Por causa de você

Tom Jobim & Dolores Duran

“Por causa de você”, outra pérola da canção-amor, composição de Tom Jobim (1927-1994) e Dolores Duran (1930-1959).

Nasceu de um flash genial de Dolores. Jobim depõe: “ela fez a letra com um lápis de sobrancelha, o instrumento que tinha à mão para não perder aquele ótimo momento de inspiração. Isso aconteceu numa sala da Rádio Nacional quando eu dedilhava a melodia para um grupo de colegas. O Vinícius já preparava uma letra e Dolores fez a dela em cima da perna, em cinco minutos. Depois escreveu na margem do papel: “Vinícius, outra letra é covardia”. A do Vinícius estava quase pronta mas ele abriu mão mantendo a feita por Dolores”.

Extraído de http://museudacancao.blogspot.com.br/

 

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História da canção “Por causa de você”

Ah, vocé está vendo só 

Do jeito que eu fiquei

E que tudo ficou 

Uma tristeza tão grande

Nas coisas mais simples

Que você tocou

A nossa casa, querido

Já estava acostumada

Aguardando você

As flores na janela sorriam, cantavam

Por causa de você…

 

A história dessa música, com letra de Dolores Duran e melodia de Tom Jobim, tem uma versão que passou à posteridade, sendo repetida sempre que se fala de Dolores e Jobim, e o próprio maestro a endossou numa de suas entrevistas, à TV Globo, nos anos 1970, num dos programas da série Brasil Especial dedicada à sua parceira (veja e ouça adiante!): “Dolores Duran, grande compositora, grande amiga, minha parceira em algumas músicas, entre elas “Por causa de você”. Fiz essa melodia e Vinicius começou a escrever uma letra e eu fui à Rádio Nacional à tarde, que naquele tempo era o centro da música, de tudo, no Edifício ‘A Noite’, na praça Mauá.

Numa sala, tinha um piano, e entre esses colegas, a nossa Dolores tirou um lápis de sobrancelha da bolsa, escreveu uma letra e me disse: ‘Outra letra é covardia.’ E Vinicius, que gostava muito dela aceitou. Ficou a letra dela. Uma das melhores letras que já fizeram pra mim, relatou o maestro, irônico como sempre, recordando-se ainda que nessa ocasião quando ela criou “as flores na janela sorriam, cantavam, por causa de você”, um crítico infeliz escreveu. O pesquisador Jairo Severiano, no entanto, que chegou a produzir um disco retrospectivo do maestro para a Fundação Emilio Odebrecht nos anos 1980, conta que, numa conversa, o próprio Tom admitiu que aquela letra não era do tipo que se faz em dez minutos. Que essa história era uma lenda. Quem endossa essa versão é Roberto Menescal (veja e ouça adiante!), nessa ocasião ainda um ilustre desconhecido, que acabava de iniciar sua carreira como violonista de Sylvia Telles e preparava-se para formar uma academia de violão com o amigo Carlos Lyra. Ao que tudo indica, o que ocorreu foi o seguinte. Certo dia, Dolores chegou à casa de Tom, na Barão da Torre, em Ipanema, e ele então disse que ia mostrar em primeira mão uma música que tinha acabado de compor com o ‘Poetinha’. Chamava-se “Castelos de amor”.

Os poucos presentes ficaram loucos pela música, mas Dolores ficou séria, ouvindo. Quando acabou de tocar, Tom teria perguntado: “Você não gostou, não?” E ela: “Adorei, amei a música, mas a letra não é essa não. Não tô falando que é feia, mas não é a letra! Eu vou fazer a letra dessa música!”. “Houve um constrangimento geral, mas ela foi bastante corajosa em dizer aquilo. E ela já foi dizendo que ela mesma ia falar com o Vinicius. E o Tom: ‘Olha, não quero saber desse negócio, não! E entre vocês”, explica Menescal. Depois de trabalhar uma semana na nova letra, ela teria convocado Vinicius para juntos irem à casa de Tom, sem nada lhe contar do que se tratava. Tom tocou novamente sua melodia, e teria dito apavorado: “Olha, não teria dito: “Neguinha, a letra é essa. Tenho nada a ver com isso!” Nisso ela já foi cantando: “Ah, você tá vendo só/ Do jeito que eu fiquei…” Quando acabou, o Vinicius lhe teria dito: “Neguinha, a letra é esta”.

O leitor pode escolher qual das duas versões da história lhe parece mais realista. Entretanto há mais um detalhe interessante sobre a canção que não dá margem a dúvida. Faz parte de mais um capítulo das detalhadas memórias, escritas em livro por Nestor de Holanda, um dos primeiros a conhecer o dom da poeta Dolores Duran.

“Em caráter inteiramente confidencial, Dolores me mostrou poemas de sua autoria. Eram excelentes.  Propus que os publicasse. Pedi cópias. Ela se negou. Nunca mais me deixou ler suas produções, Achava-as fracas. Só voltei a ver-lhe os versos quando   fez a letra de “Por causa de você” musicada por Tom.

No bar da Rádio Nacional perguntou-me: ‘Há algum erro de português aqui?’ Li. Via a que erro aludia: ‘Não deixe o mundo mau lhe levar outra vez’, mas respondi: Não. ‘E este lhe levar? Deixe assim, por favor, Dolores. Se você mudar para ‘levá-lo’, terá de modificar a melodia. Pior que isso: quebrará a espontaneidade de versos tão belos”.

