O bêbado e a equilibrista

João Bosco & Aldir Blanc

No período militar seria pecado para os esquerdistas que pessoas fossem simpatizantes de direita quanto era para os militares que jovens fossem subversivo, e tal preconceito sofreu Elis Regina em meados de 70 devido ao fato de ter aceitado o convite para cantar nas olímpiadas do exército. Isto deixou sua imagem um tanto que abalada pelos intelectuais de esquerda, um deles o cartunista Henfil, que em seu famoso pasquim, enterrou simbolicamente Elis duas vezes. Criar charges em que celebridades eram enterradas fora uma forma um tanto humorada de Henfil mostrar a pessoa, e a sociedade o quanto esta seria prejudicial a pátria naquele momento tão delicado, e uma das vítimas da brincadeira fora Elis.

Embora os esquerdistas achassem tal atitude de Henfil humorada, Elis ficara muito decepcionada com tal evento, já que tinha consciência dos motivos em aceitar o convite de cantar nas olímpiadas do exército não teria sido praticamente um convite, mas sim uma ordem, a história iniciara após uma entrevista que Elis dera a imprensa internacional onde deixou de forma espontânea escapar a crítica de que o Brasil seria governado por ‘Gorilas’, fato que a levou imediatamente a prestar depoimento nas dependências do D.O.P.S. Além de ser ameaçada de prisão, Elis foi avisada que deveria tomar mais cuidado, visto que ela era responsável por seu bebê (João Marcelo Bôscoli na época único filho da cantora). Elis amedrontada pela ameaça, aceitou o convite de cantar nas olímpiadas do exército e ainda teve a imagem prejudicada pelas críticas esquerdistas de seu ato.

 

Após ser enterrada “simbolicamente” no Pasquim, acabou encontrando o cartunista num evento e despejou a este toda sua mágoa, explicando aos prantos a Henfil todos motivos que a obrigaram a cantar nas olímpiadas do exército, além de expor suas mágoas, Elis também ouviu o ponto de vista do cartunista que tinha os motivos para atacar quem achava os defensores do regime, já que seu irmão, Hebert José de Souza, o Betinho, era perseguido pela ditadura militar e estava exiliado no Chile, desde 1971. O desabafo de ambos acabou trazendo uma intimidade a eles, que acabaram, independente de questões políticas, tornando-se amigos.

Um dia Elis ligou para Henfil, e pediu que ele imediatamente viesse a sua casa, que ela tinha algo para mostrar, e assim o fez, chegando na residência de Elis e Cesar Camargo Mariano, com quem a cantora era casada na época, e assim Henfil fora o primeiro a ouvir a música “O bêbado e a equilibrista” , Henfil chegou a dizer  que ao ouvir a música se desmontou em prantos na frente da cantora e de seu marido , que aguardavam ansiosos pela opinião do cartunista , foi um pranto cheio de esperança: “A anistia aconteceria” , seu irmão voltaria a sua Terra tão querida, Brasil.  Já que a música, escrita por João Bosco e Aldir Blanc, a pedido de Elis, além de homenagear “Betinho” mostrava a tristeza de brasileiros que fugiram do Brasil perseguidos pela ditadura: Meu Brasil, que sonha com a volta do irmão do Henfil, com tanta gente que partiu, num rabo de foguete (ouça adiante!).

