Saudades da Guanabara
Em 1989 recebi a visita do querido Paulo Cesar Pinheiro na minha casa da Tijuca. Minutos depois, já éramos três na mesa com o Aldir Blanc. Eu tinha composto um samba, um samba de quadra, de meio de ano, sem grandes pretensões. A madrinha Beth Carvalho elogiou a linha melódica, mas acendeu uma luz sobre o trabalho: “Você tem parceiros maravilhosos. Muda a letra, a música, promete!”
Ali, sentados, juntos, fiz o convite.
Um detalhe. Morávamos no mesmo prédio, Eu e Aldir.
A cerveja acabou. O vizinho parceiro subiu pra repor a geladeira. Voltou com os olhos brilhando e um sorriso sincero: “Pode trocar a cortina da sala, fizemos um sucesso!”. Nas mãos, a primeira parte desse enredo. Paulinho, agitado, correu pra escrever a segunda e, no fim da tarde, eu ligava pra nossa cantora:
“Beth, aquele samba vai se chamar ‘Saudades da Guanabara’”.
Escuta aí…
Ainda me emociono com esse dia.
Extraído de Moacyr Luz em http://odia.ig.com.br/ em 19/06/2015
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Está fazendo 20 anos da gravação do samba ‘Saudades da Guanabara’ pela amiga e fundamental cantora Beth Carvalho (ouça adiante!) e, por isso, repito a história dessa inspiração.
Eu fazia reuniões semanais na minha casa da Tijuca, recebendo importantes artistas brasileiros. Acaba sendo pomposo, fazer o quê? É real! Guinga, Fátima Guedes, Leila Pinheiro, Sueli Costa, João Nogueira e até Lenine eram presenças constantes. De cantoras, Itamara Koorax, Leny Andrade, Selma Reis e Beth Carvalho marcavam ponto na roda musical. Na lista de letristas, Sérgio Natureza, Paulo Emílio, Paulo Cesar Pinheiro e Aldir Blanc. O samba “Saudades…” já existia, com uma letra minha mas, sinceramente, truncada demais.
Num pequeno silêncio de canções e sambas dolentes, fui à cozinha abrir uma gelada nos bons tempos de fígado zerado. Beth se aproxima e elogia a melodia do “Saudades…”
– Mas a letra, Moa…Tantos parceiros…
Uma insônia me consumiu o resto da semana até receber um telefonema do mestre Paulinho Pinheiro. Ele tinha terminado um samba nosso. Estava perto do bairro, viria mostrar os versos. Avisei ao Aldir, vizinho de prédio, da bela surpresa, a presença do autor de ‘Viagem’. E meu parceiro Blanc prometeu descer “prum” papo a três.
A tarde caindo, talvez feito um viaduto, eu puxando o assunto da madrinha Beth:
– Aceitam refazer a letra?
Meia hora depois o Aldir sobe pra buscar mais cervejas guardadas na geladeira do seu apartamento, o 402. Demora uns vinte minutos, tempo que eu apostei como certo o seu desaparecimento daquele encontro.
Toca de novo a campainha trazendo à mão uma folha rabiscada que mais parecia carta psicografada por algum médium suburbano.
Era a primeira parte do ‘Saudades da Guanabara’.
Paulinho se despede muito calado pra uma tarde etílica levando no bolso uma cópia das estrofes.
Foi tudo muito rápido. Logo, telefone no pescoço e mão esquerda anotando, vejo a segunda parte do samba chegar cortando o meu peito carioca de uma emoção que ainda sinto agora, relembrando.
Ligo pra Beth e peço uma opinião sobre a nova letra.
Um mês depois, em setembro de 1989, Beth Carvalho lança pela Polygram o disco ‘Saudades da Guanabara’.
Aconteceu há 20 anos.
Num dia de bagunça.
Extraído de http://youpode.com.br/ Blog do Moacyr Luz em 11/03/2009.
Beth Carvalho & Coro(1989)
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No programa “Brasil Sonoro”, de Anildo Guedes, levado ao ar no dia 25/06/2016, pela E-Paraná – 97,1 FM e 630 AM, a canção “Saudades da Guanabara” foi por nós lembrada no quadro ‘QUAL DELAS ?’ (ouça adiante!).
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Memória e esperança no Rio em “Saudades da Guanabara”
“Saudades da Guanabara”, de Moacyr Luz, explora a relação afetiva com o Rio de Janeiro, usando a nostalgia como ponto de partida para refletir sobre as mudanças e desafios enfrentados pela cidade. Ao escolher o termo “Guanabara” para se referir ao Rio, a música evoca um tempo passado, marcado por uma identidade carioca mais autêntica e menos afetada pela degradação urbana. A letra destaca lugares emblemáticos como a Mesa do Imperador e a Vista Chinesa, criando um contraste entre a beleza de outrora e a “devastação” atual, o que reforça o sentimento de perda e saudade.
A canção também menciona bairros tradicionais como Salgueiro, Engenho de Dentro, Laranjeiras, Flamengo, Catete, Lapa e Centro, não apenas como referências geográficas, mas como símbolos da cultura e da história carioca. Expressões como “regar o Salgueiro” e “plantar novos brotos no Engenho de Dentro” sugerem esperança e resistência, indicando o desejo de renovação e preservação da essência do Rio. O verso “tire as flechas do peito do meu Padroeiro” (São Sebastião) reforça a ideia de que a cidade ainda pode se recuperar. Assim, a música mistura saudade e esperança, expressando o desejo de ver o Rio de Janeiro revitalizado, sem perder sua alma e identidade cultural.
https://www.letras.mus.br/
uma verdadeira evolução a partir da música, muito bom.
O Moa cantava em Niterói no Bar Brasileirinho .. era um espetáculo …atualmente o Moa é reconhecido como um dos maiorais do samba. …
sou fã de carteirinha. 🤪
Um retrato poético melódico e humano do rio de janeiro que os compositores que viviam todos eles no rio de janeiro.

