No rancho fundo

Ary Barroso & Lamartine Babo

Ary Barroso tinha feito a melodia deste samba-canção clássico e bastante regravado (confira em “O tempo não apagou”, clicando aqui) para um poema de J. Carlos intitulado “Na grota funda” (esse seria o subtítulo, e a versão de Ary se chamaria “Esse mulato vai ser meu”). Mas Lamartine Babo fez nova letra, e mudou o título da composição para “No rancho fundo”, com o qual ficou para a posteridade. Esta é a gravação original, feita na Victor por Elisa Coelho (1909-2001) em 15 de junho de 1931, com lançamento em agosto do mesmo ano, disco 33444-A, matriz 65169 (o piano que se ouve é do próprio Ary Barroso) (ouça adiante!). Gaúcha de Uruguaiana, Elisa passou a infância e a adolescência em Florianópolis, capital de Santa Catarina, e gravou 15 discos 78 com 30 músicas, entre 1930 e 1934, nos selos Victor, Parlophon e Odeon. Era mãe do jornalista e apresentador Goulart de Andrade, famoso na TV pelo bordão “Vem comigo!”.

Extraído de Samuel Machado da Silva

Elisa Coelho & Ary Barroso(1931)

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Este samba foi lançado pela cantora Araci Cortes em junho de 1930, na revista “É do outro mundo”. Na ocasião chamava-se “Este mulato vai ser meu” (com o subtítulo “Na grota funda”), e tinha letra do caricaturista J. Carlos (José Carlos de Brito Cunha), autor da revista.

Ouvindo a composição, Lamartine Babo achou ruins os versos “Na grota funda / na virada da montanha / só se conta uma façanha / do mulato da Raimunda”. Autorizado por Ary Barroso, escreveu nova letra ( “No Rancho Fundo / bem pra lá do fim mundo / onde a dor e a saudade / contam coisas da cidade…”), sendo o samba gravado por Elisa Coelho, no ano seguinte.

O lirismo nostálgico, que predomina na composição, já aparece na introdução instrumental dessa gravação, com o próprio Ary ao piano. A melodia, por sua vez, caminha suavemente em frases descendentes para um final melancólico, em perfeita sintonia com a letra. Quem não gostou da nova versão foi J. Carlos, que julgou a rejeição de sua letra uma desfeita, rompendo com Ary Barroso.

Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br

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Jards Macalé decidiu, então, que ia “desistir de viver”.

Começou a ligar para os amigos. Um por um. Queria, pela última vez, ouvir a voz deles. Seria sua despedida, embora os amigos não soubessem. Depois de conversar com vários, discou, por fim, para um companheiro com quem não falava havia bastante tempo: João Gilberto.

João gostava muito de Macalé, a quem chamava, carinhosamente, de “Macala”. […]

Ao telefone, quando se despedia para todo o sempre de João Gilberto, o compositor ouviu: “Macala, vem pra cá, quero te mostrar uma coisa”. Foi uma surpresa. Não era comum o misantropo e recluso João Gilberto convidar alguém para ir ao seu apartamento. Macalé chegou ao local e se surpreendeu outra vez: a porta de entrada estava aberta. Uma voz soou lá dentro: “Entra, Macala, vem aqui pro quarto”. O quarto estava escuro. Na penumbra, ele conseguiu identificar João, sentado num canto. “Macala, deita aqui, com as pernas pra lá”, disse o baiano, apontando para um sofá grande e confortável. Macalé deitou, como se estivesse no divã de um psicanalista. João Gilberto pegou um violão e começou a tocar “No rancho fundo”, de Ary Barroso e Lamartine Babo: “No rancho fundo/ de olhar triste e profundo/ um moreno conta as mágoas/ tendo os olhos rasos d’água…”. “Ele tocou por horas, foi uma coisa hipnotizante”, lembra Macalé. “Eu comecei a ouvir aquela música e fui relaxando, relaxando, me deixando levar, até que apaguei”. Macalé dormiu profundamente. Quando acordou, no dia seguinte, João Gilberto estava à sua frente, lhe oferecendo um café. “O sol entrava pela janela do apartamento, e toda a tristeza tinha desaparecido de mim. Foi uma coisa profundamente humana o que o João fez. Ele percebeu que eu estava numa pior e usou o que tinha à mão, a música, pra me ajudar”…..