O caso “ Vladimir Herzog” que tanto tinha chocado a pátria, também aparece na letra, através do primeiro Chora, a nossa pátria mãe gentil, choram Marias e Clarices, no solo do Brasil.

nome de sua viúva “Clarice Herzog”, Bosco e Blanc, para mostrar que aquela mulher não era a única que sofria pela perda de um ente querido causada pelos militares, decidi incluir na letra a simbologia do nome “Maria”, que simbolizaria outras mulheres que sofriam do mesmo mal que Clarice Herzog: 

A ideia inicial da letra, baseou-se em homenagear o grande ator e cineasta “Charlie Chaplin” que havia falecido, e para isto foi usada a figura de seu personagem principal “Carlitos”: Caia a tarde feito viaduto, e um bêbado trajando luto, me lembrou Carlitos…” a tristeza da morte de Chaplin, unia-se com a tristeza passada por anos do período militar e suas atrocidades, e o real questionamento se toda aquela luta valeria a pena, mas trazendo ainda uma mensagem de esperança de que um dia a pátria seria livre, que tanto motivou à aqueles que a ouviram, e que  elegeram “O bêbado e a equilibrista” como real hino da Anistia”.

Mas sei, que uma dor assim pungente, não há de der inutilmente, A esperança dança, na corda bamba de sombrinha, que em cada em passo desta linha pode se machucarAzar, a esperança equilibrista sabe que o show de todo artista, tem que continuar…”

Extraído de http://cadamusicatemsuahistoria.blogspot.com.br/

Elis Regina(1979)

 

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Nossos compositores sempre tiveram o costume de registrar em música e verso acontecimentos relevantes, às vezes nem tanto, da vida brasileira. Um rápido exame do repertório nacional encontrará revoluções, campanhas políticas, feitos de brasileiros e outros fatos inspirando canções de crítica ou louvação. Nem mesmo a censura ferrenha de duas ditaduras foi capaz de impedir essa prática, muitas vezes disfarçada pelo uso de imagens alegóricas.

Este é o caso de “O bêbado e a equilibrista”, uma notável composição de João Bosco e Aldir Blanc, que focaliza uma promessa de abertura democrática, na ocasião cercada de incertezas. Parodiando a forma de um samba enredo, a canção descreve uma cena patética em que dois personagens — o bêbado e a equilibrista — movimentam-se ridiculamente num fim de tarde sombrio — “E nuvens / lá no mata-borrão do céu / chupavam manchas torturadas”. O bêbado, trajando luto e lembrando a figura de Carlitos — “Fazia irreverências mil / pra noite do Brasil / (…) / que sonha / com a volta do irmão do Henfil / e tanta gente que partiu” — ou seja, para a situação brasileira da época. Já a equilibrista era — “A esperança (que) dança / na corda bamba de sombrinha (e) em cada passo dessa linha / pode se machucar” — o que correspondia à expectativa ansiosa de um projeto de êxito imprevisível.

E a canção prossegue, utilizando conscientemente o mau-gosto e o lugar-comum como forma chocante de expressar a crítica a uma realidade indesejada — “Chora / a nossa pátria, mãe gentil / choram Marias e Clarisses / no solo do Brasil”. Diga-se de passagem, que “o irmão do Henfil” e as “Clarisses” citados nos versos referem-se a personagens reais, sendo o primeiro o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, irmão do cartunista Henfil, na época exilado, e a segunda, Clarisse, viúva do jornalista Wladimir Herzog, enforcado numa prisão da ditadura, em São Paulo.

“O bêbado e a equilibrista” foi lançado por Elis Regina em junho de 79, numa gravação orquestrada e dirigida por César Camargo Mariano, integrante do elepê ‘Elis, essa mulher’, o primeiro da cantora na gravadora WEA (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).


Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br/ 

            

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Sobre “O bêbado e a equilibrista”, João Bosco conta que, inicialmente, a ideia era compor uma canção em homenagem a Charles Chaplin, que havia morrido pouco tempo antes. Apesar de ser um samba, a harmonia da música tem passagens melódicas inspiradas na música “Smile”, escrita por Chaplin para o filme ‘Tempos modernos’.

3 de nov. de 2022

 

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Nos versos “choram Marias e Clarisses”, por exemplo, Aldir Blanc cita as viúvas Maria, mulher do operário Manuel Fiel, e Clarisse Herzog, esposa do jornalista Vladimir Herzog, brasileiros assassinados nos porões do DOI-CODI (órgão de inteligência e repressão do governo militar, subordinado ao Exército) por fazerem oposição ao regime.