“O povo diz isso muito comumente. Os mestres gritam, porque o ‘lhe’ é pronome pessoal, caso obliquo, dativo, da terceira pessoa, funciona como objeto indireto, quase sempre. O erro tem sua razão no fato de julgarem que expressões especiais de tratamento da terceira pessoa, como ‘você’, equivalem à segunda, em sentido. Não se justificaria em linguagem erudita. No seu samba, entretanto, até a regência imprópria é bonita.

“Vão atacar-me pelos jornais”, disse-me ela. ‘Não vão não senhora! Os cronistas de rádio e de discos não sabem nada de regência’, disse-lhe. Rimos. Mário Lago me apoiou. Era justamente quando ele vinha escrevendo um dicionário de palavras homofóbicas, que não terminou. Dolores ouviu-nos, lançou o ‘Por causa de voce’ com aquele ‘lhe levar’ Ninguém comentou. E o Mário Lago me disse: ‘Até o erro é bonito nesse samba! Que talento tem essa menina!”

 

Entre meu bem, por favor,

Não deixe o mundo mau

Lhe levar outra vez

Me abrace simplesmente

Não fale, não lembre

Não chore meu bem

(Fonte: Livro “Dolores Duran, a noite e as canções de uma mulher fascinante”, de Rodrigo Faour, Edição Record, p.186-188)

 

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Roberto Menescal em”A canção contada”

  

 

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A saudade e o desejo de recomeço em “Por causa de você”

“Por causa de você”, de Tom Jobim, explora como a ausência de alguém amado transforma até os detalhes mais simples do cotidiano em lembranças dolorosas. O verso “Uma tristeza tão grande nas coisas mais simples que você tocou” mostra que a presença da pessoa amada está em tudo, tornando impossível separar o ambiente do sentimento de perda. Elementos como “as flores na janela” e “a nossa casa querida” reforçam que o amor deixou marcas profundas, afetando não só o narrador, mas todo o universo ao redor.

O contexto da composição, com Dolores Duran recém-divorciada, aprofunda o tom confessional da letra. O pedido “Olhe meu bem nunca mais nos deixe por favor” expressa o desejo de reconciliação e a esperança de que o amor possa superar as dificuldades do “mundo mau”. A súplica para que o reencontro seja silencioso e sem lembranças dolorosas — “Me abrace simplesmente, não fale, não lembre, não chore meu bem” — revela que, para o narrador, o retorno do amor é suficiente para restaurar a felicidade, sem necessidade de explicações ou revisitar o sofrimento passado. Assim, a música se destaca como um retrato sincero da vulnerabilidade e da esperança de quem deseja reatar um relacionamento, marcada pela sensibilidade e pela experiência pessoal da compositora.

https://www.letras.mus.br/

 

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Por causa de você” é uma canção de estilo samba-canção lançada em 1957. Sendo um clássico da música brasileira, foi regravada por diversos artistas ao longo do tempo (confira em “O tempo não apagou”, clicando aqui). Sua letra é de Dolores Duran e a música é de Tom Jobim. A canção fala sobre uma reconciliação calorosa de um casal e sobre o sofrimento que houve antes, no momento em que ele estava separado.

Em março de 1957, quando Tom Jobim ainda não era muito famoso, ele mostrou à Dolores uma melodia que havia feito com Vinícius de Moraes. Dolores ficou encantada e ali mesmo escreveu a letra. Jobim tocou no piano a música e ela cantou seu poema. Sem pensar duas vezes Jobim aceitou a letra.

A princípio, quem iria escrever a letra para a música é Vinícius de Moraes. Dolores telefonou para Vinícius, dizendo que a letra já estava pronta, e este reconheceu que a letra escrita por ela era melhor. Dolores e Jobim criaram mais duas canções juntos: “Se é por falta de adeus” de (1955) e “Estrada do sol” (de 1958). Entre as três, a preferida de Jobim era “Por causa de você”.

Gravações e regravações

Como muitas músicas brasileiras desta época, “Por causa de você” foi gravada muitas vezes. As primeiras gravações aconteceram em 1957 por Silvia Telles e Dolores Duran (ouça adiante!). Não se sabe qual delas foi a primeira a gravar. A gravação de Maysa no ano seguinte ganhou certa popularidade. Em 1958 Elizeth Cardoso e Angela Maria também a gravaram. Em 1960, Lúcio Alves gravou a canção para um álbum seu de tributo à Dolores. Também em 1960, Silvia Telles regravou a canção em francês, chamada “Gardez moi pour toujours” (em português: “Guarde-me para sempre”), com letra de Serge Rodhe. Frank Sinatra gravou uma versão em inglês da canção, escrita por Ray Gilbert, chamada “Don’t ever go away” (em português: “Nunca se vá”), em 1971 para o seu álbum Sinatra & Company que tem forte influência de Bossa Nova. 50 anos depois do nascimento da canção Roberto Carlos canta “Por causa de você” no show com Caetano Veloso (Roberto Carlos e Caetano Veloso e a Música de Tom Jobim).

Wikipédia

Sylvia Telles(1957)

Dolores Duran & Severino Filho e Conjunto(1957)

 

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Tom Jobim em “A canção contada”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tags: causa / Dolores / Duran / Jobim / Telles /
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Renê Monteiro disse:

A Dolores é uma delícia… gostei da discussão semântica, um conhecedor profundo ,derrotou puristas com o argumento perfeito. No caso, o errado é que é o certo…