André Barcinski 

 

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“No rancho fundo” é um samba-canção resultado da parceria de Ary Barroso com Lamartine Babo, muito embora a melodia seja uma composição anterior do próprio Ary Barroso, que recebeu então letra de J. Carlos e que foi intitulada “Na grota funda”. Impressionado com a música, Lamartine Babo escreveu novos versos e a batizou de “No rancho fundo”, apresentando-a com o ‘Bando de Tangarás’ no dia seguinte na Rádio Educadora, sem pedir licença ao autor.

Após várias versões feitas ao longo dos anos, como as de Os Maracajás, Miltinho, Isaurinha Garcia, Eduardo Araújo, Francisco Petrônio e Dilermando Reis, a canção conseguiu sua mais popular versão em 1989, quando a dupla Chitãozinho & Xororó gravou em seu LP Os Meninos do Brasil, entrando na trilha sonora nacional da telenovela Tieta, tornando-se canção que não faltaria no repertório dos shows ao longo dos anos.

Wikipédia

 

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“No Rancho Fundo”: a história do clássico brasileiro de Ary Barroso

Analisando letras · Por Rafaela Damasceno

29 de Abril de 2021

Imagine uma música que já foi interpretada por mais de 32 artistas diferentes, em variadas épocas e nos mais diversos estilos. Se “No Rancho Fundo” passou pela sua cabeça, você pensou certo!

A melodia da música foi criada por Ary Barroso, reconhecido como um dos maiores compositores do Brasil. Ele criou uma composição única para uma letra que havia sido escrita por J. Carlos.

Mas nem o título, nem os versos se mantiveram na versão final. Algumas alterações foram feitas para chegar até a canção que conhecemos hoje.

Ficou curioso para entender melhor essa história? Então, confira agora todos os segredos por trás de “No Rancho Fundo” e as suas versões mais marcantes! 

A história de “No Rancho Fundo”, composta por Ary Barroso

Em 1930, J. Carlos havia composto uma letra intitulada Esse Mulato Ainda Vai Ser Meu – Na Grota Funda. Ele escolheu uma melodia composta por Ary Barroso, que encaixava muito bem na composição. Na época, os versos começavam assim:

Na grota funda
Na virada da montanha
Só se conta uma façanha
Do mulato da Raimunda

Naquele período, Ary Barroso tinha acabado de se mudar para o Rio de Janeiro e compunha melodias para peças teatrais para se manter. Ele tinha até um contrato fixo com o Teatro Recreio. Foi assim que essa primeira versão da música foi lançada na trilha sonora da peça É do Balacobaco

A nova letra que mudou o destino da música

Lamartine Babo estava presente nas primeiras apresentações e ouviu Na Grota Funda. Foi aí que os rumos da canção começaram a mudar. 

O jovem compositor carioca resolveu então escrever uma nova letra, mais compatível com a beleza do ritmo e dos acordes da composição. O conteúdo dessa versão é um relato melancólico e super sensível de um camponês que vive no alto de uma montanha, bem longe da civilização. 

Lamartine Babo fez tudo isso sem avisar aos compositores originais. Esses novos versos de No Rancho Fundo, escritos por ele, compõem a versão da música que conhecemos hoje: 

As primeiras interpretações de No Rancho Fundo

A primeira apresentação de No Rancho Fundo foi feita pelo próprio Lamartine Babo, no programa que participava na rádio Educadora, acompanhado de Noel Rosa e Braguinha. O público e os produtores que ouviram a música ficaram encantados. 

Só que J. Carlos não gostou nada dessa história. Ele ficou enfurecido com a alteração da letra, que foi feita sem a sua autorização. Diante dessa decepção, a sua amizade com Ary Barroso chegou ao fim.

Enquanto perdia um amigo, o cantor mineiro ganhava outro. Da composição de No Rancho Fundo nasceu uma parceria com Lamartine Babo, que duraria muitos anos e renderia inúmeros sucessos para a música brasileira.

Resolvidos todos os percalços dessa polêmica, a nova canção foi gravada pela primeira vez no ano seguinte, em 1931, pela cantora Elisa Coelho, uma das preferidas de Ary Barroso. Confira essa verdadeira relíquia:

Como No Rancho Fundo salvou Jards Macalé.