4 de mai. de 2020

 

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A história de ‘O bêbado e a equilibrista’, na voz de Elis Regina

Sucesso eternizado na voz de Elis Regina – e gravado no disco ‘Elis, essa mulher’, de 1979 – a canção “O bêbado e a equilibrista, de Aldir Blanc e João Bosco, é um dos maiores clássicos da música popular brasileira de todos os tempos.  “Meu Brasil Que sonha com a volta do irmão do Henfil …”

Nova brasil03.11.2022

Sucesso eternizado na voz de Elis Regina – e gravado no disco Elis, Essa Mulher, de 1979 – a canção “O bêbado e a equilibrista”, de Aldir Blanc e João Bosco, é um dos maiores clássicos da música popular brasileira de todos os tempos. 

Meu Brasil

Que sonha com a volta do irmão do Henfil

Com tanta gente que partiu

Num rabo de foguete

Chora

A nossa Pátria mãe gentil

Choram Marias e Clarisses

No solo do Brasil

O Bêbado e a Equilibrista – Aldir Blanc e João Bosco

A canção (que já havia sido lançada por João Bosco no seu disco Linha de Passe, do mesmo ano) tornou-se um hino sobre o período da Anistia no Brasil e o início do declínio da ditadura militar.

A história da música “O bêbado e a equilibrista”

“Choram Marias e Clarisses”

A letra possui várias referências a eventos e personalidades ligadas ao período duro de repressão pelo qual o Brasil estava passando: “Marias e Clarices” são referências à Maria, filha do metalúrgico Manuel Fiel Filho, e à Clarisse Herzog, esposa do jornalista e dramaturgo Vladmir Herzog, ambos mortos nos porões do DOI-CODI, por fazerem parte da oposição ao governo militar.

“A volta do irmão do Henfil”, faz referência ao sociólogo e ativista pelos direitos humanos Herbert José de Sousa, o Betinho – irmão do cartunista, quadrinista, jornalista e escritor brasileiro Henfil – que esteve exilado de 1971 até 1979, quando pôde, finalmente, voltar ao Brasil.

Em tempos duros de repressão, no auge da ditadura militar, foi instaurado, em 1968, o Ato Institucional nº 5, que cerceava as liberdades democráticas, de expressão e das criações libertárias, fazendo com que Betinho sofresse forte perseguição, sendo obrigado a se exilar no Chile, até 1979, quando entrou em vigor a Lei da Anistia, que garantia anistia (perdão) ampla, geral e irrestrita a todas as pessoas que resistiram ou se rebelaram contra a ditadura militar brasileira e que foram punidas com base em Atos Institucionais.

Mineiro, Betinho formou-se em Sociologia na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais e, durante o governo de João Goulart assessorou o MEC, chefiou a Assessoria do Ministro Paulo de Tarso Santos, e defendeu as Reformas de base, sobretudo a reforma agrária. 

Com o Golpe Militar, em 1964, mobilizou-se contra a ditadura, sempre lutando pelas causas sociais. No Chile, assessorou Salvador Allende, até sua deposição em 1973. Conseguiu escapar do golpe de Pinochet refugiando-se na embaixada panamenha. Posteriormente morou no Canadá e no México. Durante esse período foram reforçadas as suas convicções sobre a democracia – que ele julgava ser incompatível com o sistema capitalista. 

Em 1981, junto com os economistas Carlos Afonso Marcos Arruda, fundou o IBASE – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas, e passou a se dedicar à luta pela reforma agrária, sendo um de seus principais articuladores.

Betinho também integrou as forças que resultaram no impeachment do Presidente da República Fernando Collor de Mello. Mas o seu projeto de maior destaque foi a Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, movimento e organização não-governamental criada em 1993, que estimula a participação cidadã na construção e melhoria das políticas públicas sociais.

