O neguinho e a senhorita

Noel Rosa de Oliveira & Abelardo da Silva

O “Noel” e o “Rosa” do Noel Rosa de Oliveira fazem parte de seu nome verdadeiro, não sendo, como poderia parecer, uma homenagem a Noel Rosa. Também compositor, esse outro Noel pertence ao morro do Salgueiro, onde nasceu em 15 de julho de 1920, quando o xará de Vila Isabel tinha apenas nove anos. Aliás, ali nasceu, viveu e aprendeu, pois foi o Salgueiro que lhe deu notoriedade.

Embora com um sucesso no carnaval de 49 (“Falam de mim”), ele realmente só se projetaria fazendo para os “Acadêmicos do Salgueiro” sambas-enredo como “Quilombo dos Palmares” (com Anescarzinho e Valter Moreira, em 60) e “Chica da Silva” (com Anescarzinho, em 63). Esses dois sambas abriram-lhe as portas da mídia, dando-lhe oportunidade de aparecer e gravar suas músicas, entre as quais “O neguinho e a senhorita”, a primeira a levá-lo às paradas, cantada por Noite Ilustrada (ouça adiante!)

 

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Uma composição ingênua, este samba descreve o romance do Neguinho com a filha da madame” (“O Neguinho gostou da filha da madame / que nós tratamos de Sinhá”), um caso de preconceito racial leve, com final feliz, pois, à revelia de madame, “senhorita foi morar lá na colina com o Neguinho que é compositor”, e até acabou se tornando “rainha da escola”.

Noel Rosa de Oliveira, que morreu em 18/03/88, emplacou novo sucesso na trilha do “Neguinho”, a batucada “Vem chegando a madrugada” (com Zuzuca), desta vez na voz de Jair Rodrigues (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br

Noite Ilustrada & Coro(1965)

 

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Superação do preconceito em “O neguinho e a senhorita”

“O neguinho e a senhorita”, de Noite Ilustrada, aborda o preconceito racial de forma leve e otimista, destacando como o amor pode superar barreiras sociais e raciais. A letra mostra o relacionamento entre o “neguinho” e a “senhorita“, que enfrenta a desaprovação da mãe da jovem devido ao racismo. O contexto dos anos 1960, quando relações inter-raciais eram fortemente discriminadas no Brasil, é fundamental para entender a força da mensagem. Trechos como “a madame tem preconceito de cor / não pôde evitar esse amor” deixam claro o conflito entre o preconceito social e o sentimento verdadeiro.

A música utiliza termos como “madame” e “sinhá” para remeter à herança escravocrata e à divisão social brasileira, enquanto a “colina” representa o morro, espaço ligado à cultura negra e ao samba. O final da história, em que a senhorita se torna “rainha da escola” de samba, simboliza sua aceitação e integração à comunidade negra, além de inverter papéis sociais: a jovem branca, antes distante, passa a ser celebrada em um ambiente popular. A frase “ela devia nascer pobre também” sugere que felicidade e realização não dependem de status social, mas de identificação cultural e afeto. O tom direto da letra, junto à melodia alegre, reforça a mensagem de esperança e superação, mostrando que o amor pode vencer o preconceito e unir realidades diferentes.

https://www.letras.mus.br/

 

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Superação de barreiras sociais em “O neguinho e a senhorita”

“O neguinho e a senhorita”, de Elza Soares, aborda como o amor pode romper barreiras sociais e raciais, mesmo diante do preconceito explícito. A letra utiliza o termo “sinhá” para remeter ao passado escravocrata brasileiro, evidenciando a distância social e racial entre o “neguinho” e a família da “senhorita“. Essa escolha reforça que o preconceito da mãe da jovem não é apenas pessoal, mas faz parte de uma herança histórica de opressão.

A narrativa mostra a transformação da “senhorita“, que, apesar de sua origem rica e branca, decide viver com o “neguinho” compositor na colina, símbolo de uma vida mais simples e conectada à cultura popular do samba. Ao se tornar “rainha da escola” e se adaptar ao samba, ela supera o preconceito da mãe e encontra felicidade e pertencimento em um ambiente antes distante. O verso “ela devia nascer pobre também” sugere, de forma irônica, que a verdadeira riqueza está na alegria compartilhada e na vivência, não no status social. Assim, a canção mistura leveza e crítica social, celebrando a superação das diferenças e a força do amor diante das desigualdades.

https://www.letras.mus.br/

Tags: abelardo / Ilustrada / Neguinho / noel / Rosa / Salgueiro / senhorita /
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odair venceloski disse:

Noite Ilustrada gênio da interpretação

Carlos Spitz disse:

É um “sambinha” curto com apenas três estrofes mas que dá o seu recado de forma leve e boa de se ouvir. Me lembro do episódio do namoro/casamento do Germano ex-Fla (irmão do Fio Maravilha) com a condessa Geovana milionária italiana em 1967 e tocava bastante este samba e cheguei a ouvir comentários a epoca de que foi a inspiração do samba, mas nada confirmado até pq o samba é de 1965 e o casamento foi somente dois anos depois em 1967. Na minha ótica o Paulista Noite Ilustrada deixou sua marca. registrada tbm neste samba. Por isso, apesar de todas as excelentes gravações disponibilizadas no Qual Delas a minha preferência é “Noite Ilustrada & Coro”(1965).

Renê Monteiro disse:

Gostei muito dessa música, era bem tocada nas rádios.