No Rancho Fundo não tem só uma história curiosa em sua composição. Muitos anos depois, em meados da década de 1980, Jards Macalé estava no fundo do poço. Tanto na carreira musical quanto na vida pessoal. E encontrou a sua salvação nesse clássico. Olha só: 

Naquele período, o cantor não conseguia se identificar com a música produzida no momento e havia sido “cancelado” pelos colegas de esquerda ao participar de uma estratégia de abertura política durante a ditadura.

Até a sua mulher, filha do então governador de Minas Gerais, aliado aos militares, tinha sido alvo de críticas. 

Afundado nesse caos, Jards Macalé resolveu desistir da vida e começou a ligar para todos os seus amigos e parceiros da música. Ele queria ouvir a voz deles pela última vez

Uma das pessoas para quem ligou foi João Gilberto. Ao final da ligação, o cantor pediu para que Macalé fosse até a sua casa. Ao chegar lá, foi convidado para entrar no quarto dele, que estava escuro. Uma melodia começava a ser tocada, no violão: os primeiros acordes de No Rancho Fundo

Jards Macalé ouviu a canção por horas a fio e ficou hipnotizado com a beleza da melodia e da letra. Foi se deixando levar, até que caiu no sono. Só acordou no dia seguinte, com João Gilberto lhe oferecendo um café.

esse momento de magia musical foi o impulso que o cantor precisava para sair da angústia e seguir em frente

As principais versões de No Rancho Fundo.

Ao longo dos seus 90 anos de existência, No Rancho Fundo recebeu inúmeras versões, dos mais variados estilos musicais. Conheça, a seguir, as principais interpretações desse clássico: 

Chitãozinho e Xororó 

Em 1989, no auge da carreira, a dupla Chitãozinho e Xororó resolveu gravar uma interpretação da música. Essa versão acabou retomando a popularidade da canção, que também fez parte da trilha sonora da novela Tieta

Foi aí que No Rancho Fundo acabou se tornando um grande clássico do sertanejo nacional. Algo que os seus compositores nem imaginavam! 

Silvio Caldas

Poucos anos depois da primeira gravação, outro cantor da década de 1930 resolveu interpretar No Rancho Fundo. Foi Silvio Caldas, que manteve o estilo samba-canção de Ary Barroso e Lamartine Babo. 

César Menotti e Fabiano

Outra dupla sertaneja que resolveu fazer a sua própria versão da música foi César Menotti e Fabiano. A gravação, mais contemporânea, contribui até hoje para que novas gerações conheçam toda a genialidade e beleza de No Rancho Fundo.

Nelson Gonçalves

Em 1993, o cantor Nelson Gonçalves, conhecido como “O Boêmio”, deu um toque todo especial para No Rancho Fundo, com sua voz forte e impactante.

Almir Sater

Outro cantor muito reconhecido na história da música brasileira, Almir Sater também contribuiu com uma interpretação de No Rancho Fundo. Ele acrescentou alguns detalhes autorais na melodia, mas manteve a letra original.

letras.mus.br

 

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História da música “No Rancho Fundo”, composta por Ary Barroso e Lamartine Babo

Saiba como nasceu uma das canções mais marcantes da música brasileira, imortalizada por Chitãozinho e Xororó

 

Avatar Lívia Nolla – 07.11.2025

 

Para celebrar o aniversário do compositor, pianista, locutor e apresentador mineiro Ary Barroso, neste 7 de novembro, o site da Novabrasil traz a história de um dos seus maiores sucessos: a música “No Rancho Fundo”.

“No Rancho Fundo” é um samba-canção resultado da parceria de Ary Barroso com Lamartine Babo, mas a melodia é de uma composição anterior, do próprio Ary Barroso, que recebeu uma letra do caricaturista J. Carlos e que foi intitulada “Esse Mulato Ainda Vai Ser Meu – Na Grota Funda”.