Hoje, dia 3 de novembro, Betinho completaria 87 anos

Em 1986, um ano depois do fim da ditadura militar no Brasil, Betinho descobriu ter contraído o vírus da imunodeficiência humana em uma das transfusões de sangue a que era obrigado a se submeter periodicamente devido à hemofilia, doença que ele e os irmãos Henfil e Chico Mário (músico) herdaram da mãe no nascimento. Em sua vida pública, esse fato repercutiu na criação de movimentos de defesa dos direitos dos portadores do vírus da AIDS.

Junto com outros membros da sociedade civil, fundou e presidiu até a sua morte – em 1997, aos 61 anos – a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDSHenfil e Chico Mário morreram em 1988, por consequência de complicações causadas pela doença. Hoje, Betinho completaria 87 anos.

Sobre “O bêbado e a equilibrista”, João Bosco conta que, inicialmente, a ideia era compor uma canção em homenagem a Charles Chaplin, que havia morrido pouco tempo antes. Apesar de ser um samba, a harmonia da música tem passagens melódicas inspiradas na música ‘Smile’, escrita por Chaplin para o filme ‘Tempos modernos’

Mas Aldir Blanc sugeriu, por conta dos tempos duros de repressão que ainda se vivia no Brasil, que fosse um “personagem chapliniano, que, no fundo, falasse da condição dos mortos, torturados e exilados pela ditadura. Por isso: ‘Um bêbado trajando luto, me lembrou Carlitos’.

Nova brasil

 

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O Bêbado e a Equilibrista” é uma canção composta por João Bosco e Aldir Blanc, e interpretada por Elis Regina em seu álbum Essa Mulher, de 1979. Tornou-se um hino informal sobre o período da anistia e do declínio da Ditadura Militar no Brasil, sendo mesmo chamada de Hino da Anistia, ainda que tenha sido composta antes da aprovação da Lei da Anistia, de 1979.

História

A canção começou a ser composta no período entre as festas de Natal de 1977 e Ano Novo, João Bosco queria homenagear Charles Chaplin, morto em 25 de dezembro daquele ano, e seus primeiros versos, que citam metaforicamente a queda do Elevado Paulo de Frontin, falam exatamente do personagem Carlitos, de Chaplin (“Caía a tarde feito um viaduto, e um bêbado trajando luto me lembrou Carlitos…”).

A letra possui diversas referências de eventos e personalidades ligadas ao período em questão, ou seja, à Ditadura Militar e a anistia concedida para opositores e para os próprios militares, de acordo com a Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979. Nos versos “Choram Marias e Clarisses”, Bosco cita Maria, filha de Manuel Fiel Filho, e Clarisse Herzog, esposa de Vladimir Herzog, pois ambos morreram nos porões do DOI-CODI por fazerem parte da oposição. O trecho “Meu Brasil… Que sonha com a volta do irmão do Henfil”, a letra faz referência a Herbert José de Sousa, o Betinho, irmão de Henfil, que esteve exilado de 1971 até 1979, no Chile, Canadá e México.

A música foi executada pela primeira vez num programa de TV em São Paulo por Elis Regina, e fez grande sucesso mesmo antes de ser lançada oficialmente.

Aldir Blanc considera a canção um registro da união e amizade entre ele, João Bosco, Henfil e Elis Regina.

A canção dialoga com a reflexão acerca das adversidades. A música tornou-se símbolo da resistência contra a ditadura militar do Brasil (1964-1985), logo «O bêbado e a equilibrista», ficou reconhecida e chamada de hino da anistia política e dos exilados. A obra musical reflete sobre horizontes de expectativas e espaço de experiências.

Gravação

A gravação de “O bêbado e a equilibrista” de Elis Regina teve arranjo de César Camargo Mariano.

