com relação a Elizeth Cardoso achei.mais adequada no ritmo de samba do que a Bossa Nova ! Tem.mais haver com a obra do compositor. Agora a interpretação de Baden Powell e fantástica! E posso dizer sem.medo de errar, que Baden foi o.maior violonista brasileiro que tive o prazer em.ouvir !

