Prova de carinho
“Prova de carinho”: Uma aliança feita com a corda de Cavaquinho. De Adoniran Barbosa para Mathilde
4 de março de 2020 sebastianbam
Gestos de amor romântico podem ser grandiosos ou singelos. Há quem goste daqueles gestos exagerados, superlativos, ou há quem goste de algo mais simples, mas com um significado simbólico mais particular.
A história que vou contar aqui mais se adequa ao segundo caso. No Livro “Adoniran: dá licença de contar”, Ayrton Mugnaini Jr. conta que o grande amor da vida de Adoniran Barbosa, talvez o maior representante do samba paulistano, foi sua segunda mulher Mathilde de Lutiss.
Assim, Adoniran pegou a corda “mi” do cavaquinho (uma curiosidade, as cordas do cavaquinho são 4 – ré/si/sol/ré. Logo, não existe a corda “mi”) e fez uma aliança e ofereceu para Mathilde, em 1942.
Assim, tendo por mote esta oferta, Adoniran pôs a letra na melodia do maestro Hervê Cordovil, mineiro de Viçosa, que então trabalhava com Adoniran na Rádio Record.
O Eu-lírico conta a história de alguém que tira uma corda de um cavaquinho e forja uma aliança, como prova de amor. A canção reflete uma situação típica de meados do século passado, quando havia um conflito entre o casamento e a boemia. Na canção, são relatados os sacrifícios feitos por ter escolhido a aliança (a mulher amada) em detrimento da boemia (as serenatas que se deixou de fazer pela corda ausente no instrumento).
Assim, na canção, o sujeito tira a corda do cavaquinho como prova de amor.
No texto disco póstumo de Adoniran, denominado o sambista – ‘Documento Inédito’ -, Mathilde relatou: “Ele fez a aliança com a corda do cavaquinho, e eu tenho essa aliança até hoje, que é verdade, ele fez uma aliança pra mim com a corda do cavaquinho”.
A aliança foi divulgada pela filha do compositor, Maria Helena Rubinato, e faz parte do acervo de Adoniran Barbosa…..
Com a corda mi
Do meu cavaquinho
Fiz uma aliança pra ela
Prova de carinho
Quanta serenata
Eu tenho que perder
Pois meu cavaquinho
Já não pode mais gemer
Quanto sacrifício
Eu tive que fazer
Para dar a prova pra ela
Do meu bem querer
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Gestos simples e afeto em “Prova de carinho” de Adoniran Barbosa
Em “Prova de carinho”, Adoniran Barbosa transforma um episódio real de sua vida em uma canção que valoriza o romantismo simples e criativo. O gesto de fazer uma aliança com a corda “mi” do cavaquinho, em vez de comprar um presente caro, mostra um tipo de amor que se expressa por meio de sacrifícios pessoais e escolhas autênticas. O trecho “Quanta serenata eu tenho que perder / Pois meu cavaquinho já não pode mais gemer” destaca a renúncia do personagem, que deixa de tocar serenatas para presentear a pessoa amada, reforçando que o valor do presente está no sentimento e não no objeto em si.
A letra, com sua linguagem direta e repetição de versos, aproxima o ouvinte do cotidiano do casal e transmite sinceridade. O ato de transformar uma parte do instrumento em símbolo de compromisso mostra que o amor verdadeiro se revela nos pequenos gestos e na criatividade diante das dificuldades. “Prova de carinho” celebra o afeto genuíno, a importância dos detalhes e a capacidade de encontrar beleza e significado nas limitações do dia a dia.
https://www.letras.mus.br/
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Ah, esse Adoniran…
Corda mi, inexistente, é prova de amor e carinho
28/10/2023
Apesar de arriscar uns acordes no violão, não sou músico. No entanto, uma coisa sempre me intrigou na música “Prova de carinho”, do Adoniran Barbosa. É que nela há uma frase sobre uma corda mi do cavaquinho, coisa que não existe. Pois é, ou ele retirou a tal corda de um violão, que não possui apenas uma corda mi, mas duas, ou, então, o Adoniran mentiu para a amada.
Não acredito que esse gênio, até mais famoso por “Trem das onze”, tenha se enganado sobre a verdadeira nota dessa corda. Prefiro pensar que ele, sabedor que o cavaquinho não tem uma corda mi, tenha feito de propósito para, assim, continuar levando a vida boêmia pela noite paulistana. Isso mesmo, imagino que o Adoniran, artista de primeira linha, tenha retirado a sexta corda do violão, que é mais grossa e, sim, ela é mi, e tenha pedido a mão da moça em casamento.
Mas eis que a minha amada, a linda Dona Irene, está aqui ao meu lado me falando de uma outra possibilidade, muito mais interessante. A tal corda era mesmo mi, mas a futura esposa do artista sabia que o cavaquinho só tem as cordas dó, si, sol e ré. No entanto, ela também saberia da paixão do Adoniran pela música e, dessa forma, se deixou enganar para que o futuro marido não ficasse triste. Pois é, vou levar para a vida a versão da minha mulher!
https://www.notibras.com/
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O Trio Maraya, em excursão no exterior, de volta ao Brasil em 1960, gravou mais um disco pela Odeon, no qual cantaram o samba “Prova de carinho”, de Adoniran Barbosa e Hervê Cordovil (ouça adiante!), e o fox “Um telegrama”, de H. G. Segura e Nadir Perez.
Trio Maraya(1960)
Adoniran..um passado, presente e futuro da Bia música..
De uma mentira um grande amor e até dias atuais se faz lembrar no samba de Adoniran gesto elegante para sua amada.Samba em todas as rodas lembrado boa escolha.
Varis gravações desse sucesso de Adoniram Barbosa, com o proprio Adoniran, Trio Maraya, com a cantora Tie, e Demônios da Garoa principalmente. Os Demônios da Garoa goram os principsis intérpretes e responsáveis por popularizar a obra de Afoniran criando uma parceria histórica que definiu o samba paulistano. Eles gravaram inumeros sucessos do compositor, grandes sucessos como Trem das Onze, Saudosa Maloca Samba do Arnesto e Iracema. O grupo lancou inclusive im album inteiramente dedicado ao compositor: Os Demônios da Garoa interpretam Adoniran Barbosa (1974/1982 )
Gostei mais da Irmã da Beth,Vânia Carvalho e Adoniran…