 

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João Bosco recorda como compôs “O bêbado e a equilibrista”

Canção clássica da música popular brasileira foi eternizada na voz de Elis Regina, em 1979

Caroline Ferreira, Atualizado 19/01/25

O cantor João Bosco, 78, recordou como foi a composição da clássica música “O bêbado e a equilibrista”, eternizada na voz de Elis Regina, em 1979. A declaração foi dada durante sua participação no programa Altas Horas, da TV Globo, no sábado (18).

“A música ‘O Bêbado e a Equilibrista’ começa com a morte de Charles Chaplin, em 1977. Fiquei muito emocionado com a morte dele, porque os filmes dele sempre serão os filmes do Chaplin, para todas as gerações. É aquele filme que você vê a coisa do pobre, da miséria, do circo”, começou.

João também disse que, apesar de todas as dificuldades, Chaplin sempre terminava o filme de costas para a câmera e diante de um sol que estava nascendo, como um novo dia.

“Comecei a dedilhar uma canção dele, que ele era um grande compositor das trilhas sonoras dos filmes dele. Quando vi, depois de um tempo, percebi que eu estava no meio de um samba. Volto para o Rio de Janeiro, encontro meu parceiro, Aldir [Blanc], expliquei para ele essa história, e ele então leva o samba para casa e faz essa letra”, detalhou.

“Ele projeta a biografia, os filmes do Chaplin na realidade brasileira. Ele mistura com irmão do Henfil, e mostra um Brasil que está acontecendo, nos anos 1977 e 1978”, concluiu.

https://www.cnnbrasil.com.br/

 

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“O bêbado e a equilibrista”, lançada por Elis Regina em 1979 e composta por João Bosco e Aldir Blanc, tornou-se um hino contra a ditadura militar, mas sua relação com a censura é complexa: embora cite tortura, exílio e a volta de exilados, fontes divergem sobre sua censura direta, com algumas indicando que foi proibida e outras sugerindo que a música contornou a repressão por metáforas.

 

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O Hino da Anistia: Como surgiu a clássica canção ‘O bêbado e a equilibrista’?

Uma das mais importantes músicas da MPB, ela contou com a interpretação de Elis Regina e composição de João Bosco e Aldir Blanc

Uma morte que aconteceu na Suíça causou um rebuliço dentro de um homem que estava em Minas Gerais em 25 de dezembro de 1977. O falecido era ninguém mais ninguém menos que a lenda do cinema Charlie Chaplin e, no Brasil, o cantor e compositor João Bosco foi quem sentiu o impacto do óbito de um dos artistas mais importantes da história.

Entre o Natal e o Ano Novo, com a cabeça já no Carnaval, João queria criar uma música que prestasse homenagem ao cineasta que tinha falecido aos 88 anos de idade. Como conta reportagem do O Globo, seus rascunhos contavam principalmente com referências a Carlitos, a conhecida figura interpretada por Chaplin.

No começo, a canção tinha como intuito homenagear o ídolo de João Bosco, o que está expresso no verso “E um bêbado trajando luto me lembrou Carlitos”. Mas ela não ficou restrita a isso: quando o compositor Aldir Blanc foi convocado para fazer parte do projeto, a música acabou trilhando novos caminhos.

“O João me chamou na casa dele e disse que havia feito um samba, cuja harmonia tinha passagens melódicas parecidas com ‘Smile’ [trilha sonora do filme ‘Tempos modernos’], propositalmente construídas para que homenageássemos o cineasta”, disse Blanc à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), tempos depois, conforme repercutido pelo O Globo.

No entanto, a ideia original acabou mudando: “Só que, casualmente, encontrei o Henfil [cartunista] e o Chico Mário [violonista e compositor], que só falavam do mano que estava no exílio. Cheguei em casa, liguei para o João e sugeri que criássemos um personagem chapliniano, que, no fundo, deplorasse a condição dos exilados. Não era a ideia original, mas ele não criou caso e disse: ‘Manda bala, o problema é seu’”.

