Verde

Eduardo Gudin & J. C. Costa Netto

Assistindo no Vale do Anhangabaú a uma manifestação pelas eleições “diretas já”, Eduardo Gudin e Costa Netto resolveram registrar numa música aquela sensação de retorno à democracia, vivida pelo povo brasileiro na ocasião. Gudin, sugerindo que a letra deveria enfatizar a cor verde, desenvolveu então um esboço de melodia que já tinha em mente.

A primeira parte (A) da canção, em sol maior, era sucedida por uma segunda (B) em sol menor, porém a sequência final, com o mesmo motivo de A, tinha uma modulação para si bemol maior. Esta interessante resolução levanta a música, provocando um explosivo entusiasmo: “Verde as matas no olhar / ver de perto / ver de novo um lugar / ver adiante / sede de navegar / verdejantes tempos / mudança dos ventos no meu coração…”.

“Verde” foi inscrita no ‘Festival dos Festivais’, concorrendo com 10.314 músicas, das quais 48 seriam classificadas para as quatro eliminatórias. Este festival seria uma tentativa da Rede Globo de reverter a criticada imagem dos MPB-Shell de 80, 81 e 82, em que a pontuação das notas de um júri de duzentas pessoas, de discutível competência, gerou comentários desfavoráveis.

Mas, voltando a “Verde”, aconteceu que o cantor Lula Barbosa, o intérprete na fita de inscrição, tinha também uma composição classificada, “Mira Ira”. Por isso um dos jurados, César Camargo Mariano, sugeriu aos autores o aproveitamento de uma cantora que o impressionara na fita de uma concorrente. A cantora era a paraense Leila Pinheiro, que, apresentada a Gudin e Netto no ensaio da quarta eliminatória, acabou classificando a composição.

Na final, Leila levou “Verde” à terceira colocação superada apenas por “Escrito nas estrelas” e “Mira Ira” — e ainda foi considerada a revelação do festival. Em seguida, contratada pela PolyGram, ela regravaria “Verde” em seu primeiro elepê, ‘Olho nu’, lançado em maio de 86. Passados vários anos, pode-se dizer que esta canção (ao lado de “Escrito nas estrelas”) foi a música que ficou do ‘Festival dos Festivais’, beneficiando a carreira de três artistas: Leila Pinheiro, como cantora, Costa Netto, como letrista, e Eduardo Gudin, como um dos mais férteis compositores paulistas de sua geração (ouça adiante!) (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Extraído de http://cifrantiga3.blogspot.com.br/

Leila Pinheiro(1985)

 

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Eduardo Gudin, antes do programa ‘O Fino da Bossa’

Por Kathleen Hoepers

19/08/2016 / Atualizado em 09/05/2019

Eduardo Gudin fala sobre o início da carreira em entrevista exclusiva.

Eduardo Gudin se batizou em 1966 no programa “O Fino da bossa”, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues na TV Record, e em quase cinco décadas de trajetória, o compositor tornou-se uma das principais referências do samba paulista.

“A música já existia dentro de mim, pelo menos culturalmente. Eu conhecia muitos autores, e muito de teoria musical. Era mais uma questão de adquirir a prática, precisava tocar”, conta Gudin em entrevista exclusiva ao ‘Samba em rede’ sobre as premissas de sua carreira profissional.

Eduardo relaciona sua memória musical afetiva aos tons da vitrola que seu pai ouvia em casa: “Aos cinco anos de idade, eu já demonstrava um interesse quase que incomum pela música. Meu pai comprava muitos discos e eu adorava ficar escutando tudo aquilo”.

Entre expoentes do rock nacional como Bill Haley e seus Cometas, o cancioneiro do pai contemplava também mestres da bossa nova como João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes. “Minha irmã ganhou de aniversário o disco ‘Chega de saudade’ do João Gilberto, em 78rpm, nem era LP ainda. E eu ouvia aquele disco sem parar”, recorda.

“O meu interesse por música começou muito cedo. Antes mesmo de eu tocar”, conta Gudin.

A aptidão e o interesse musical levaram Gudin a explorar outras habilidades como aprender a tocar piano, percussão e violão. Aos 13 anos de idade, elege Paulinho Nogueira como uma figura importantíssima para a sua trajetória: “Foi depois de ver o Paulinho tocar ‘Agora é cinza’ na televisão que cismei que queria tocar violão. Eu gostei tanto de ver ele tocando que pedi um para o meu pai”.

