Menino de Braçanã

Luiz Vieira & Arnaldo Passos

O francês que roubou a MPB

Por Penélope do blog Sob o Céu de Paris
Luiz Vieira é um destes compositores brasileiros que muita gente não conhece, mas a maioria das pessoas com certeza já cantou pelo menos uma música dele alguma vez na vida.

Ele já foi regravado por gente como Caetano Veloso, Dolores Duran, Ivan Cury, Rita Lee e Zizi Possi e compôs, entre vários outros sucessos, “Prelúdio para ninar gente grande”, “Na asa do vento” e “Menino de Braçanã”.

Esta última foi o primeiro grande sucesso da carreira de Luiz Vieira e tem versões em diversas línguas e já foi gravada por um monte de gente no mundo inteiro (confira em “O tempo não apagou”, clicando aqui). E foi exatamente por causa dela que, durante uma entrevista na casa de Luiz Vieira – quando eu trabalhava para o programa do Tárik de Souza no Canal Brasil -, um nome francês familiar foi mencionado.

Luiz contou com uma mistura de raiva e riso do dia que descobriu que um francês roubou descaradamente a sua música. Trata-se de Marcel Amont, ídolo (mediano) na década de 60. Vieira diz que ouvir desacreditado a música Des larmes de tendresse, plágio óbvio de “Menino de Braçanã”, e lembrou ainda que, naquela época, as músicas estrangeiras demoraram a chegar aos ouvidos brasileiros e, portanto, o plágio demorou a ser descoberto.

Ele chegou a levar o caso à justiça, mas, pelo que me lembro, a decisão não foi muito satisfatória para Luiz Vieira, que não queria dinheiro, e sim reconhecimento.

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As toadas são uma das marcas da obra autoral de Luiz Vieira. Caso desta aqui, um de seus maiores sucessos e peça de antologia, em parceria com Arnaldo Passos. Braçanã é uma localidade do Estado do Rio de Janeiro, onde morava o tio de Luiz,  Sr. Augusto. Um menino costumava, com seu jumentinho, buscar farinha na casa do tio Augusto e voltar no mesmo dia, sem atender aos apelos para que pousasse, a fim de evitar as assombrações noturnas. O menino mostrava um crucifixo e dizia que não tinha medo porque andava com Jesus Cristo, e assim também obedecia ao que recomendava sua mãe, voltar no mesmo dia.

Roberto Paiva (1921-2014) lançou com sucesso esta toada na Sinter, em outubro de 1953, disco 00-00.269-B, matriz S-587 (ouça adiante!), e logo apareceram inúmeras regravações, inclusive do próprio Luiz Vieira (confira em ‘O tempo não apagou’, clicando aqui). Um clássico!

Extraído de Samuel Machado Filho.

Roberto Paiva(1953)

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A fé e a simplicidade em ‘Menino de Braçanã’ de Luiz Vieira

A música ‘Menino de Braçanã’ de Luiz Vieira é uma bela representação da vida simples e da fé inabalável do povo nordestino. A letra narra a história de um jovem que precisa voltar para casa, em Braçanã, antes que sua mãe se preocupe. A preocupação materna é um tema recorrente, simbolizando o amor e o cuidado familiar, elementos centrais na cultura nordestina.

O protagonista expressa a urgência de retornar para casa, temendo a repreensão de sua mãe. Esse medo não é apenas de uma punição física, mas também de desapontar alguém que ele ama e respeita profundamente. A figura da mãe aqui é emblemática, representando a autoridade e o carinho que guiam o jovem em sua jornada. A repetição da frase ‘Mamãe, quando eu saí, disse: Filho não demora em Braçanã‘ reforça a importância da obediência e do respeito aos mais velhos.

Outro aspecto crucial da música é a fé religiosa. O jovem afirma que não tem medo da escuridão porque ‘quem anda com Deus não tem medo de assombração‘. Essa confiança em Deus e em Jesus Cristo é um reflexo da religiosidade popular, que oferece conforto e coragem diante das adversidades. A fé é apresentada como uma força protetora, que permite ao jovem enfrentar a escuridão e os desafios do caminho de volta para casa. Luiz Gonzaga, conhecido como o ‘Rei do Baião’, utiliza essa música para celebrar a cultura e os valores do Nordeste, transmitindo mensagens de fé, amor e simplicidade através das canções.

https://www.letras.mus.br

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Valores familiares e fé em “Menino de Braçanã”

“Menino de Braçanã”, de Luiz Vieira, destaca-se pela forma como retrata valores essenciais da cultura nordestina, especialmente o respeito à família e a força da fé. A letra narra a história de um menino que, mesmo sentindo vontade de permanecer fora de casa, decide voltar para não preocupar a mãe. Esse gesto evidencia a importância do cuidado materno e da obediência, aspectos muito presentes no cotidiano do interior do Brasil.

O trecho “Vou sem medo dessa escuridão / Quem anda com Deus / Não tem medo de assombração” mostra como a fé serve de proteção e coragem para o menino. Ele enfrenta o caminho de volta sem temor, acreditando que sua ligação com Deus e Jesus Cristo o protege dos perigos, inclusive das “assombrações” — termo que pode se referir tanto a fantasmas quanto aos medos e incertezas da vida. Ao unir elementos do imaginário popular com uma mensagem de confiança, a música se torna atemporal e facilmente reconhecível por diferentes gerações.

https://www.letras.mus.br

 

 

 

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LEVY disse:

Grande Luiz Vieira sempre retratando suas origens com a magia do seu cantar. Gosto muito de suas canções ao ponto do meu casamento na igreja colocar uma de suas canções na entrada da noiva boa recordação.

Nilo Olmedo disse:

o Menino de Bracana foi o primeiro sucesso de Luiz Vieira na voz de Roberto Paiva em seguida Ivon Curi a gravou. Em 1962 Viera ganhou as paradas de sucesso com a canção Prelúdio para Ninar Gente Grande, mais conhecida como Menino Passarinho. Autor de mais de 500 musicas, suas composições foram gravadas por nomes como Luiz Gonzaga, Caetano Veloso, Nara Leão, Hebe Camargo, Agnaldo Rayol, Elba Ramalho, Sergio Reis, Rita Lee, Maria Bethania,
Acho que gravacao na voz de Nara Leão é brilhante. Creditada pelo cronista Sergio Porto como a Musa da Bossa Nova, Nara interpretou em 1966 a canção A Banda de Chico Buarque vencedora do Festival de Musica Popular Brasileira da TV Record.

Carlos Spitz disse:

Eu cresci ouvindo o “Menino de Braçanã” um clássico nordestino de Luiz Vieira de saudosa memória. Me lembro de uma entrevista dele falando sobre a inspiração e se não me falha a memória Braçanã fica em Rio Bonito/RJ. Letra e música simples agradável de se ouvir. A gravação na voz afinada de Evinha (ex-Trio Esperança) ou mesmo a musa da Bossa Nova Nara Leão, ou no ritmo de Xote do Roberto Paiva, ou até do Ivon Curi na primeira gravação não conseguem superar a interpretação do autor ainda mais com a também saudosa Inezita Barroso mesmo “tropeçando” um pouco na letra imediatamente “socorrida” por ele. O Luiz Vieira é cara do Menino de Braçanã. Na minha ótica a do autor é a melhor interpretação e tem o meu voto de fã.

Morena disse:

A voz da Evinha é mais límpida e tranquila. mas o arranjo com a voz da Nara Leão ficou mais emocionante.