Além da referência a Charlie Chaplin, a música também narra — sutilmente, afinal, ainda estávamos em uma ditadura — alguns episódios que aconteceram no Brasil na época. A primeira linha, “Caía a tarde feito um viaduto”, já é uma alusão ao Elevado Paulo de Frontin, no Rio de Janeiro, que caiu em 1971. 

“Meu Brasil / Que sonha com a volta do irmão do Henfil / Com tanta gente que partiu” é uma poesia que relata as pessoas que foram exiladas durante o período conturbado do país. O “irmão do Henfil” é o “mano” mencionado por Blanc na entrevista: o sociólogo Herbert José de Sousa, irmão do cartunista Henfil, que passou anos em exílio.

Outra referência marcante à ditadura militar é o trecho “Chora / A nossa Pátria mãe gentil / Choram Marias e Clarisses / No solo do Brasil”. São mencionadas Maria, esposa do operário Manoel Fiel Filho e Clarisse Herzog, viúva do jornalista Vladimir Herzog

Não foi à toa que a música se tornou o “hino da Anistia”, como ficou popularmente conhecido, além de um clássico da MPB. “Liguei para Betinho [Herbert José de Sousa] e disse: agora temos um hino, e quem tem um hino faz uma revolução”, disse Henfil por telefone ao irmão, como repercutiu o portal da EBC (Empresa Brasil de Comunicação).

A escolhida para cantar a importante canção foi Elis Regina, que conquistava cada vez mais o Brasil com seu talento incontestável e lançou a música no EP “Essa mulher”, de 1979. “O bêbado e a equilibrista” foi tocada em inúmeras recepções de aeroportos, na espera de pessoas que estavam em exílio. 

Ainda segundo a EBC, Henfil disse: “Todas as pessoas levaram um gravador com a fita da música. Era uma tocação de ‘O bêbado e a equilibrista’. Até os policiais ficaram tocados. No mesmo dia levei meu irmão ao Anhembi para o show da Elis”.

A cantora também já sabia da importância da canção. “De repente pode ser um empurrãozinho a mais na questão. A gente não pode perder as chances, as brechas têm de ser ocupadas”, afirmou em entrevista à Rádio Nacional do Rio de Janeiro naquele ano. “Grande parcela da população anseia encontrar um Carlitos desses e sonha não ver mais, nem Marias nem Clarices chorando”, concluiu.

 

Tags: Aldir / bebado / Betinho / Blanc / Bosco / elis / equilibrista /
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Nilo Sergio Olmedo disse:

tofos nos que defendemos a democracia ( mesmo com todos seus defeitos) so podemos nos render essa joia rara, maravilhosa , historica

Nilo Sergio Olmedo disse:

eu e minha mulher assistimos 2 vezes o musical no teatro contanto a vida Ellis, e claro um dos temas centrais e essa musica e os personagens Aldir Blanc, Henfil e outros

Nilo Sergio Olmedo disse:

a letra de o Bêbado e a Equilibrista e recheada de metáforas, o Bêbado seia umaxreferencia a Charlie Chaplin e seu personagem Carlitos, por tratar de temas a favor dos miseráveis, mas com alegria, com um final feliz, na epocaxestava em vigor o AI-5, a dona do bordel seriam os pokiticos que se vendem ao regime as custas da exploracao do povo,

Nilo Sergio Olmedo disse:

assim como Carlitos o nosso povo continuava a tentar levar a vida com bom himor acreditabdo que dias melhores poderiam chegar.A musica que comeca em tom de desabafo, termina com uma mensagem de fé, que a luta nao seria em vão

Paulo Roberto Victer disse:

A nostalgia exposta na canção O BÊBADO E A EQUILIBRISTA, nos leva a momentos saudosos de um desejo em voltar aquele tempo que nos marcou ! Mas a vida continua e que se segue, como o show de todo deve continuar !