A grande estreia no programa “O Fino da bossa”, na TV Record, se deu aos 16 anos como solista de violão. “Eu toquei violão: eles me escutaram, gostaram e me levaram para o programa”, revela Gudin ao lembrar do momento em que conheceu Elis Regina, Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal. O jovem violonista apresentou-se com um solo em “Morena boca de ouro”, de Ary Barroso.

A reação positiva das plateias e a repercussão de sua aparição estimularam o violonista a seguir pelas vias musicais, buscando o refinamento como compositor. Desde a década de 1960, o compositor firmou parcerias com nomes como Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini, Hermínio Bello de Carvalho, Roberto Riberti, Elton Medeiros e Paulo César Pinheiro. Em 1985, Gudin projetou-se nacionalmente no ‘Festival dos Festivais’, com sua composição “Verde”, assinada com J. C. Costa Netto e defendida por Leila Pinheiro.

 

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30 anos de “Verde”. Música com melodia de Eduardo Gudin e letra de J. C. Costa Netto, que foi a 3º colocada do já histórico “Festival dos Festivais” da Rede Globo. Leila Pinheiro levou o prêmio de Revelação.

A final aconteceu em 26 de Outubro de 1985.

Gudin

 

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Esperança e renovação no Brasil em “Verde”, de Eduardo Gudin

A música “Verde”, de Eduardo Gudin, utiliza a cor verde como símbolo de esperança e renovação, indo além da simples referência à natureza. No contexto do Brasil pós-ditadura, o verde representa o desejo de reconstrução política e social. O verso “Guardei um país no meu coração” faz uma ligação direta com o período de redemocratização, mostrando que, mesmo diante das dificuldades, o sentimento de pertencimento e a vontade de reconstruir o país continuam presentes.

A letra traz imagens como “Verde as matas no olhar” e “mudança dos ventos no meu coração” para associar a esperança à transformação e ao recomeço, tanto no nível individual quanto coletivo. O uso repetido do verbo “ver” — em expressões como “ver de perto”, “ver de novo um lugar” e “ver adiante” — reforça a busca por novos caminhos e a vontade de enxergar um futuro melhor, refletindo o clima de abertura política da época. A canção transmite otimismo e resistência, valorizando a persistência de quem “não desistiu das suas bandeiras” e apostou no amor e na paixão como forças para promover mudanças.

https://www.letras.mus.br/

 

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Os 30 anos da canção “Verde”, de Eduardo Gudin e J. C. Costa Netto

31/10/15

30 anos de “Verde”! Música com melodia de Eduardo Gudin e letra de J. C. Costa Netto, que foi a 3ª. colocada do já histórico ‘Festival dos Festivais’ da Rede Globo. Leila Pinheiro levou o prêmio de Revelação. A final aconteceu em 26 de Outubro de 1985.

 

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GREEN TIMES (VERDE) – Eduardo Gudin | J. C. Costa Netto. Version: J. C. Costa Netto | Marsha Furutani

VERDE é um samba / bossa nova, composto por Eduardo Gudin e J.C. Costa Netto em 1985, quando o Brasil começava a se redemocratizar depois de mais de vinte anos de uma cruel ditadura militar, que começou em 1964. Clamando por eleições populares, era inaugurado o emocionante movimento ‘DIRETAS JÁ’, dando o primeiro motivo para a criação da canção. 

A parte literária abraça, além desse viés democrático, a cor VERDE, que no Brasil é a cor da esperança. A terceira vertente é a ecologia, dando um sentido completo para o nome dessa canção. Muito conhecida no Brasil, foi lançada no “Festival dos Festivais” da TV Globo em 1985, revelando a cantora Leila Pinheiro pra todo o país.

Recebe hoje uma versão para inglês do próprio Costa Netto e da cidadã americana Marsha Furutani. O desejo de ter uma letra em inglês parte do compositor Eduardo Gudin, devido à triste situação política, ecológica e um enorme sentimento de desesperança, tanto no Brasil como nos Estados Unidos.

A estrutura melódica fica na fronteira entre o samba tradicional e a Bossa Nova, característica muito presente na obra de Gudin, que além de compositor, é violonista e arranjador.

Todos os envolvidos nessa gravação torcem para que a mesma ajude a acelerar, de alguma forma, uma mudança na situação atual do mundo, passando de cinza e triste, para VERDE e otimista para o nosso futuro.

 

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Esperança e renovação política em “Verde” de Leila Pinheiro

A repetição da palavra “Verde” e suas variações – “Ver de perto”, “ver de novo um lugar”, “ver adiante” – reforça o simbolismo da cor como esperança, renovação e possibilidade de um futuro melhor.

Tags: Costa / gudin / pinheiro / Verde /
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