Nesta primeira versão, os versos começavam assim:

 

“Na grota funda

Na virada da montanha

Só se conta uma façanha

Do mulato da Raimunda”

 

Naquele período, o mineiro Ary Barroso tinha acabado de se mudar para o Rio de Janeiro e compunha melodias para peças teatrais para se manter, tendo um contrato fixo com o Teatro Recreio. Foi assim que essa primeira versão da música foi lançada na trilha sonora da peça “É do Outro Mundo” – idealizada pelo próprio J. Carlos – com interpretação da cantora Araci Côrtes.

O cantor e compositor carioca Lamartine Babo estava presente nas primeiras apresentações da peça e – quando ouviu “Na Grota Funda” ficou muito impressionado com a melodia da música. Foi aí que os rumos da canção começaram a mudar.

Babo foi falar com Ary Barroso depois da peça e avisou que escreveria novos versos para a canção, mais compatíveis com a beleza do ritmo e dos acordes da composição. E assim o fez, mesmo sem Ary autorizar formalmente, batizando a nova canção de “No Rancho Fundo”.

São de então de Lamartine Babo os versos da canção que conhecemos hoje.

Babo apresentou a canção no dia seguinte, com o Bando de Tangarás – acompanhado de Noel Rosa e Braguinha – no programa que tinha na Rádio Educadora – “Horas Lamartinescas” – só que sem pedir licença ao outro autor da versão anterior.

O conteúdo dessa nova versão é um relato melancólico e super sensível de um camponês que vive no alto de uma montanha, bem longe da civilização. O público e os produtores que ouviram a música ficaram encantados com “No Rancho Fundo”.

Só que J. Carlos não gostou nada dessa história! Ele ficou muito bravo com a alteração da letra, feita sem a sua autorização e – com isso – a amizade com Ary Barroso ficou estremecida.

Já Ary, por sua vez, gostou muito mais da nova versão e ganhou um novo parceiro de composição para a vida inteira: com Lamartine Babo, compôs inúmeros outros clássicos da música popular brasileira, como: “Grau Dez” e “Na Virada da Montanha”, sucessos na voz de Francisco Alves.

A nova canção “No Rancho Fundo” foi gravada pela primeira vez em 1931, pela cantora Elisa Coelho, uma das preferidas de Ary Barroso, que toca piano nesta gravação.

Após várias versões gravadas ao longo dos anos, como as de Silvio Caldas(1939); Isaurinha Garcia(1948); Miltinho (1970); Eduardo Araújo (1971)e Ná Ozzetti (1988),a canção conseguiu sua mais popular versão em 1989, quando a dupla Chitãozinho & Xororó gravou em seu LP “Os Meninos do Brasil”, entrando na trilha sonora nacional da telenovela “Tieta”, e tornando-se uma das canções mais importantes da música popular brasileira.

https://novabrasilfm.com.br/

 

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Saudade e transformação em “No rancho fundo”

“No rancho fundo”, interpretada por Chitãozinho & Xororó, aborda como a experiência urbana pode transformar profundamente quem retorna ao campo. O verso “Só por causa do veneno das mulheres da cidade” mostra que o protagonista, antes realizado em seu ambiente rural, foi marcado por vivências na cidade que trouxeram saudade, desilusão e tristeza. O “veneno” pode ser entendido tanto como o fascínio das mulheres urbanas quanto como uma metáfora para as tentações e decepções da vida na cidade, que deixam marcas profundas em quem, como o moreno da letra, não consegue mais se encaixar plenamente em seu antigo lar.

A letra cria uma atmosfera de melancolia e nostalgia, com imagens como “os arvoredos já não contam mais segredos” e “os passarinhos hibernaram-se nos ninhos”, sugerindo que a tristeza do protagonista é tão intensa que afeta até a natureza ao redor. O moreno, que “era grande, hoje é pequeno pra uma casa de sapê”, representa a perda de vitalidade e alegria, tornando-se uma figura diminuída pela saudade e pelo desencanto. O rancho, antes visto como “céu melhor que tem no mundo”, agora é um espaço de solidão, onde até a Lua é uma companhia distante. Composta nos anos 1930 e ressignificada por Chitãozinho & Xororó, a canção mantém sua força ao retratar o impacto das mudanças e das perdas, tornando-se um retrato universal da saudade e da transformação provocada pelo contato com o novo.

https://www.letras.mus.br/

 

 

Tags: Ary / Carlos / Cortes / Elisa / Funda / Grota / Lamartine / No rancho fundo /
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